Campanhas estrangeiras sobre aborto na Irlanda eliminadas do Facebook

Empresa de Mark Zuckerberg quer proteger a integridade das eleições. Pessoas fora do país não vão conseguir criar campanhas sobre o tema

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia ShutterStock

O Facebook anunciou esta terça-feira que vai eliminar todos os anúncios e campanhas criados fora da Irlanda que digam respeito ao referendo do aborto.

O governo irlandês chegou a acordo para viabilizar a marcação do referendo para legalizar a interrupção voluntária da gravidez, agendado para 25 de maio, e a empresa de Mark Zuckerberg já tomou medidas.

«Como parte dos nossos esforços para ajudar a proteger a integridade de eleições e referendos de influência indevida, começaremos a rejeitar anúncios relacionados com o referendo se eles estiverem a ser administrados por anunciantes localizados fora do país», pode ler-se num comunicado do Facebook, publicado esta terça-feira, 8.

Esta posição surge depois de toda a polémica em torno das eleições norte-americanas, que levou Zuckerberg ao Senado dos Estados Unidos para prestar esclarecimentos. Escândalo que envolve a empresa Cambridge Analytica, que terá recolhido várias informações sobre possíveis eleitores sem o consentimento daquela rede social.

Nessa altura, a Notícias Magazine publicou um artigo sobre algumas formas de melhorar a sua privacidade no Facebook. Pode ver algumas dessas dicas na fotogaleria em cima.

«A abordagem da nossa empresa é criar ferramentas para aumentar a transparência em torno das campanhas políticas, para que as pessoas saibam quem está a pagar os anúncios publicados e para garantir que as organizações que o fazem estão localizadas nesse país», acrescenta a empresa em comunicado.

O Facebook acrescenta ainda que este mecanismo de transparência entrou em funcionamento na Irlanda já a partir desta terça-feira. «Esta alteração vai ser aplicada em anúncios provenientes de entidades estrangeiras e que estão a tentar influenciar o resultado de 25 de maio», esclarece ainda.

Recorde-se que no atual regime irlandês, o aborto só é permitido em caso de risco de vida para a mãe e podem ser aplicadas penas até 14 anos de prisão para quem interromper ilegalmente a gravidez.

Neste sentido, estima-se que, desde 1983, 170 mil mulheres tenham saído da Irlanda para interromper a gravidez e que cerca de 2 mil tomem, de forma ilegal, um comprimido para o mesmo efeito.

“Este referendo pretende pedir aos cidadãos que permitam que sejam as próprias mulheres a tomar decisões cruciais sobre si”, disse o primeiro-ministro irlandês Leo Varadkar. «Sei que é um assunto muito pessoal e privado e que para a maioria de nós não é uma questão preto no branco, é cinzenta — o equilíbrio entre os direitos da mulher grávida e do feto ou da criança por nascer», acrescentou ainda o governante.

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