Assunção Cristas: Ler quando há tempo

Com uma agenda preenchida ao minuto, a líder do CDS ‑PP diz que ler se tornou mais do que um hobby, é o verdadeiro escape, o silêncio, «em que estou só eu e a aquela história».

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia Gustavo Bom/Global Imagens

Assunção Cristas, 43 anos, chega à sessão fotográfica com um saco cheio de livros. «Não consigo escolher um favorito, é possível fotografarmos com todos?» Claro que é. Para quem passou uma vida a ler – dos cinco irmãos, era a que mais lia – cada livro traz uma lembrança distinta e há autores que parecem fazer parte da família.

«Gosto muito dos escritores e poetas portugueses. Ruy Belo, Dulce Maria Cardoso, Adília Lopes, José Tolentino Mendonça… são tantos!» Outros nomes têm direito a menção honrosa na prateleira de Assunção como On‑jaki ou Elena Ferrante, que leu de um fôlego.

«Eu sou a pessoa das leituras e às vezes é difícil cativá‑los. Mas, nas férias, é regra de ouro levar um livro»

Com uma agenda preenchida ao minuto, a líder do CDS ‑PP diz que ler se tornou mais do que um hobby, é o verdadeiro escape, o silêncio, «em que estou só eu e a aquela história». Um dos momentos em que não dispensa um livro é nas viagens de avião. «Nas idas, normalmente, tenho relatórios para ler. Mas no regresso a casa nada me dá mais prazer do que entregar‑me à leitura.»

Em casa, ela e o marido dividem os entusiasmos culturais a passar aos filhos. Tiago Machado da Graça «é o homem da música. É mais fácil para ele cativar a atenção dos miúdos (Maria do Mar, de 16 anos, José Maria, de 14, Vicente Maria, de 12, e Maria da Luz, de 4), já que ouvimos música em conjunto, no carro. Eu sou a pessoa das leituras e às vezes é difícil cativá‑los. Mas, nas férias, é regra de ouro levar um livro.»

SEGUNDA GUERRA
Se tivesse de escolher um livro que a tenha marcado intrinsecamente, seria o Diário de Elly Hillesum, um relato na primeira pessoa dos horrores do Holocausto. Elly tinha 27 anos quando o escreveu e morreria em Auschwitz antes de chegar aos 30.