Há ou não um peso ideal para cada corpo?

O peso ideal não é uma fórmula exata porque depende de vários fatores. De qualquer forma, atenção às dietas iô-iô, às oscilações de peso, aos desejos por pesos irrealistas. O índice de massa corporal é um indicador.

Texto Sara Dias Oliveira | Fotografia Shutterstock

Um quilo a mais aqui, um quilo a mais acolá, a roupa que começa a ficar apertada, o ponteiro da balança que sobe, a vontade de um corpo com tudo no sítio. São muitas as razões que levam a iniciar dietas radicais que quase nunca dão bons resultados.

É bom pensar melhor antes de entrar numa dessas e sobretudo ter a certeza de que tem um problema de peso. Há ou não um peso ideal para cada corpo? A resposta não é simples, mas o equilíbrio atinge-se pesando fatores individuais e recomendações gerais.

O peso ideal é o que se encontra dentro do intervalo de peso normal do índice de massa corporal, que é o intervalo corporal recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

O peso ideal é o peso em que as necessidades nutricionais estão garantidas e encontra-se incluído no intervalo de peso normal do índice de massa corporal (IMC), que varia entre 18,5kg/m2 e 24,9 kg/m2. O IMC é, aliás, um indicador da Organização Mundial da Saúde (OMS) que classifica o estado nutricional em várias categorias e que se obtém dividindo o peso pelo quadrado da estatura. Há fórmulas, portanto. Mas há outros fatores que contam na hora de pesar e pensar em quilos.

«O peso ideal é, assim, o peso considerado saudável e que se encontra dentro do intervalo de peso normal do IMC – que é o intervalo corporal recomendado pela OMS», diz Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas. «Contudo, o que se preconiza pela OMS é a utilização do IMC como indicador do estado nutricional e não um valor único de peso», acrescenta.

A busca do peso ideal não deve ser um caminho solitário e com regras feitas ao sabor de cada ocasião. Deve ser acompanhada por um nutricionista que defina um objetivo de peso desejável.

O IMC tem, no entanto, algumas limitações, já que considera apenas a altura e o peso corporal, não abrangendo o nível de adiposidade que pode variar consoante a idade, a atividade física e o género.

O peso adequado depende de vários fatores: altura, idade, estado de saúde, nível de atividade física, género. E a procura por esse peso não deve ser um caminho solitário e com regras feitas ao sabor de cada ocasião. Deve, isso sim, ser acompanhada por um nutricionista que defina um objetivo de peso desejável, tendo em conta as recomendações gerais e fatores individuais.

Massa gorda, massa magra

A procura pelo peso «perfeito» pode dar a volta à cabeça e não ser muito saudável. Por isso, seja para ganhar ou para perder peso, os objetivos têm de ser realistas. «Considerando que ‘peso perfeito’ é um conceito subjetivo e que é possível que um indivíduo estabeleça um ‘peso perfeito’ irrealista ou que não seja saudável, é importante que exista um acompanhamento adequado nesse processo», refere a bastonária.

Há, no entanto, situações em que a meta de peso ideal é uma utopia, especialmente nos casos de obesidade mórbida. Se o peso ideal for um objetivo, será uma frustração já que se trata de uma meta muito exigente. Com consequências graves à mistura. Alexandra Bento adianta algumas. Deterioração da composição corporal com agravamento da relação entre massa gorda e massa magra, redução da autoestima, insatisfação com o corpo, perceção de incapacidade.

Há estudos que sugerem que a flutuação do peso corporal tem vindo a ser associada ao aumento do risco de mortalidade, em particular associada a doenças cardiovasculares

Dietas atrás de dietas em busca do peso que sonha como ideal não costumam dar bons resultados. «As oscilações frequentes de peso (‘efeito iô-iô’) e as dietas de emagrecimento não são exclusivas dos indivíduos obesos ou com excesso de peso, incluindo também grupos da população que se encontram dentro do intervalo de peso saudável ou normal.» As constantes oscilações de peso, em grupos com peso normal, e que são intencionais, estão sobretudo associadas a risco de doenças metabólicas e cardiovasculares.

«Há estudos que sugerem que a flutuação do peso corporal tem vindo a ser associada ao aumento do risco de mortalidade, em particular da mortalidade associada a doenças cardiovasculares, mas são necessários mais estudos que suportem esta relação», diz Alexandra Bento.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.