OPINIÃO

Marilyn Monroe: atriz, produtora, party-girl e babysitter, em fotos

Houve um dia em que Marilyn se fartou de ser apenas uma loira bombástica, abandonou um contrato em Hollywood e partiu para Leste para produzir os seus próprios filmes. Milton H. Greene, um dos mais notáveis fotógrafos da década, recebeu-a em casa e registou todo o esplendor da sua humanidade. Retratos que chegam a Cascais no próximo dia 25 – e alguns mostramos-lhe agora em exclusivo.

Texto de Ricardo J. Rodrigues | Fotografias de Milton H. Greene

«Um dia ela apanhou-me aos saltos na cama dela e vingou-se de mim com um ataque de cócegas», conta por telefone Joshua Greene, que agora tem 63 anos, mas quando Marilyn Monroe foi morar para sua casa tinha apenas dois. «Tenho poucas memórias dela, mas lembro-me que, quando os meus pais queriam ir ao cinema ou ao teatro, ela tomava conta de mim.»

Não é toda a gente que se pode orgulhar de ter tido uma das maiores estrelas de cinema de todos os tempos como babysitter. Marilyn viveu naquela casa entre o outono de 1953 e a primavera de 1957. E foi nesse período que Milton H. Greene, pai de Joshua e um dos mais reconhecidos fotógrafos de celebridades de todos os tempos, fotografou Marilyn como o mundo nunca a tinha visto. Algumas dessas imagens, e muitas são inéditas, estarão a partir de 25 de outubro em exposição no CascaiShopping.

Os dois tinham-se conhecido precisamente em 1953, numa sessão fotográfica para a revista Look e ficaram amigos. Marilyn era já um nome forte da Sétima Arte, tinha participado numa série de sucessos e atingira o estatuto de estrela nesse ano com três papéis que perpetuavam a imagem da loira burra e sexy: Niagara, Os Homens Preferem as Loiras e Como Casar com um Milionário.

Durante a sessão fotográfica confessou a Greene que estava cansada do contrato com a 20th Century Fox. Não só se sentia mal paga como o estúdio estava a amarrá-la a uma imagem pouco inteligente. Milton disse-lhe que ela devia mudar-se durante uma temporada para a Costa Leste. E miss Monroe aceitou o repto.

Apesar de ter fotografado muitas outras estrelas, como Elizabeth Taylor, Frank Sinatra ou Audrey Hepburn, foi graças a Marilyn que Milton H. Greene se tornou num figura dianteira da fotografia.

Inscreveu-se na escola de representação de Lee Strasberg (que anos mais tarde seria convertido em Actor’s Studio) em Nova Iorque e começou a passar grandes temporadas em casa dos Greene no Conneticut. O fotógrafo tinha transformado um antigo celeiro num habitáculo luxuoso onde Marilyn tinha sempre quarto guardado. Aparecia muitas vezes, quase sempre sozinha.

Pelo meio dessas temporadas casou-se e divorciou-se de Joe DiMaggio, jogador de basebol dos New York Yankees, (1954-55) e casou com o dramaturgo Arthur Miller (1956), mas a casa dos Greene era o refúgio das tempestades e crises. E, no meio de tudo isso, Milton H. Greene fotografava-a.

Fez na verdade mais de 53 sessões com a estrela de Hollywood que agora parecia odiar Hollywood. Mas Marilyn continuava a adorar o glamour da vida exuberante e participava em muitas festas em casa dos Greene, onde Milton vivia com a mulher Amy e o bebé Joshua. «Lembro-me que todas as quartas e sábados à noite havia grandes jantaradas, onde comparecia gente famosa e muito interessante, com grande sentido de humor. Era um ambiente muito europeu», diz agora Joshua.

Apesar de ter fotografado outras estrelas, como Elizabeth Taylor, Frank Sinatra, Audrey Hepburn, Grace Kelly, Ava Gardner, Sammy Davis, Jr, Catherine Deneuve, Marlene Dietrich e Judy Garland, foi graças a Marilyn que Milton H. Greene se tornou num figura dianteira da fotografia. Ainda mais quando ambos decidiram unir-se para formar uma produtora – a Marilyn Monroe Productions, que se empenhou em duas rodagens com a atriz como protagonista – Bus Stop e The Prince and the Showgirl. Este último revelar-se-ia um fiasco e poria termo à amizade entre ambos, em 1957.

Joshua Greene lembra-se bem do dia em que Marilyn morreu. «Estava num campo de férias e vi a notícia na televisão. Passado pouco tempo os meus pais ligaram-me desconsoladíssimos.» Um mês antes de se intoxicar com barbitúricos, Amy Greene, mulher de Milton, tinha sonhado com ela e pressentira que ela não estava bem. «Então o meu pai ligou-lhe, passaram hora e meia ao telefone, combinaram um encontro que já não aconteceu.»

A vida seguiu, as fotografias ficaram e Marilyn, através delas, eternizou um certo sorriso. «Eu vejo-a quando Elton John canta Candles In The Wind, ou Madonna interpreta Like a Virgin, ou no batôn vermelho da Taylor Swift ou num certo ar fatal de Christina Aguilera. Aquela maneira como Marilyn conseguia olhar para uma câmara, a sua pose, o seu comportamento, é reintroduzido geração após geração», diz Joshua Greene. «Mas não tenhamos dúvidas – ela foi o produto original.»

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