OPINIÃO

1991: ModaLisboa, ano 1. E nada seria como dantes a partir dali

A 18 de abril de 1991, a ModaLisboa arrancava rumo ao que viria a ser um dos projetos mais ambiciosos e bem-sucedidos da moda portuguesa. Houve brilho, muita ousadia, glamour. Na sala do São Luiz Teatro Municipal, em Lisboa, mais de quarenta jornalistas estrangeiros apontavam todos os pormenores.

Texto de Ana Pago | Fotografias do Arquivo DN

Evento de moda que se preze é atrevido e, claro, esta primeira edição da ModaLisboa não deixou os seus créditos por mãos alheias. «No hall do Teatro São Luiz começaram por aparecer os que pareciam ser os aspirantes a estilistas ou modelos. Eram os mais extravagantes», conta o Diário de Notícias de 19 de abril, impressionado com a estreia da véspera na capital. Nunca antes o país vira uma festa de três dias como aquela, sensual e tão fora da caixa. O duplo objetivo com que foi criada (após uma espécie de ensaio no ano anterior) era ainda mais de louvar: não só divulgar as criações nacionais como colocar Lisboa – sobretudo isso – no calendário da moda internacional.

Houve cabelos repletos de gel, originais, e roupas difíceis de fixar para quem lida diariamente com vestuário simples.

«Houve cabelos repletos de gel com formatos originais e roupas cujos cortes são difíceis de fixar para quem lida diariamente com vestuário simples», sublinhava o repórter do DN, deliciado com os pormenores. «As conversas tinham a ver com viagens, nomes da alta-costura internacional que muitos pareciam conhecer como as palmas das mãos.» Pelo caminho, uma Guerra do Golfo terminada em março de 1991 ainda fez os envolvidos questionarem-se sobre se valeria a pena insistirem nesta ModaLisboa numa altura em que os desfiles, em Paris, tinham caído para metade. Concluíram que sim. Esta era outra guerra a travar, tanto mais que contavam com a presença de Ana Salazar, então já conhecida lá fora.

O evento parecia já ser um sucesso da moda.

Dela vieram as propostas de gabardinas de plástico e maillots em tons de preto, rosa, violeta, verde cósmico, ocre e umas pinceladas de pastel, a simplicidade funcional aliada ao respeito pela lógica dos materiais. Como ela, também Eduarda Abbondanza era constantemente interrompida por técnicos e estilistas que se abeiravam. «Quanto mais não fosse para a felicitar do que parecia já ser um sucesso da moda.»

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