Hoje é o Dia Mundial do Inseto Comestível. Vai comemorá-lo ao jantar?

A origem da infestação é desconhecida

Não, não torça já o nariz. A utilização de insetos na alimentação humana e animal é uma tendência crescente a nível mundial. Mas há motivos para isso. Um deles está alicerçado na procura de fontes alternativas de proteína, ambientalmente mais sustentáveis do que aquelas que conhecíamos até agora. Leia até ao fim, não desista, até porque hoje é o Dia Mundial do Inseto Comestível.

Para começar, a prática de comer insetos, que se designa “entomofagia”, não é de hoje. Vem dos primórdios da humanidade, quando as plantas e os insetos eram fontes de nutrientes. Séculos depois, o hábito continua bem vivo, embora seja mais facilmente detetado nos países do hemisfério sul.

Porém, com o tempo, a prática ganhou adeptos em todo o Mundo. Na Europa, o primeiro registo de utilização de insetos na dieta humana apareceu na Grécia, onde as cigarras eram consideradas um alimento gourmet. Atualmente, há cerca de dois mil milhões de pessoas que consomem insetos, diariamente.

A prática de comer insetos, que se designa “entomofagia”, não é de hoje.

A grande questão que tem levado à expansão do consumo de insetos é, na verdade, a sustentabilidade. A produção e transformação de insetos com a finalidade de os introduzir nas rotinas alimentares provoca um impacto menor no consumo da água, na utilização do solo arável e nas emissões tóxicas para a atmosfera, quando comparado com a produção de outras proteínas animais, como é o caso da carne.

Por isso, há quem defenda a ideia de que a produção da proteína atual é insustentável para o meio ambiente, principalmente se tivermos em conta a previsão do crescimento da população mundial: em 2050 seremos mais de nove mil milhões de pessoas. E se as coisas não mudarem a produção alimentar terá de duplicar, segundo um relatório de 2013 da Organização das Nações Unidas. Por isso, é a própria ONU que sugere uma mudança com a introdução dos insetos na nossa alimentação.

Atualmente, há cerca de dois mil milhões de pessoas que consomem insetos, diariamente.

Em Portugal, já existe, desde maio, uma associação que congrega os produtores e transformadores portugueses de insetos. De entre os seus objetivos destaca-se “o contributo para a consciencialização das populações sobre as vantagens nutricionais e ambientais do consumo de produtos alimentares à base de insetos”.

Farinha, massas, barras de cereais, tudo isso já pode ser feito com recurso a insetos cuja libertação de gases tóxicos para a atmosfera chega a ser de 0%. E claro está que a sua transformação não traz qualquer contra-indicação para a nossa saúde. Além do mais, depois de esmagados, não fazem assim tanta impressão. Pois não?