Jorge Cardoso: O melhor chocolateiro do Mundo

Jorge Cardoso, filho de pai cozinheiro e de mãe pasteleira, é hoje uma das figuras mais conhecidas da gastronomia suíça. (Foto: DR)

Texto de Sara Dias Oliveira

Arriscou para impressionar o júri e a sua obra de chocolate, uma ode ao país para onde emigrou com 17 anos, tornou-o no melhor chocolateiro do mundo. Um ano de trabalho, pesquisas, experiências. Ideia definida e cerca de 150 horas para criar uma peça complexa e elegante, com 97 centímetros de altura, 50 de largura, e 18 quilos que se aguentam em quatro pés de um móvel de chocolate. Não um móvel qualquer.

“O móvel representa os móveis mais antigos das casas típicas das montanhas suíças. Dentro do móvel, em cima de cada prateleira de açúcar, estão os quatro tipos de chocolates que tinha de fazer”, conta Jorge Cardoso.

Suíça era o tema e o chef chocolateiro moldou os objetos mais conhecidos do país: um relógio, um canivete suíço, as caçarolas, o pão e os garfos a lembrar o tradicional fondue de queijo, um tronco de árvore e uma flor em açúcar que representam a natureza, florestas e paisagens.

Primeiro lugar na geral individual, quarto na classificação por equipas, ao serviço da Suíça, numa competição com cerca de 750 chefs e artistas do universo culinário, mais de 100 equipas, 75 países. O convite para fazer parte do grupo surgiu há um ano, depois de uma conquista histórica no Mundial de pastelaria em Lyon (França), em que ganhou a medalha de bronze. Foi a primeira vez que a Suíça subiu ao pódio nessa competição. Proposta feita, um sim sem hesitações.

“Antes de começar uma escultura, faço desenhos para me orientar e para fazer os cálculos do tamanho dos objetos e do equilíbrio”, revela. O gosto pelo desenho transforma-o numa espécie de arquiteto do chocolate. É chef-pasteleiro na Suard, pastelaria e padaria, em Friburgo, e uma das figuras mais conhecidas na gastronomia suíça. O pai é cozinheiro, a mãe pasteleira. “Talvez seja por isso que decidi entrar para este mundo. Esse sangue corre-me nas veias.” Em seis anos, sete concursos, quatro medalhas de ouro, uma de prata, outra de bronze.

Em 2006, estudava Artes Visuais em Portugal, aos 17 anos estava na Suíça, em 2009 começou as formações de pasteleiro, chocolateiro, padeiro. “Os meus professores que me viram crescer no mundo da cozinha e da pastelaria dão-me os parabéns e dizem que sou um exemplo que muitos alunos deviam seguir. Isso deixa-me bastante orgulhoso porque o meu trabalho deu frutos.”

Regressar não está fora de planos, representar Portugal em concursos mundiais também não. Tem o coração aberto. “Estarei disponível para dar conselhos aos portugueses que desejarem participar em concursos ao mais alto nível porque tenho experiência para isso.”

São 11 anos de esforço, luta, dedicação. “Acho que no futuro vão continuar a ouvir falar de mim porque não tenho intenção de ficar por aqui, mas sim de poder ir cada vez mais longe e à procura dessa coisa chamada perfeição.”