OPINIÃO

O stress altera o apetite? Sim e mais coisas

O stress aumenta a vontade de comer alimentos ricos em açúcar e gorduras. É uma das formas de o corpo reagir. Sérgio Veloso, especialista em metabolismo e obesidade, avisa que para gerir este problema é preciso abordar a causa. E não é apenas o apetite que o stress altera.

Texto de Sara Dias Oliveira | Fotografia de Shutterstock

O stress interfere no apetite e altera o metabolismo do corpo. Em primeiro lugar, é necessário perceber como é que o nosso corpo responde ao stress, seja fisiológico, seja emocional.

«A resposta biológica é em tudo semelhante de uma perspetiva hormonal e neurológica, no sentido de nos colocar em estado de alerta e prontos para responder a uma ameaça», explica Sérgio Veloso, licenciado em Biologia Celular, mestre em Biologia Humana, especialista em metabolismo, obesidade e nutrição desportiva.

O apetite por alimentos ricos em açúcar e gorduras. É uma forma do corpo responder ao stress.

Um desses mecanismos é a estimulação da produção de cortisol pelas glândulas suprarrenais que, entre as suas múltiplas ações, aumenta o apetite por alimentos ricos em açúcar e gorduras. É uma forma do corpo responder ao stress.

Os comportamentos compulsivos associados à redução da serotonina e inibição de zonas cerebrais associadas à cognição e racionalidade são outras respostas. «Sob stress verifica-se uma maior atividade do nosso sistema mesolímbico que controla essencialmente comportamentos mediados por recompensa que aumentam a vontade de ingerir alimentos altamente gratificantes, como as chamadas “confort foods“», diz o especialista.

Mas não é só o apetite que sofre alterações. O stress, sublinha, «altera também os nossos padrões de sono, afeta o nosso sistema cardiovascular, provoca alterações a nível da motilidade e sensibilidade gastrointestinal, aumenta o risco de desenvolver úlceras gástricas e gastrite pela redução da produção de muco, afeta a líbido, aumenta o risco de depressão, deteriora a função cognitiva, entre muitos outros aspetos já associados aos efeitos do stress crónico». É muita coisa.

O stress altera o sono, deteriora a função cognitiva, afeta a libido, aumenta o risco de desenvolver úlceras gástricas e gastrites.

O que podemos fazer para que o stress não interfira no nosso apetite? «É utópico pensar que podemos gerir o problema sem abordar a causa. É essencial implementar estratégias para reduzir e gerir melhor o stress, evitando comportamentos que possam amplificá-lo ainda mais», responde Sérgio Veloso.

Há, portanto, cuidados a ter. O especialista em metabolismo aconselha uma boa higiene de sono, refeições regulares e que permitam uma estabilização dos níveis de açúcar, a não esquecer a hidratação, a fazer exercício físico. Reduzir o consumo de estimulantes, como a cafeína e tabaco, ou despistar eventuais lacunas e défices nutricionais da dieta que necessitem de reposição são igualmente comportamentos a adotar para que o stress não estrague o apetite. E não dê cabo do corpo.

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