Grécia: “Houve tempo, mas não havia um plano”

EPA/PANTELIS SAITAS

Num abrir e fechar de olhos, Mati, aldeia costeira a 29 quilómetros de Atenas, desapareceu engolida pelo fogo. Nos primeiros relatos, uma angústia que nos faz recuar a junho de 2017, ao “inferno” vivido em Pedrógão Grande, distrito de Leiria. Por cá, 66 mortos e mais de 250 feridos, meio milhar de casas destruídas. Por lá, nos arredores da capital grega, 74 vítimas mortais e pelo menos 178 feridos. Números provisórios.

O maior incêndio que deflagrou no país desde 2007 começou na tarde de segunda-feira, 23 de julho, mas esta manhã apanhou desprevenidas e matou pelo menos 26 pessoas, que morreram abraçadas, perto da praia. “Mati já nem existe. Vi corpos, carros queimados. Tenho sorte em estar viva”, afirmou uma residente à Skai TV, uma televisão local citada pela Reuters.

Christina, outra moradora da aldeia costeira, também escapou ilesa, garantindo, contudo, que as autoridades subestimaram o poder das chamas naquela localidade.

“Não havia plano. Nem uma gota de água foi lançada nas chamas porque estavam todos concentrados apenas na Ática ocidental. Foi por isso que as pessoas morreram queimadas. Ninguém foi informado por ninguém”, lamentou, em declarações à rádio Thema 104.6.

“Nós vimos o fogo desde o primeiro momento. Não era enorme. Desceu [das colinas] em duas horas. É uma mentira que isso tenha acontecido em meia hora. Houve tempo, mas não havia plano. Nem mesmo um plano de fuga. Nós fomos salvos por um fio”, acrescentou.

No total, a guarda costeira e outras embarcações resgataram 696 pessoas que fugiram para as praias. Mas os serviços de emergência continuam a receber telefonemas a reportar desaparecimentos.

https://www.facebook.com/severeweatherEU/videos/2289026004653821/