OPINIÃO

“Sou o ditador mais bonacheirão de sempre”

Uma infância a ver o “Prós e Contras” deu nisto: um ditador com um penteado e um guarda-roupa divertidos. Kim Jong-un até já sabe o que fazer com o dinheiro do Prémio Nobel da Paz que vai vencer a meias com Donald Trump.

O convidado de hoje é o homem de quem mais se fala em todas as televisões do mundo, a seguir a Bruno de Carvalho. Olá, Kim Jong-un. Vou só ligar o tradutor português-norte-coreano e vice-versa para iniciarmos a entrevista.
Não é necessário, eu falo e percebo português perfeitamente.

Que surpresa! Aprendeu com aquele seu amigo português que conheceu no colégio na Suíça?
Não. Aprendi pela televisão. Nós apanhamos a RTP1 lá na Coreia do Norte. Cresci a ver o “Prós e Contras”.

Isso explica muita coisa.
Tinha um poster da Fátima Campos Ferreira no meu bunker de férias.

Isso já é mais complicado de explicar.
Gosto daquela forma que ela tem de manter o povo desinformado sobre temas centrais.

Vamos ao que interessa. O encontro mais importante da humanidade no século XXI: a cimeira de Singapura. Como foi apertar a mão a Trump? Não lhe passou pela cabeça que ele tivesse estado a pôr a mão em algum local menos próprio antes de apertar a sua?
Foi absolutamente normal. Eu estava um bocado nervoso porque, tirando o Dennis Rodman, nunca tinha conhecido ninguém que já tivesse tido sexo com uma atriz porno famosa.

É um momento histórico. Ninguém esperava uma coisa destas. Vindo de quem vem. É como se dois indivíduos em coma alcoólico conseguissem montar um beliche do Ikea. Uma pessoa imagina o senhor e o Trump fechados numa sala e a primeira ideia que nos vem à cabeça é: “Vão buscar madeiras e pregos e embora entaipar já isto porque dali não vai sair nada de bom.”
As pessoas têm uma ideia muito errada de mim. Acha que se eu não fosse uma pessoa divertida andava com esta roupa e este corte de cabelo? Imagine que eu rapava a cabeça toda e vestia-me com uma gabardina de cabedal preto…

Não sou capaz, daqui a nada quero conseguir ir dormir.
Eu sou o ditador mais bonacheirão de sempre. Por exemplo, mandei abater, com um míssil balístico, um general que me fez mal as bainhas, mas dei a ordem depois de ter ingerido hélio. Até ele se riu.

Por incrível que pareça, você e o Trump ainda vão ganhar o próximo Nobel da Paz. Quem sabe, pode ser que seja desta que o Lobo Antunes também lá chegue.
Era uma honra. Além disso, dava-me imenso jeito o dinheiro do Nobel da Paz para contratar uns profissionais para envenenarem meia dúzia de familiares que me dão chatices.

Quem me dera ter esse poder, amigo Jong. A próxima consoada ia ser muito mais divertida.