OPINIÃO

Cancro do pâncreas: quem e como ataca o mais fatal dos cancros

É um dos cancros com menor taxa de sobrevivência e o diagnóstico precoce faz toda a diferença. Atenção aos doentes de risco: diabéticos, obesos, fumadores, alcoólicos, e com histórico familiar. 16 de novembro é o Dia Mundial do Cancro do Pâncreas.

Texto de Sara Dias Oliveira | Fotografia Shutterstock

O pâncreas é uma glândula no abdómen que se situa atrás do estômago e na frente da coluna vertebral e tem duas funções principais: digestão e regulação do açúcar no sangue. O cancro do pâncreas começa quando as células dessa glândula ficam fora de controlo e formam um tumor.

Por vezes, os sintomas são vagos, subestimados, associados a outros problemas menos graves e mais comuns, o que pode atrasar o diagnóstico deste cancro que tem uma taxa de sobrevivência bastante baixa entre as doenças oncológicas mais graves – que é inferior a 10% no primeiro ano. É um cancro silencioso e agressivo e que está a aumentar em Portugal. Todos os anos há 1400 novos casos detetados no nosso país. 16 de novembro é Dia Mundial do Cancro do Pâncreas.

Sinais de alerta:

  • Dor abdominal
  • Perda de peso sem explicação
  • Icterícia
  • Náuseas
  • Perda de apetite
  • Problemas digestivos

E há pessoas em certas condições de saúde que devem estar muito atentas: quem tem diabetes, quem tem excesso de peso, quem fuma, quem bebe demasiado, quem tem mais de 50 anos, quem tem um histórico familiar. São doentes de risco e que têm de estar em alerta máximo.

«Quando alguém recebe um diagnóstico de tumor maligno, o medo é comum. Quando o órgão afetado é o pâncreas, o medo transforma-se em pânico», diz Vítor Neves.

«Quando alguém recebe o diagnóstico de que tem um tumor maligno, o medo e a “escuridão” são os sentimentos imediatos. Quando o órgão afetado é o pâncreas, o medo transforma-se em pânico», refere Vítor Neves, presidente da Europacolon Portugal – Apoio ao Doente com Cancro Digestivo, e membro da Europacolon Internacional.

Como se trata de uma doença que, por vezes, passa despercebida, o diagnóstico é feito quando o tumor já tem metáteses que afetam outros órgãos do corpo. «A terapêutica está pouco avançada e ainda não há tratamentos eficazes que curem os portadores desta doença, mas permitem o aumento da sua sobrevida e diminuição da sintomatologia», diz o responsável. «Normalmente o diagnóstico aparece sempre tardiamente. A cirurgia é o método terapêutico mais eficaz no controlo desta doença, mas só tem sido possível aplicar a cerca de 20% dos doentes», acrescenta.

Noventa por cento dos casos pancreáticos são detetados em pessoas com 55 ou mais anos. Um em cada oito casos está ligado à obesidade.

O diagnóstico precoce e a prevenção são fundamentais. Segundo Vítor Neves, os médicos de família devem aumentar a sensibilização junto de doentes de risco e que demonstrem sintomatologias como perda inexplicável de peso, dores abdominais, pele e olhos amarelos, depressão, náuseas, para que façam exames complementares para o despiste da doença.

É importante, na sua perspetiva, «promovermos o aumento da literacia em saúde da população portuguesa relativamente a mudanças comportamentais e ambientais que aumentarão os níveis de prevenção das doenças oncológicas de forma transversal».

Estima-se que em 2020, o cancro do pâncreas seja a quarta doença oncológica mais incidente do mundo.

Todos os dias, mais de mil pessoas em todo o mundo são diagnosticadas com cancro do pâncreas. Na Europa, é o sétimo mais frequente, 12 homens e oito mulheres, em cada 100 mil pessoas, são diagnosticados anualmente. Estima-se que em 2020, seja a quarta doença oncológica mais incidente do mundo.

«Entendemos que é importante uma mudança de mentalidade de todos os agentes na área de saúde. Muitas vezes, a rentabilidade e eficácia pouco têm a ver com a quantidade de meios financeiros aplicados nas ações», avisa o presidente da Europacolon Portugal.

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