OPINIÃO

Mário Augusto: Desenhar o Natal, um postal de cada vez

Conhecemo-lo da televisão pelos programas de cinema e entrevistas que, ao longo de trinta anos, fez a tanta gente da sétima arte, entre realizadores e estrelas de Hollywood – atualmente apresenta na RTP2 o Janela Indiscreta. Mas há uma outra coisa que Mário Augusto faz bem mas é menos conhecida: desenhar.

Texto Marcelo Teixeira Fotografia Rui Oliveira/Global Imagens

Gosta particularmente de criar postais de Natal personalizados, alguns dos quais envia depois para a família e amigos. O talento vem de família: o pai, desenhador nos tempos livres, passou o testemunho a Mário e a coisa foi crescendo.

Na adolescência, nesta época, «enviava postais aos amigos, duplicados a traço preto e depois pintados à mão». Com o passar dos anos, a falta de tempo e a perda dessa tradição, numa época de e-mails e mensagens eletrónicas, arrumou os lápis e começou a guardar os desenhos «num caixote de recordações».

Tem reunido ao longo dos anos uma coleção considerável. O jornalista de Esposende é «um fascinado» pela época e pelas recordações de infância que esta lhe traz. Os postais talvez sejam uma forma de mergulhar num «Natal mais autêntico», sem a «necessidade de ter a eletricidade ou internet para se abrir os presentes».

Tem saudades «de cantar as janeiras, de receber o brinquedo tão especial e do xaile da avó Margarida». A nostalgia é, aliás, uma das suas caraterísticas. Prova disso são os dois livros editados justamente sobre isso: outros tempos.

A Sebenta do Tempo e Caderno Diário da Memória, recentemente lançado, são páginas com marcas de tudo o que lhe passou pelas mãos na infância e adolescência – a de todos quantos cresceram em Portugal nas décadas de 1960 e 70, do galo meteorologista aos Kalkitos, do Snoopy ao Tintim, viajando pela escrita de Mark Twain e as aventuras de Tom Sawyer.