As expressões, a dança e as referências: todas as teorias sobre o novo videoclipe de Childish Gambino

Em três dias contabiliza mais de 45 milhões de visualizações no Youtube e tem sido alvo de vários elogios nas redes sociais. Conheça o novo fenómeno da Internet e as teorias por trás do videoclipe do momento.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia DR

This Is America, de Childish Gambino, está no top trending do YouTube – com mais de 45 milhões de visualizações em apenas três dias – e está aberto o debate nas redes sociais sobre as mensagens subliminares do novo videoclipe do cantor.

Janelle Monáe, Kanye West ou Trent Reznor foram apenas alguns dos artistas que decidiram congratular o rapper norte-americano pelo novo projeto.

O músico, ator, escritor, diretor e comediante Donald Glover – que dá nome a Childish Gambino – tem, em apenas quatro minutos de música, várias referências à discriminação racial nos Estados Unidos da América.

Desde a divulgação do vídeo que alguns cibernautas afirmam que, logo nos primeiros minutos, no momento em que Gambino exagera nas poses e surge a alvejar uma pessoa sentada, há uma referência a «Jim Crow», expressão que se tornou pejorativa nos EUA.

Reza a história que se popularizou através da canção Jump Jim Crow, interpretada por Thomas D. Rice, que utilizava a técnica «blackface» para imitar a raça negra. Mais tarde, no final do século XIX, as leis que institucionalizaram a segregação racial – que vigoraram entre 1876 e 1965 – ficaram conhecidas como Jim Crow Laws.

Também na expressão facial que o músico faz logo no início da música (ver imagem em baixo), faz-se uma analogia à personagem Tio Ruckus, da série The Boondocks. Um homem negro que dizia ser branco e que mostrava propensões racistas.

Os movimentos de dança de Gambino também foram alvo de comentários. De acordo com o The Guardian, a coreografia quer apenas «mascarar» a confusão que acontece em simultâneo num segundo plano.

Para defender esta tese, o jornal britânico mostra um «retweet» da própria coreógrafa, Sherrie Silver, talvez em concordância, numa das publicações feitas naquela rede social: «os movimentos de dança de Childish Gambino querem distrair-nos da loucura que está a acontecer no fundo do vídeo e é exatamente esse o ponto».

O The Guardian considera ainda que há uma referência à violência policial no minuto 2.29 do vídeo (ver em baixo), quando um grupo de jovens negros surge com os seus telemóveis, dando a ideia que podem ser armas. Os fãs do videoclip consideram que esta pode ser uma analogia para a morte de Stephon Clark, a 18 de março, em Sacramento, na Califórnia.

O jovem foi atingido pelo menos oito vezes pela polícia, de acordo com uma autópsia independente divulgada pela família. Quando revistaram o corpo, após uma perseguição policial, os agentes encontraram apenas um telemóvel.

Pensa-se também que quando Donald Glover dispara sobre o coro [minuto 1.57] esteja a fazer uma referência ao massacre na igreja de Charleston, em 2015. Dylann Roof, de 23 anos, assumiu-se como culpado no julgamento e disse, na altura, que queria começar uma «guerra racial».

No programa Saturday Night Live, além de This Is America, Gambino apresentou também Saturday (ouvir em baixo). Estas duas novas canções devem fazer parte do novo álbum do cantor, cujo último trabalho musical remonta a 2016: Awaken, My Love!