OPINIÃO

Cães comunicam connosco por expressões faciais, diz estudo

As conclusões agora publicadas pelos cientistas da Universidade de Portsmouth são impressionantes e vêm juntar-se a outras que garantem que os cães percebem as palavras e o tom do discurso humano. Ainda assim, não é nada que os donos já não soubessem por experiência própria...

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

Maktub não sabe falar, mas deve ser das poucas coisas que falta fazer ao buldogue inglês de Marina Lobo. «Sempre tive cães quando vivia com os meus pais, e já aí me assombrava a forma como eles seguiam atentamente todos os nossos gestos, como se esperassem resposta», conta a artista de computação gráfica.

Alibi, um dobermann, brincava com ela como uma criança. Puma, o rottweiler, abria a bocarra e parecia sorrir. «O Maktub percebe tudo o que lhe dizemos, além de ele próprio ser muito expressivo. Não são precisas palavras para nos entendermos», garante a dona.

Os cães tentam comunicar com as pessoas recorrendo a expressões faciais caninas.

E isto porque os cães tentam, de facto, comunicar com as pessoas recorrendo a expressões faciais, revela agora um estudo conduzido por investigadores da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, e publicado no jornal Scientific Reports.

Se uma tigela de ração não os afeta, na medida em que não oferece estímulo social, o caso muda de figura quando os donos lhes dão atenção (o chamado efeito de audiência).

«A pesquisa mostra-nos que as expressões faciais caninas são responsivas aos humanos e não apenas a outros cães, o que nos diz muito sobre como a domesticação os mudou para se tornarem mais comunicativos com os donos», explica Bridget Waller, professora de psicologia evolucionária na Universidade de Portsmouth e uma das autoras.

Olhos de Bambi, deitar a língua de fora, inclinar a cabeça e arquear o sobrolho fazem parte do reportório canino.

Segundo estes especialistas em comportamento animal, trejeitos como deitar a língua de fora, inclinar a cabeça ou arquear o sobrolho – de que resultam os infalíveis «olhinhos de Bambi» que nos derretem – fazem parte do reportório canino destinado a falar ao coração dos seus companheiros humanos.

Marina Lobo confirma que Maktub os tem a todos, claro. «Ele olha-nos nos olhos com intenção. Não é só perceber o que lhe dizemos: fala claramente connosco à sua maneira», diz. Como não podia deixar de ser, o buldogue é rei e senhor lá de casa.

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