OPINIÃO

Luís Norton de Matos: «arrependo-me de não ter ido jogar para o Benfica»

«Há pessoas que nasceram para empobrecer a vida dos outros e sugar a nossa energia. Não deixo que entrem na minha vida»

Texto de Alexandra Tavares-Teles

Atreve-se, desde sempre, ao risco e à paixão. Por isso quis ser jogador de futebol ainda não tinha 17 anos, por isso escreveu um livro (A Noite em que Vinguei), participou num filme (Voltar, de Joaquim Leitão), criou uma revista (Foot), fundou um clube em África (Étoile Lusitana), teve um programa de rádio (Ruídos de Inveja), foi comentador de televisão e cronista desportivo em vários jornais.

Por isso, diz, «casei 3 vezes, a última das quais em Bora-Bora com a minha atual mulher», vai para cima de 25 anos, por isso está agora na Índia, em missão quase impossível: conseguir resultados no Campeonato do Mundo de Sub 17 com a seleção indiana, que é também a anfitriã do torneio (outubro de 2017).

O futebol é, naturalmente, o desporto mais «apaixonante» do planeta. Do Padre Alberto, treinador de futebol de salão no colégio jesuíta São João de Brito, Luís Maria Cabral Norton de Matos, nascido em Santos-o-Velho, Lisboa, em 1953, ouviu um conselho de vida: «Se queres ser jogador de futebol, se queres mesmo, vai, procura a tua felicidade».

Vivia-se o início dos anos 1970, a sociedade não via com bons olhos o «jogador da bola», destino impróprio, sobretudo para um menino «queque», aluno de um colégio privado com pergaminhos. O pai, porém, entendeu e, mais, apoiou.

Ganhou cedo a «consciência de que a vida passa demasiado depressa». Guarda, então, apenas o que é importante – «amor e afetos».

No futebol fez de tudo, apaixonado: de espetador passou a jogador (avançado), de jogador a treinador e, mais tarde, a diretor desportivo. «Aprendi e cultivei uma disciplina de vida sã, a pontualidade, a competitividade, o fair play. Aprendi a conhecer pessoas de origens e etnias diferentes, muitas delas extraordinárias, fiz amizades que se perpetuaram».

Uma queixa – «a evolução da sociedade tornou este maravilhoso desporto numa orgia de poderes» -, e um «grande» arrependimento: «Em 1982 não aceitei o convite para jogar no Benfica por querer cumprir um compromisso verbal anteriormente assumido. O futuro provou ter sido um enorme erro».

Ganhou cedo a «consciência de que a vida passa demasiado depressa». Guarda, então, apenas o que é importante – «amor e afetos». O resto, pessoas «que nasceram para empobrecer a vida dos outros e sugar a nossa energia», fica à porta. «Não deixo que entrem na minha vida».

Uma vida em números

7-10-16-17 – Trevo
Números que marcam o nascimento dos filhos ( Luís, de 42 anos, Bárbara, de 38, Carolina, de 28, e Maria, de 19). Números da sorte.

2 – Amores
Foi num dia dois que conheceu Joana, a mulher que o acompanha há 25 anos.

50 – Rotas
Meia centena de viagens pelo mundo

8-9-1-2 – Carreira
Número de clubes/ projetos diferentes por onde passou: 8 ( jogador), 9 ( treinador) 1( diretor desportivo) 2 (seleções)

200 + Partidas
Não tem número certo contabilizado mas sabe que foram mais de 200 jogos como jogador. Venceu mais de 50 por cento.