OPINIÃO

Eles ajudaram a criar o Facebook e o Google e agora querem destruí-los

Lideraram as maiores empresas de tecnologia e agora questionam os efeitos das redes sociais e dos smartphones, sobretudo no cérebro das crianças. Esta união nunca antes vista pode abanar os gigantes tecnológicos. Mas, afinal, o que se passa em Silicon Valley?

Eles percebem, como ninguém, como a tecnologia funciona. Estiveram lá, no centro das operações, a delinear estratégias, a definir caminhos, a criar o que está no computador e nas mãos de milhões e milhões de pessoas. Só que agora questionam tudo o que, um dia, ajudaram a erguer, e prometem contar toda a verdade. Os efeitos negativos das redes sociais e dos smartphones não lhes saem da cabeça.

Alguns chefes, executivos, gestores, e funcionários do Facebook e da Google saíram das empresas e criaram o Centro de Tecnologia Humana. O criador do botão Like do Facebook, Justin Rosenstein, está neste grupo que promete fazer pressão a nível jurídico para restringir o poder das grandes empresas tecnológicas e quer criar um site para orientar especialistas da área e ir às escolas.

O criador do Like do Facebook, Justin Rosenstein, faz parte do grupo que pode abanar dois gigantes tecnológicos.

A campanha «The Truth About Tech» («A Verdade Sobre Tecnologia») irá percorrer 55 mil escolas públicas dos Estados Unidos para alertar para os perigos da tecnologia, segundo o jornal The New York Times. Alunos, professores, pais, são o público-alvo desta campanha que será financiada pelo Common Sense Media, uma estrutura de media sem fins lucrativos.

Há aqui uma revolução em curso, uma aliança nunca antes vista, um grupo saído de Silicon Valley que pode abanar alicerces tidos como inabaláveis. «Sabemos o que as empresas medem. Sabemos como elas falam e sabemos como funciona a engenharia», disse Tristan Harris, ex-gestor de produto da Google, ao jornal norte-americano.

Harris tem alertado, em várias ocasiões, para o tempo que a tecnologia rouba, para as distrações dos sons e pop-ups, como fez como convidado de uma TEDx, em Bruxelas. «Os maiores supercomputadores do mundo estão dentro de duas empresas – Google e Facebook – e apontam para onde? Para o cérebro das pessoas, para as crianças», referiu.

O site que o grupo quer criar vai incluir informações sobre o impacto de diversas tecnologias na saúde mental e formas de tornar os produtos menos perigosos.

Segundo o jornal norte-americano, no mês passado, dois grandes investidores de Wall Street pediram à Apple que estudasse os efeitos dos seus produtos na saúde mental para limitar o uso de iPhones e iPads pelas crianças. Mais recentemente, especialistas em saúde mental e pediatria pediram ao Facebook para desativar um serviço de mensagens para crianças até aos seis anos.

Entretanto o CEO da Apple, Tim Cook, referiu ao jornal britânico The Guardian que não deixaria o seu sobrinho usar redes sociais. E um dos investidores do Facebook, Sean Parker, como adianta o The New York Times, comentou que só Deus sabe o que estas andam a fazer ao cérebro de adultos e crianças.

O Centro de Tecnologia Humana significa uma união que, até há pouco tempo, seria inimaginável. Sandy Parakilas, ex-gestor de operações do Facebook; Lynn Fox, ex-executivo de comunicações da Apple e da Google; Dave Morin, um ex-executivo do Facebook; estão neste grupo.

 

 

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