OPINIÃO

Devemos ou não expor os bebés e recém-nascidos a micróbios e bactérias?

O contacto dos recém-nascidos com as bactérias da mãe, no momento do nascimento e na amamentação, terá impacto na sua saúde. Também é por isto que se insiste em reduzir o número de partos programados por cesariana.

Texto NM | Fotografia Shutterstock

Os estudos científicos apontam no mesmo sentido. Aconselham a amamentação, o contacto de micróbios da mãe e do bebé e o evitar de partos programados por cesariana. Tudo porque o que acontece nos primeiros segundos, semanas e meses de vida pode ter impacto na saúde anos depois. Os microrganismos do leite materno sentem-se mais tarde. Protegem, não prejudicam.

A pesquisa médica tem vindo a demonstrar que partos por cesariana e amamentação condicionada distorcem a «fauna» dos microrganismos que moram no intestino do bebé. O que, mais tarde, pode explicar alguns problemas de saúde ainda em criança ou já na fase adulta.

Diabetes, obesidade, asma, alergias, doença celíaca, inflamações no intestino, são alguns dos exemplos. A ciência explica isto de uma forma simples: se o intestino do bebé não for bem preenchido por bactérias promotoras de saúde, então é possível que as consequências surjam mais tarde.

Diabetes, obesidade, asma, alergias, doença celíaca, inflamações no intestino, podem ser doenças relacionadas com os primeiros meses de vida do bebé.

É preciso ir às origens e, segundo um artigo do The New York Times, há cientistas concentrados nessa imensa população de bactérias que habita o corpo humano e como ela influencia, para o bem e para o mal, tendo em conta como os bebés nascem e se alimentam. E como tudo isso se reflete no futuro.

Neste momento, e fruto de várias investigações, aconselham-se menos partos programados por cesariana e amamentação plena e exclusiva durante os primeiros seis meses de vida do bebé como forma de melhorar e aumentar a quantidade de bactérias no intestino.

Tudo porque esses «bichinhos» têm um papel importante na produção de vitaminas, na digestão de nutrientes não utilizados, no combate a bactérias nocivas e na própria maturidade do intestino. Se alguma coisa corre mal aqui, é possível que haja problemas de saúde que se manifestarão ao longo da vida.

«Se, por exemplo, a maturação do intestino é prejudicada ou atrasada, alguns especialistas acreditam que as proteínas não digeridas podem entrar na corrente sanguínea e desencadear intolerância ou alergia ao glúten. Ou um sistema imunológico prejudicado pode resultar numa doença autoimune, como a diabete tipo 1, artrite juvenil, ou esclerose múltipla», adianta o The New York Times.

Num parto vaginal, os bebés tomam contacto com os micróbios da vagina e do intestino da mãe. Os que nascem de cesariana tomam essencialmente contacto com os micróbios da pele da mãe e do ambiente hospitalar.

O contacto com os microrganismos é uma constante na vida dos bebés, mesmo ainda dentro do útero. Mas sabe-se que os micróbios que estão mais presentes no nascimento e nos primeiros meses de vida têm mais poder, uma maior influência, do que os que andam ali a rondar na barriga da mãe.

O jornal norte-americano recorda, a propósito, um estudo dinamarquês, que envolveu dois milhões de crianças nascidas entre 1977 e 2012, e que conclui que os bebés que nasceram por cesariana vieram a ter uma maior propensão para asma, artrite, doenças inflamatórias no intestino, e até mesmo leucemia, do que os nascidos por parto vaginal.

Há inclusive, segundo o jornal, mães que em partos por cesariana pedem à equipa médica que transfira micróbios da sua vagina para o bebé logo a seguir ao nascimento. Há, no entanto, riscos e o comité americano de obstetras e ginecologistas desaconselha esta prática por ser potencialmente perigosa e por não estar bem estudada, avisando para o perigo de transferir organismos patogénicos da mãe para o bebé.