A alimentação também é uma arma contra o cancro

O cancro traz muitas preocupações, antes de mais evitar que se espalhe ou que volte depois de tratado. Seja como for, o foco deve estar sempre na prevenção. E a alimentação é um fator importante nesta luta. Gorduras trans e alimentos processados não devem estar à mesa.

Texto Sara Dias Oliveira | Fotografia Shutterstock

Os números fazem pensar. E, eventualmente, mudar estilos de vida. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 30 a 50% dos cancros podem ser prevenidos evitando fatores de risco, nomeadamente dietas nada saudáveis e pouca ingestão de frutas e vegetais. Há outros hábitos a riscar da lista: tabaco, álcool, quilos a mais na balança, e nenhuma vontade em exercitar o corpo.

«Estudos científicos demonstram que o consumo de cerca de 400 gramas de frutas e vegetais por dia previnem o cancro, significativamente», diz à NM a brasileira Juliana Geraix, doutorada em Imunologia, especialista em Nutrição Clínica Funcional, e com uma vasta experiência clínica com doentes oncológicos no Brasil.

Uma dieta saudável tem capacidades para prevenir um cancro em cada dez.

Quando já há diagnóstico de cancro, a dieta tem de ser adequada à doença, à idade, a cada patamar. Tem de ser individualizada com determinados critérios. O foco deve estar, segundo a especialista que esteve em Lisboa a dar o curso Nutrição Funcional e Oncologia, numa dieta equilibrada «em macro e micronutrientes, estimulando o consumo de alimentos e não de produtos alimentícios, uma vez que já é conhecido que aditivos químicos, gorduras trans, alguns tipos de gorduras saturadas, como ácido palmítico, bem como alimentos processados, têm um maior potencial cancerígeno.»

Reforçar a defesa imunológica também é importante e a maior parte das células imunológicas estão no trato gastrointestinal.

A microbiota deve ser tratada com muita atenção e o sistema imunológico ganha forças com uma alimentação rica em fibras e em alimentos fermentados e naturais e pobre em gorduras trans.

Alimentação na quimioterapia

Terapias como quimioterapia e radioterapia podem causar efeitos adversos. Náuseas, mucosite oral e intestinal, diarreia, constipação. Em relação à mucosite oral, a ingestão ou suplementação de zinco reduzem esse tipo de lesão oral.

«Além disso, bochecho com própolis e ingestão de geleia real também se têm mostrado eficazes», diz Juliana Geraix, que esteve em Lisboa a convite da NutriScience Education and Consulting, projeto criado por especialistas e investigadores para promover e divulgar a Nutrição Funcional em Portugal.

Em relação à diarreia e quadros de enterites, há consenso na área da nutrição e da oncologia para que seja feita uma avaliação da necessidade de restrição de lactose, sacarose, glúten e cafeína. Além de uma «dieta adequada em fibras solúveis e pobre em fibras insolúveis.»

«Ou seja, para aumentar prebióticos e fibras solúveis, pode-se incluir na alimentação banana verde e biomassa de banana verde», diz a especialista. E um chá de gengibre ajuda a não ter náuseas no dia da quimioterapia. «Enfim, para cada efeito adverso existe uma estratégia nutricional para minimizá-lo e até mesmo evitá-lo, ressaltando que a conduta deve ser individualizada.»

A Organização Mundial de Saúde estima que em 2030 exista cerca de 22 milhões de novos casos de cancro por ano e 13 milhões de mortes.

O cancro é uma célula que se multiplica rapidamente, e que muitas vezes utiliza os mesmos nutrientes do que uma célula normal usa para o seu crescimento, e os impactos variam conforme o estado da doença. A idade também pode interferir na resposta do doente, já que a quantidade de células do sistema imunológico diminui com a idade.

A imunoterapia oncológica é um grande avanço na ciência. «É um método personalizado que associa a imunoterapia à engenharia genética. Ao contrária das terapias antineoplásicas já disponíveis atualmente, cada dose é customizada para o paciente.»

No entanto, e apesar de promissora, a nova terapia pode ter efeitos adversos graves. O mais frequente é a resposta exacerbada do sistema imunológico «que poderia ser fatal em pacientes já debilitados.»

Para isso, explica, «há uma logística complexa que consiste em retirar as células de defesa do sangue do próprio indivíduo, modificá-las em laboratório, e uma vez alteradas, as células de defesa mais potentes são reintroduzidas no paciente, tornando-se capazes de reconhecer e destruir o tumor de forma mais eficaz.»

No entanto, e apesar de promissora, a nova terapia pode ter efeitos adversos graves. O mais frequente é a resposta exacerbada do sistema imunológico «que poderia ser fatal em pacientes já debilitados.»

«Porém, o desenvolvimento desse tipo de terapia, que individualiza cada tratamento, bem como tem o objetivo de estimular as próprias células do sistema imune a combater células estranhas/mutadas/danificadas, é um grande avanço na ciência.» Individualizar o tratamento, seja médico ou nutricional, tem-se revelado um caminho a seguir.

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