OPINIÃO

Petroleiros em Leixões: o presidente do regime a cortar mais uma fita

Passados 48 anos desde a abertura daquela que ficaria conhecida como a «refinaria do governo», relembramos o dia em que a SACOR de Matosinhos abriu portas com direito a visita do Presidente da República.

Texto Ana Patrícia Cardoso/ Fotografia Arquivo JN

«Um dia de particular importância para a vida da SACOR». Arrancava assim o texto do Jornal de Notícias de 9 de outubro e o motivo não era para menos. O presidente Américo Tomás marcava presença na inauguração do terminal marítimo para petroleiros em Leixões.
Da comitiva que o acompanhou faziam parte, entre outros, o almirante Pereira Crespo, o ministro da Marinha, Fernando de Oliveira, ministro das Comunicações, ou Porto Duarte, subdiretor da PIDE.

Antes de Matosinhos, a SACOR já se tinha instalado em Cabo Ruivo, Lisboa, onde abriu portas – e chaminés – em 1937, após uma tentativa falhada anos antes quando Salazar quis impor ao grupo de engenheiros romenos, liderado por Martin Sain, que se batizassem antes de abrirem o negócio em Portugal.

Recusaram a exigência e fugiram para França mas o governo português voltaria atrás com as exigências e nascia assim a primeira petrolifera no país, nacionalizada após o 25 de abril e que pertence atualmente ao grupo Galp. À data da inauguração, tinham sido tratados cerca de 50.000 toneladas de petróleo bruto na refinaria da Sacor.

Conhecido como o «presidente das inaugurações», o «corta-fitas», Américo Tomás, foi recebido com pompa e circunstância. Segundo o JN «no final foi servido um aperitivo que proporcionou aos membros do Governo e aos principais dirigentes da Sacor assinaláveis momentos de convívio e prolongada troca de impressões.»

Números

Atualmente, a SACOR MARÍTIMA S.A. possui uma capacidade de armazenagem da ordem de 1.780.000 m³, dos quais cerca de 649.000 m³ são para ramas de petróleo.

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