OPINIÃO

Wanderlust 108: o mais famoso triatlo mindful do mundo chega a Portugal

Chama­‑se Wanderlust 108, chega pela primeira vez a Portugal no próximo domingo e contará com 2500 pessoas a correr, fazer yoga e meditar. Depois de Londres, Milão ou Washington, Lisboa recebe um dos mais mediáticos eventos do género no mundo. E até o professor de yoga da Madonna e Sting elogia o que aí vem.

Texto Ana Pago

De pernas cruzadas em lótus como quem medita sentado, mas no ar, apoiado só nos braços em posição de urdhva kukkutasana. É nestes momentos de quietude que o mestre de yoga Danny Paradise mais se convence de que esta prática milenar nos torna senhores do nosso destino. «Um a um, os praticantes ficam fortes, reverentes diante da natureza e da vida», diz o canadiano numa entrevista por Skype, considerando estar na hora de uma mudança radical à escala planetária. E para isso contribuem eventos como este Wanderlust 108, o famoso triatlo mindful internacional, que chega pela primeira vez a Portugal a 8 de outubro, no campus da Fundação EDP em Belém, Lisboa.

O Wanderlust inclui cinco quilómetros de corrida, uma aula de yoga ao ar livre e meditação guiada. «Mesmo quem nunca fez yoga ou meditação terá uma experiência incrível», diz um dos organizadores.

«Unidos pela prática, a ideia é criar correntes renovadoras que nos permitam evoluir e sermos a semente que desperta outras consciências», explica o professor de ioga de Madonna, Sting e outras estrelas, assumindo­‑se como um guerreiro espiritual: para ele, ser capaz de contorcer o corpo só tem valor na medida em que o vigor físico lhe traz aceitação e estado de graça.

«Curarmo­‑nos requer responsabilidade pessoal e o yoga, para mim, é a ciência da respiração, da flexibilidade, da meditação, do equilíbrio.» Cada pessoa é responsável por viver em plenitude, mas com esse empoderamento individual chega a responsabilidade universal. «Yoga é usarmos continuamente a nossa força vital para ajudar a criar um mundo de harmonia e equilíbrio para as gerações vindouras.»

«Este Triatlo é uma forma leve e inclusiva de as pessoas conhecerem e até introduzirem o mindfulness nas suas vidas», diz Nuno da Silva Carvalho, responsável pela organização do Wanderlust em Portugal.

De resto, é um pouco isso que se espera que resulte deste Wanderlust («sede de viagens»), a estrear­‑se em Lisboa entre 56 cidades selecionadas para o tour internacional de 2017: que os participantes encontrem o seu norte para, juntos, apoiarem a missão em grande escala de fomentar o bem­‑estar individual e a mudança social positiva. E isto através de uma comunidade inspiradora que vai crescendo muito para lá deste triatlo único no mundo, composto por cinco quilómetros de corrida, uma aula de yoga ao ar livre e meditação guiada.

«É uma forma leve e inclusiva de as pessoas conhecerem, e até introduzirem, o mindfulness nas suas vidas», diz Nuno da Silva Carvalho, responsável pela organização do Wanderlust no país nos próximos cinco anos. «Mesmo quem nunca fez yoga ou meditação terá uma experiência incrível.»

O mestre de yoga Danny Paradise, com Sting, um dos seus discípulos.

Danny Paradise, o guru do yoga das estrelas, diz que só é preciso tomar­‑lhe o gosto. Pelo menos foi o que aconteceu com ele. Aos 65 anos num corpo de 20, anda há quarenta a dar aulas pelo mundo, aprendeu com os primeiros professores de ashtanga yoga no Ocidente, David Williams e Nancy Gilgoff, quando vivia em Maui, no Havai, em 1976. Tinha 24 anos e não sabia um terço do que sabe hoje, mas acreditava que algum misterioso poder teria, pois sentia­‑se mais enérgico e perspicaz do que nunca.

Em 1979, metódico, já Danny Paradise viajava e ensinava as sequências, fluindo com a vida sem lhe resistir. «O êxtase pode ser um acontecimento diário», garante.

«Cheguei a estudar com o próprio fundador do estilo ashtanga, Sri K. Patabbhi Jois, em duas ocasiões que ele veio ao Havai [1978 e 1980].» Em 1979, metódico, já ele viajava e ensinava as sequências, fluindo com a vida sem lhe resistir. «O êxtase pode ser um acontecimento diário», garante o eterno aluno.

Sendo ainda por cima músico e professor, não tardou a influenciar outros músicos, artistas, desportistas, designers – como a estilista Donna Karan, Luciano Pavarotti, Paul Simon ou Eddie Vedder dos Pearl Jam –, além de lamas budistas e líderes tribais. Absorveu conhecimentos de kung fu, karaté, tai chi. As palavras de Jesus, Buda, Krishnamurti e até do poeta Rumi, seu favorito.

Na Amazónia, Danny entendeu o yoga como a jornada da consciência de que falavam os antigos legados xamânicos da América do Norte e Sul, certas culturas indígenas do Pacífico, Tibete, Ásia e África e algumas tradições maias, egípcias e havaianas: «Todos estamos ligados, porque todos fazemos parte da Família Universal.»

E é justamente com um sentimento global que admitimos ter de mudar alguma coisa. «Chegámos a um ponto em que o próprio planeta nos diz estarmos a viver acima do possível», diz a instrutora de yoga Filipa Veiga, amiga de Danny Paradise desde que se conheceram em Bali em 2011 – ambos orientam retiros, aulas e workshops na ilha indonésia.

Será ela a dar parte da aula de yoga de 90 minutos no Wanderlust 108, a meias com o professor Jean­‑Pierre de Oliveira. Aos 40 anos e praticante há 13, está sempre com um pé entre Portugal, Bali e a Índia, onde vai com regularidade a Mysore aprender com o neto de Sri K. Pattabhi Jois, Sharath Jois, detentor da linhagem ashtanga.

«Ainda existe algum preconceito, mas já se começa a entender que yoga significa união entre corpo e espírito, mais do que conseguir pôr a perna atrás da cabeça», diz Filipa Veiga. Está sempre a torcer para que as pes­soas não se esqueçam de acreditar nos seus sonhos, ela que se sente tão sortuda por seguir os seus.

«Fomos criados para estudar, trabalhar, superar­‑nos em tudo, no entanto maltratamos os seres espirituais que também somos.» É uma perna que anda sempre coxa quando, na verdade, qualquer mudança começa dentro de nós, acredita. «Todos temos uma missão na vida. Felizmente, ferramentas como o yoga e a meditação fazem­‑nos fortes, flexíveis, sintonizados connosco em vez de com aquilo que nos impõem.»

E não passe pela cabeça de ninguém que isto é apenas uma coisa de freaks. «O yoga é um processo evolutivo que nos vai sempre aproximando da verdade de saber quem somos», diz Danny Paradise.

E não passe pela cabeça de ninguém supor que isto é apenas coisa de freaks que dormem ao relento ou usam roupa de likra (os tais preconceitos). Nem tão-pouco de puristas que apenas tocam em fibras naturais. «O yoga é um processo evolutivo que nos vai sempre aproximando da verdade de saber quem somos», confirma Danny Paradise.

Quanto mais se avança nessa cons­ciência, mais se percebe que o espírito essencial dentro de nós está em toda a parte. «O facto de o Wanderlust 108 chegar a Lisboa mostra que está pronta para integrar a corrente energética que nos liga, quer estejamos em Londres ou em Miami. Pronta para se elevar.»

Rute Caldeira é uma referência na meditação e será ela a conduzir a sessão deste evento.

Uma festa para os sentidos

Nascido nos EUA pela mão da Wanderlust – produtora dos maiores eventos mundiais de yoga e lifestyle desde 2009 –, o triatlo mindful Wanderlust 108 oferece o melhor de três atividades que se complementam em matéria de bem­‑estar: a corrida (ou caminhada), galvanizada pelo atleta de fundo Ricardo Ribas; o yoga, dividido entre Filipa Veiga e Jean­‑Pierre de Oliveira; e a meditação conduzida por Rute Caldeira, uma referência na matéria.

Pelo meio haverá yoga suspenso para quem quiser experimentar, aerial yoga (tecido vertical e trapézio), hotpod yoga (dentro de um insuflável aquecido e instável), yoga facial e dos pés, hoop dance (hula hoop), música ao vivo (incluindo o conceituado guitarrista do Médio Oriente Arli Liberman), palestras com especialistas em vida saudável, mercado de alimentação orgânica e produtos artesanais (o Kula Market, aberto também ao público não­‑participante).

O 108 do nome significa união (1), totalidade (0) e amor infinito (8). Depois de Londres, Milão, Washington, Detroit ou Filadélfia, alguns dos próximos destinos deste ano passam por Houston (Texas), Barcelona, Miami, Camberra, Auckland (Nova Zelândia) ou Buenos Aires.

Em 2018 serão Lisboa e Porto as cidades portuguesas a receber o Wanderlust 108. Se tudo correr bem, depois disso, existe a possibilidade de o formato de um dia passar a festival Wanderlust, como aconteceu nos EUA, com retiros e dormidas de várias noites e desafios ainda maiores para o corpo, mente e espírito. Mais informação em wanderlust.com/pt­‑pt/108s/.

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