Huntington: descoberto medicamento que pode travar a doença

Medicamento injetado no líquido da coluna vertebral baixou os níveis de proteínas tóxicas no cérebro de doentes de Huntington. Em Londres, foi dado um passo importante para retardar ou prevenir esta doença neuro-degenerativa. Em Portugal, há entre 800 a 1200 doentes.

Texto de Sara Dias Oliveira | Fotografia de Shutterstock

A doença de Huntington é genética e, neste momento, não tem cura. Trata-se de um distúrbio neurológico hereditário que causa movimentos corporais involuntários e anormais, falta de coordenação, e afeta ainda capacidades cognitivas e emocionais.

O gene desta doença degenerativa foi descoberto há cerca de 20 anos e agora um grupo de investigadores testou, em Londres, um medicamento que poderá retardá-la ou preveni-la. Já se fala no maior avanço científico na área das doenças neurodegenerativas dos últimos 50 anos. Em Portugal, estima-se que existam entre 800 a 1200 doentes de Huntington.

O medicamento experimental é injetado no líquido que banha a medula espinhal e o cérebro e os resultados dos ensaios clínicos têm sido positivos.

O medicamento experimental é injetado no líquido que banha a medula espinhal e o cérebro e os resultados dos testes realizados por uma equipa do University College de Londres (UCL) são bastantes animadores.

Segundo a BBC, que revela a notícia, os níveis de proteínas tóxicas no cérebro baixam com segurança. Os ensaios foram feitos em 46 pacientes no Centro de Neurologia Experimental Leonard Wolfson no Hospital Nacional de Neurologia e Neurocirurgia em Londres.

«Pela primeira vez, temos esperança numa terapia que, um dia, poderá retardar ou prevenir a doença de Huntington», referiu à BBC Sarah Tabrizi, investigadora e diretora do Huntington’s Disease Center do UCL.

E John Hardy, premiado pelo seu trabalho na doença de Alzheimer, sublinhou a importância da descoberta, também em declarações à BBC. «Eu acho que de facto é, potencialmente, o maior avanço nas doenças neurodegenerativas nos últimos 50 anos.»

Os doentes perdem força muscular, perdem progressivamente a memória, têm problemas na fala, na mastigação e deglutição.

Há, porém, alguma cautela à volta desta terapêutica ainda em fase de testes. Os médicos recusam falar numa cura para a doença até porque são necessários mais dados para consolidar essa redução dos níveis de proteínas tóxicas no cérebro.

Mas a verdade é que esta nova abordagem abre uma porta para que eventualmente possa ser aplicada em outras doenças neurodegenerativas que funcionem da mesma maneira, ou seja, em que exista morte de células no cérebro. A licença do medicamento já foi vendida e todos os detalhes deste ensaio clínico serão divulgados e publicados no próximo ano.

Os doentes de Huntington perdem força muscular, perdem progressivamente a memória, têm problemas na fala, na mastigação e deglutição. O cérebro é afetado e a evolução costuma ser lenta. Há doentes que descrevem a doença como um mal que reúne Parkinson e Alzheimer numa única maleita.

A doença afeta pessoas no seu auge de vida ativa, aos 30 e 40 anos, e os pacientes morrem entre 10 a 20 anos depois do início dos sintomas.

As células cerebrais não param de morrer, o que explica o declínio dos pacientes. A mobilidade, o comportamento, a memória, a concentração, as rotinas diárias, a vida profissional, alteram-se profundamente.

A doença afeta pessoas no seu auge de vida ativa, aos 30 e 40 anos, e os pacientes morrem entre 10 a 20 anos depois do início dos sintomas. Tudo culpa de um erro numa secção de ADN, ou seja, um erro genético corrompe uma proteína vital para o desenvolvimento do cérebro, tornando-se um assassino de células cerebrais.

Peter Allen, de 51 anos, que está numa fase inicial da doença e que participou nos testes contou à BBC que o fim é terrível. «Termina-se num estado vegetativo, é um fim horrível», referiu. O dia anterior é sempre melhor do que o seguinte.

 

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