Com tanto que une Santana e Rio. Nem um beijo?

Primeiro foi Santana que se ofereceu para tudo, estava disposto a 21 encontros. Rui Rio deu-lhe uma nega. Acontece aos melhores. É preciso não desanimar. Santana sabe-o e voltou à carga. E Rio? Voltou a fazer-se de difícil. Se é verdade que há política por detrás dos beijos, também não faltam beijos na política

Só com muita sorte o primeiro beijo é fácil. Normalmente, exige cuidados políticos na hora da combinação, cuidado na abordagem e bom senso na escolha do cenário, que se quer recatado mas não sombrio. Depois, na hora decisiva, é preciso assertividade, segurança no avanço, sempre preparado para o pior mas igualmente pronto para o melhor. Retirem-se os casos que só a química explica e os acasos que poucos percebem e facilmente se vê que a arte é complicada de dominar. Falo de beijos, mas podia estar a falar dos prometidos debates entre Rui Rio e Santana Lopes.

Já lá vão dois meses desde que Santana e Rio anunciaram a disponibilidade para ocupar o lugar que Passos Coelho irá deixar vago na liderança do PSD e nem por isso tivemos direito a um frente-a-frente. Primeiro foi Santana que se ofereceu para tudo, estava disposto a 21 encontros. Rui Rio deu-lhe uma nega. Acontece aos melhores. É preciso não desanimar. Santana sabe-o e voltou à carga – fez saber que aceita tudo, desde que seja na televisão, até quatro, um por canal. E Rio? Voltou a fazer-se de difícil – aceita dois, um na RTP outro na TVI, sem mais abébias ou alterações de planos. E se é verdade que há política por detrás dos beijos, também não faltam beijos na política.

Há quase 40 anos que Rui Veloso canta a vida por cá. Deu voz ao Chico Fininho e à Rapariguinha do Shopping, cantou-nos a história de Arménio, o trolha da Areosa, mas também algumas das mais populares baladas. Naturalmente, ao Primeiro Beijo também dedicou uma canção, cantou-a com Tito Paris e depois num disco acústico em 2003. E canta Veloso que o encontro foi combinado por bilhete e que depois do primeiro beijo até queria mais. Na história que Carlos Tê escreveu é mais o que une os protagonistas do que aquilo que os separa.

Será que acontece o mesmo entre Santana Lopes e Rui Rio? Além de anúncios deste ou aquele apoio, limitaram-se a afastar a ideia de um bloco central para chegar o governo, a trocar provocações – Santana acusou Rio de ter atacado o governo; Rio diz que Santana foi um desgoverno – e a discutir a data para os encontros. Mas se é inevitável, porquê tanta cerimónia? Suspeito que também a eles se aplique o verso de Tê e que seja «muito mais o que (n)os une/ Que aquilo que (n)os separa». Para já, o primeiro encontro está marcado para 4 de janeiro, veremos se o Prometido É Devido.

Rui Veloso
Concerto Acústico
8,29 euros (FNAC).

A minha escolha

O REGRESSO DO HOMEM TIGRE

Os primeiros segundos de Motorcycle Boy não enganam – em Misfit o assunto volta a ser rock, carregado da energia inconfundível de Legendary Tigerman. Mas há mais. Por trás, além do rock que Paulo Furtado, nome de batismo, há muito tornou dele, há uma história e até um filme. A história, assumiu o músico, é a de uma viagem solitária pelas estradas do deserto norte-americano, e no estúdio, pela primeira vez em 15 anos, até teve companhia de mais dois músicos – Paulo Segadães (bateria) e João Cabrita (saxofone). Até o local de gravação foi cuidadosamente escolhido – Rancho de La Luna, em Joshua Tree (Califórnia), por onde já passaram Queens of The Stone Age ou Arctic Monkeys. À segunda música, Furtado canta, e com muita razão, que «precisamos de uma dose de rock’n’roll». Depois embala num disco que satisfaz a necessidade e ainda promete servir de companhia para os mais variados estados de espírito. Já disponível nas plataformas de streaming, em formato físico o disco só chegará em janeiro. Nessa altura, haverá mais companhia para as melhores viagens, solitárias ou não, por estradas ao pelo deserto, mas com a ajuda de Tigerman sem falta de rock.

Legendary Tigerman
Misfit
Sony
3 estrelas
N.D