As primeiras tropas portuguesas que lutaram na Europa partiram há cem anos.
As primeiras tropas do Corpo Expedicionário Português partiram de Alcântara para a Flandres a 30 de janeiro de 1917. Carregue nas setas para ver as imagens seguintes.
Ao todo, cerca de 55 mil militares portugueses foram enviados para a frente de guerra em 1917, para combater o exército alemão.
O Presidente da República, Bernardino Machado, visitou as tropas antes do embarque. Afonso Costa, à época ministro das finanças, o general Fernando Tamagnini, o major Mimoso Guerra, o general Gomes da Costa e o major general da armada Álvaro Ferreira estavam também presentes. Gomes da Costa, que comandou o CEP, será um dos golpistas do 28 de maio de 1926, data em que termina a Primeira República e é afastado Bernardino Machado, então pela segunda vez chefe do Estado.
Um comboio chega a Alcântara com militares que iriam embarcar para França, em 1917.
Praças de infantaria oriundos de Leiria e Portalegre num rebocador que os levará para um dos vapores britânicos que zarpou de Lisboa a 30 de janeiro de 1917.
Numa estação de caminho-de-ferro do norte do país, um soldado despede-se antes de embarcar num comboio a caminho de Lisboa, de onde zarparia para França.
A 23 de fevereiro de 1916, Portugal apreende navios de guerra alemães e austríacos em portos nacionais (nas imagens, o vapor Enérgie). Resultado: a 9 de março,
a Alemanha declara guerra a Portugal. É a entrada oficial de Portugal na Primeira Guerra Mundial.
A 23 de fevereiro de 1916, Portugal apreende navios de guerra alemães e austríacos em portos nacionais (nas imagens, o vapor Enérgie). Resultado: a 9 de março,
a Alemanha declara guerra a Portugal. É a entrada oficial de Portugal na Primeira Guerra Mundial.
Antes do embarque para França, em janeiro de 1917, já tinha havido combates em solo africano. Em setembro do ano anterior, tropas portuguesas atravessam o rio Rovuma, em Moçambique, entrando em território ocupado por alemães.
Exercícios com torpedos a bordo do submarino Espadarte em junho de 1916. Este foi o primeiro submarino a entrar ao serviço da marinha portuguesa, em abril de 1913. Durante a Primeira Guerra Mundial, formou, juntamente com o Foca, a primeira esquadrilha de submarinos da armada.
Durante meses, as tropas portuguesas treinaram em Tancos.
Da zona de trincheiras fazia parte uma primeira linha de vigilância e combate. A frente era reforçada por grupos de atiradores, granadeiros
e metralhadoras ligeiras.
Distribuição do rancho nas trincheiras portuguesas na Flandres, em setembro de 1917.
O batalhão de Infantaria 29 embarca para Moçambique no cais da Areia, em Lisboa, em 1917, a bordo do paquete Portugal.
Ao todo, cerca de 55 mil militares portugueses foram enviados para a frente de guerra em 1917, para combater o exército alemão. Segundo os números divulgados pela historiadora Isabel Pestana Marques no livro Das Trincheiras, com Saudade [ed. A Esfera dos Livros], morreram 2288 homens durante toda a campanha militar (1917-1919) – na batalha de La Lys, a 9 de abril de 1918, as baixas portuguesas contabilizaram-se entre prisioneiros (6315 praças e 270 oficiais) e mortos em combate (369 praças e 29 oficiais).
Cem anos depois, veja aqui as imagens das primeiras tropas portuguesas que entraram na Primeira Guerra Mundial. A 30 de janeiro de 1917, três navios britânicos zarpavam de Lisboa. O Corpo Expedicionário Português partia finalmente para a frente de guerra.
Em março do ano anterior Portugal declarara guerra à Alemanha [ver imagens em cima]. Antes disso já tinha havido combates na fronteira sul de Angola e no extremo norte de Moçambique. Mas só a 30 de janeiro de 1917 é que o país finalmente se envolveu no teatro de guerra europeu, enviando a primeira brigada do Corpo Expedicionário Português (CEP) para França. A partida de Lisboa, em três navios britânicos, foi antecedida por uma visita às tropas pelo presidente da república, Bernardino Machado, que ouviu de um dos oficiais o compromisso de luta pela honra de Portugal. Curiosamente, a liderar o CEP estava Gomes da Costa, general que ganhará prestígio em França e que será um dos golpistas do 28 de maio de 1926, data em que termina a Primeira República e é afastado Bernardino Machado, então pela segunda vez chefe do Estado. Destinado a obter o reconhecimento internacional da jovem república, então uma das únicas quatro da Europa, e a garantir a posse futura das colónias africanas, o envio do CEP dividiu a classe política. As simpatias gerais eram pela Entente Cordiale mesmo que houvesse germanófilos como o futuro presidente Sidónio País, mas as reticências sobre a participação no conflito tiveram sobretudo que ver com a falta de preparação das tropas enviadas para a frente de batalha. Mesmo assim, a mortandade em La Lys, em abril de 1918, teve que ver com a superioridade numérica dos atacantes alemães. A Primeira Guerra Mundial acabou em novembro de 1918 e Portugal conseguiu manter Angola e Moçambique, salvas da ameaça alemã e da cobiça britânica.