OPINIÃO

Flashback: os portugueses que partiam para Angola

A 11 de março de 1953, 22 famílias rurais do concelho da Guarda seguiram para o colonato europeu de Cela, no planalto do Amboim, Angola, como parte do plano de fomento do Ultramar. Uma grande viagem de barco, um salto ainda maior para o desconhecido.

Texto de Ana Pago | Fotografias do Arquivo DN

Talvez tenha havido lágrimas ao saírem das suas casas para virem para Lisboa, 22 famílias das zonas rurais do concelho da Guarda a caminho de colonizarem Angola. Despedidas certamente que as houve. E promessas, tantas. E muita saudade.

Agora, porém, prestes a embarcarem no navio Benguela da Companhia Colonial de Navegação, com o colonato de Cela no horizonte, só conseguem pensar que seria um grande disparate não terem vindo. Santo Deus, que aventura maravilhosa e louca será esta viagem só de ida.

Ao todo, 123 pessoas fizeram-se ao mar nesta leva de colonos, entre 74 crianças e 49 adultos.

«As primeiras famílias rurais do Continente que vão estabelecer-se no planalto do Amboim, em Angola, partiram ontem alegres, risonhas e confiadas no auxílio que o Estado lhes oferece», relatava o DN de 12 de março de 1953, atento à movimentação de gentes e bagagens.

«Nem um só apresentava expressão de incerteza ou de preocupação quanto ao seu destino. Sabem que um novo lar os acolherá confortavelmente numa terra distante que, embora desconhecida, é o prolongamento da pátria portuguesa.»

Lá longe, nos novos aldeamentos, esperava-os uma casa rural com as dependências necessárias a uma pequena exploração agrícola.

Ao todo, 123 pessoas fizeram-se ao mar nesta leva de colonos, entre 74 crianças e 49 adultos, dos quais «cinco velhotes que acompanham os filhos casados».

Lá longe, nos novos aldeamentos, esperava-os uma casa rural com as dependências necessárias a uma pequena exploração agrícola, um terreno com área para uma família de agricultores, as alfaias e ferramentas para exploração do contrato que lhes foi confiado, gado e criação.

De resto, eles sabem que «com o seu próprio esforço, com a sua robustez física e moral, terão de trabalhar a terra que será o seu pão e o seu título de honra».

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