Frio: como proteger bebés e idosos

O tempo frio não costuma ser um problema para os adultos saudáveis, mas, se for extremo, pode ser para os mais pequenos – sobretudo os recém-nascidos – e para os idosos, que são mais sensíveis a problemas de saúde associados a temperaturas baixas. Como proteger estes grupos de risco?

Texto Sofia Teixeira| Fotografia Shutterstock

A vaga de frio que está a atingir os Estados Unidos já fez dezenas de mortos. Na Europa, Portugal incluído, no final do ano passado e início deste, os termómetros já desceram várias vezes abaixo dos zero graus por causa do fenómeno meteorológico: massas de ar frio e seco que originam reduções significativas das temperaturas, com valores mínimos que descem abaixo dos 0ºC.

Para a saúde dos adultos saudáveis isto não é um problema: inverno ou verão, habitualmente mantemos a temperatura corporal sempre dentro dos mesmos valores. Isso acontece porque somos homeotérmicos: o corpo humano tem uma incrível capacidade manter a temperatura corporal dentro de um intervalo pouco variável de valores, apesar das variações térmicas do ambiente.

Estão envolvidos neste equilíbrio o nosso cérebro – sobretudo o hipotálamo que «lê» a temperatura e aciona mecanismos de resposta – e todo o resto do corpo, que em resposta aos comandos cerebrais tem mecanismos de compensação. No caso das temperaturas frias, os vasos sanguíneos contraem, os pelos ficam em pé, temos calafrios e são produzidas hormonas que estimulam o metabolismo.

São dois os grandes riscos da exposição ao frio: a hipotermia – diminuição da temperatura corporal para valores inferiores a 35ºC – e o enregelamento, que pode ir de uma ligeira sensação de torpor nas partes do corpo afetadas a danos permanentes nos tecidos.

O perigo que o frio extremo apresenta para recém-nascidos, alguns idosos e outros grupos de risco está relacionado com a dificuldade que o corpo tem em auto-regular-se: nos bebés a imaturidade e nos idosos e doentes crónicos a debilidade fazem com que o organismo tenha dificuldade equilibrar a temperatura.

A isto acrescem outros problemas contextuais: nos bebés a ausência de linguagem é uma barreira à compreensão das queixas pelos cuidadores, nos idosos o frequente isolamento e más condições térmicas de algumas habitações podem ampliar o problema.

São dois os grandes riscos da exposição ao frio: a hipotermia – diminuição da temperatura corporal para valores inferiores a 35ºC – e o enregelamento, que pode ir de uma ligeira sensação de torpor nas partes do corpo afetadas a danos permanentes nos tecidos.
Embora não provoque gripes e constipações, o frio tem uma relação com elas: não só porque os vírus que afetam o sistema respiratório estão mais ativos nesta altura do ano, como porque as baixas temperaturas e o ar mais seco debilitam as mucosas do sistema respiratório, o que compromete a resposta imunitária.

Mais uma vez, são os idosos, doentes crónicos e bebés que podem ser mais afetados pelas consequências da gripe, sobretudo com problemas respiratórios que enchem as urgências hospitalares nesta altura do ano.

Aos bebés pequenos, idosos dependentes e pessoas com incapacidade, aplicam-se todos os conselhos gerais, mas é necessário que sejam os cuidadores a pô-los em prática e acrescentar-lhe outros cuidados:

  • Se possível, durante uma vaga de frio, não saia de casa com o bebé ou idoso
  • Estar atento a sintomas que possam ter como arrepios; pele muito branca ou acinzentada, letargia, dificuldade em respirar e temperatura muito baixa nas mãos e pés
  • Se tiver na família idosos que vivam sozinhos passe em casa deles ou telefone com mais regularidade a saber como estão
  • Coloque aquecimento na casa ou divisão onde está o bebé ou idoso, mas não se esqueça das normas de segurança: proteger a lareira, afastar os aquecedores de móveis ou cortinas, não ligar demasiados aparelhos ao mesmo tempo para evitar uma sobrecarga
  • Cuidado com o problema oposto: o sobreaquecimento: verifica se o bebé não está ‘afogueado’ com tanta roupa ou aquecimento e não se esqueça da hidratação ainda que o bebé ou o idoso não peçam água
  • No caso dos idosos que sofrem de doenças que podem agravar ou descompensar com as temperaturas baixas (problemas respiratórios e artroses, por exemplo), fique em contacto com o médico assistente de forma a ajustar os cuidados

Medidas de autoprotecção durante uma vaga de frio

  • Preferir várias camadas de roupa, em vez de apenas uma ou duas peças quentes
  • Usar roupa e acessórios que protejam as extremidades do corpo: gorro, luvas, meias e calçado quente
  • Evitar o álcool e beber bebidas quentes, como chás
  • Caso fique doente, evite deslocações desnecessárias ao hospital, ligue primeiro para a
  • SAÚDE 24 através do número 808 24 24 24

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