OPINIÃO

Cancro da mama avançado: como lidar com esta doença incurável

É uma doença dura. Um estudo mundial, liderado por uma médica portuguesa, alerta para este problema e sugere outras abordagens. Estes doentes não podem sentir-se isolados, abandonados, esquecidos.

Texto de Sara Dias Oliveira | Fotografia de Shutterstock

O cancro da mama metastático é uma forma agressiva de cancro que se espalha para outros órgãos – pulmões, fígado, ossos -, que é tratável mas incurável.

Um estudo mundial vem revelar as expetativas e necessidades dos doentes com este tipo de cancro, que querem ser ouvidos na tomada de decisões. Eles têm dúvidas e incertezas. E, por vezes, sentem-se isolados e esquecidos.

Quarenta e quatro por cento dos doentes com cancro da mama avançado não dizem aos profissionais de saúde quais os objetivos terapêuticos que ambicionam. Esta é uma das conclusões do relatório The Global Status of Advanced/Metastatic Breast Cancer 2005 – 2015, em que pela primeira vez foi feita uma avaliação global desta doença em todo o mundo, com exceção dos Estados Unidos que já têm pesquisas sobre o assunto.

48% a 76% dos doentes e da população acreditam que o cancro metastásico tem cura e apenas 43% dos médicos foram formados para ter conversas difíceis com os pacientes.

Há mais resultados: 48% a 76% dos doentes e da população acreditam que esse tipo de cancro tem cura e apenas 43% dos médicos foram formados para ter conversas difíceis com os pacientes.

«É uma doença tratável mas é, infelizmente, incurável com uma sobrevida média, quando há metástases, de cerca de três anos», diz à NM Fátima Cardoso, investigadora responsável por este relatório internacional, médica e coordenadora da Unidade de Mama do Centro Clínico da Fundação Champalimaud. «É uma situação difícil e, muitas vezes, desconhecida», acrescenta.

Os doentes têm medo da morte, preocupam-se com o impacto da doença na família, com a dor e sofrimento, com a incapacidade de realizar atividades diárias, com os efeitos colaterais do tratamento, com a perda do emprego. Continuar a trabalhar pode ajudar nestes casos.

Flexibilidade no trabalho e nos horários, ajudaria os doentes a manter a atividade profissional, mas isso não é prática comum na maioria dos países.

«Grande parte dos doentes não consegue manter a sua atividade profissional, o que tem consequências financeiras, mas também psicológicas», diz a médica. Flexibilidade no trabalho, flexibilidade nos horários, ajudaria, mas isso não é prática comum na maioria dos países.

Os doentes sentem-se isolados, abandonados, como se tivessem de viver esta doença sozinhos. Apesar de tudo, têm expetativas, necessidades. Querem um acompanhamento contínuo, ser parte ativa no momento das decisões sobre tratamentos. Querem ter informação sobre a progressão e possibilidade de sobreviver à doença para que se sintam mais apoiados neste processo.

As notícias não são animadoras. Nos últimos anos, não se evoluiu muito em termos científicos e a qualidade de vida dos doentes estagnou. O estudo internacional revela que há espaço para melhorar as respostas às necessidades de cuidado e apoio aos doentes em relação à informação, comunicação, tomadas de decisão, qualidade de vida, cuidados de suporte e cuidados de fim de vida.

É fundamental mais informação sobre esta forma de cancro para que os doentes saibam quais as melhores práticas e tratamentos para o seu caso.

Outra conclusão é a urgência de uma abordagem mais multidisciplinar que inclua um acompanhamento psicossocial. E é fundamental mais informação sobre esta forma de cancro para que os doentes saibam quais as melhores práticas e tratamentos para o seu caso e assim diminuir dúvidas e incertezas.

Por outro lado, em comparação com as instituições que apoiam doentes com cancro da mama, são muito poucas as entidades que se dedicam ao apoio de doentes com cancro da mama metastático.

Um dos objetivos internacionais é, depois da análise do que se passou entre 2005 e 2015, é duplicar a duração de vida dos doentes que sofrem com um cancro da mama agressivo.

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