José, o persistente

Tem 43 anos, é economista, gosta de ler, de jogar xadrez e de viajar. É madeirense, tem duas filhas e conhece o significado de partilha, de solidariedade e de disponibilidade para ajudar os outros.

Texto de Cláudia Pinto

José Luís Medeiros Gaspar gosta de ser chamado pelos sobrenomes. Sobejamente conhecido pelos madeirenses, Medeiros Gaspar não desiste à primeira porta que se feche. Pelo contrário, procura desenvolver projetos em benefício de outros, criar parcerias com municípios, juntas de freguesia e associações da ilha, e dá a cara por uma equipa que divide os seus dias em prol de quem mais necessita.

Considera que o que faz a diferença é «a persistência e congregar boas vontades». É presidente da direção da Associação de Desenvolvimento da Costa Norte da Madeira desde dezembro de 2012, mas a sua filiação enquanto associado remonta ao final dos anos 1990. Passa parte dos dias a «desbloquear situações». Toda a equipa está empenhada em «concretizar, manter e melhorar os projetos da Adenorma bem como desenvolver novos». Vontade não falta e iniciativa também não.

Em 2010, a IPSS fez uma proposta de parceria com a autarquia de São Vicente, com o objetivo de realizar «um estudo de caraterização da população idosa do concelho, ou seja, as pessoas com mais de 65 anos».

A ligação afetiva a São Vicente, de onde é originária a sua família materna, foi decisiva aquando do convite para participar nesta instituição particular de solidariedade social (IPSS), que tem sede no município. «Esta associação começou por desenvolver a sua atividade essencialmente na luta contra a pobreza em parceria com a Segurança Social, mas foi também desenvolvendo ações aos mais variados níveis», explica.

Em 2010, a IPSS fez uma proposta de parceria com a autarquia de São Vicente, com o objetivo de realizar «um estudo de caraterização da população idosa do concelho, ou seja, as pessoas com mais de 65 anos». A avaliação permitiu perceber como viviam essas pessoas e que tipo de necessidades tinham, não só a nível físico, mas também no que respeita a equipamentos técnicos, que poderiam melhorar significativamente a sua qualidade de vida, como por exemplo cadeiras de rodas e camas articuladas.

«A Adenorma tem à sua responsabilidade três centros de dia, fruto de uma parceria desenvolvida com a Segurança Social. Dois destes centros estão em funcionamento e o terceiro – situado num local remoto em Boaventura / Lombo do Urzal – mantém-se com recursos próprios e com a colaboração de algumas empresas através da sua vertente de responsabilidade social», refere Medeiros Gaspar.

Para manter a continuidade dos vários projetos, a associação candidata-se com frequência a donativos, prémios e programas, que permitem manter a prestação de cuidados e apoios a quem necessita. Reconhecendo que «o envelhecimento é uma realidade com a qual todos têm de lidar», considera que não faz sentido «replicar iniciativas», concordando que vários projetos e entidades podem e devem trabalhar em parceria. «Sinto uma grande satisfação pessoal ao conseguir concretizar os projetos que promovemos e ao vê-los acontecer», salienta.

A Adenorma está a poucos dias de abrir um gabinete de apoio ao idoso em São Vicente. A obra, que consistiu na reconstrução de uma escola inativa, está concluída. «Candidatámo-nos a um fundo comunitário que pagou 80 por cento do valor total das obras e ao Prémio BPI Seniores, que vencemos no ano de 2013 e cujo donativo foi usado para pagar os remanescentes 20 por cento que teriam de ser suportados com recursos próprios da nossa instituição.

O projeto beneficiará 1400 idosos, que moram nos municípios de São Vicente e de Porto Moniz, e responderá a carências prementes de qualidade de vida diária.

Este será um local onde as pessoas ou os seus familiares poderão dirigir-se para que, posteriormente, um técnico da associação possa deslocar-se a suas casas e avaliar o tipo de ajuda a ser concedido», diz-nos o presidente. Do espaço destaca-se a sala polivalente, onde podem desenvolver-se atividades regulares que vão desde a estimulação cognitiva até à prática de exercício físico adaptado a idosos bem como outros serviços.

O projeto beneficiará 1400 idosos, que moram nos municípios de São Vicente e de Porto Moniz, e responderá a carências prementes de qualidade de vida diária. Outra componente desenvolvida graças ao Prémio BPI Seniores é a continuação do projeto Banco de Ajudas Técnicas, alargado entretanto ao Município de Porto Moniz, onde também foi realizado um estudo de avaliação de idosos, à semelhança do que aconteceu em São Vicente, cujos resultados finais serão apresentados no próximo mês de maio. Da economia à solidariedade social foi um pequeno passo.

Apesar das burocracias que enfrenta e de os recursos serem cada vez menores, Medeiros Gaspar assume que é o trabalho sério e de grande responsabilidade desenvolvido que permite avançar. «Assim vamos percorrendo o nosso caminho.» Com mais ou menos atalhos, maiores ou menores dificuldades, a vida dos idosos da região norte da Madeira encontra assim novas saídas e menos labirintos. A vida ganha novos tons e a esperança renova-se.

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