Banksy: satírico e subversivo

Texto de Alexandra Tavares-Teles

A Sotheby’s não divulgou a identidade do comprador nem se sabe ainda se alguém vai pagar pela versão em tela de Balloon Girl (2002), de Banksy, que começou a desfazer-se momentos depois de ter sido arrematada por 1,19 milhões de euros. Porém, se se tratou de um investimento, o licitador pode ter tido um dia de sorte.

A destruição da imagem – deslizou por um dispositivo dentro da moldura transformando-se em tiras de papel – foi interrompida e, especula-se agora, o trabalho na forma danificada pode tornar-se muito mais valioso. Ainda mais.

Que pretendia Banksy com o truque – zombar do espetáculo da arte reduzida a um preço ou notoriedade para o evento? Provavelmente as duas coisas e, na verdade, o mais controverso artista de rua do mundo, ativista político e realizador, atingiu o objetivo.

O vídeo com as expressões atónitas do público tomado pela surpresa, postado por Banksy no Instagram sob a legenda “o desejo de destruir é também um desejo criativo” (citação atribuída a Picasso, mas que pertence ao anarquista russo Mikhail Bakunin) já ultrapassou os doze milhões de visualizações.

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. "The urge to destroy is also a creative urge" – Picasso

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A arte de Banksy, satírica e subversiva, combinação de humor negro e graffiti feito com uma distinta técnica de stencil, está em ruas, muros, pontes de cidades de todo o mundo. De Nova Iorque a Belém, na Palestina. Expondo claramente uma total aversão aos conceitos de autoridade e poder, quase sempre em forma de reivindicação e de protesto, muita dela foi um sucesso instantâneo, muitas vezes viral, acumulando recordes de venda em leilões de arte como os das Sotheby’s e Bonham’s of London.

A história começa no início dos anos 1990, em Bristol, onde, reza a lenda, terá nascido em 1974. Aos 18 anos, apanhado a “vandalizar” espaços públicos, escapa à polícia escondido debaixo de um camião do lixo. Decide então correr menos riscos, recorrendo a forma mais rápida de pintar. Admirador das obras de Blek Le Rat (n. Paris, 1951), pai do graffiti stencil, e reciclando até as ideias do mestre, Banksy, a quem os pais julgam pintor e decorador, desenvolve os primeiros stencils. Seguem-se anos intensos até que em 2000, já a viver em Londres, começa a ganhar notoriedade e a trabalhar em exposições internacionais.

Muito pouco se sabe sobre o autor, avesso a entrevistas e decidido a proteger a identidade. Simon Hattenstone, do “The Guardian”, é uma das poucas pessoas que o entrevistaram ao vivo. Em 2003, o jornalista descreve “um homem de 28 anos que apareceu vestindo jeans, com um dente de prata, corrente de prata e um brinco de prata.” Banksy, que terá trabalhado num talho na adolescência, afirma no seu site: “Não posso comentar quem pode ou não ser Banksy, mas não me parece que uma pessoa descrita como ‘boa em desenho’ possa ser ele.”