OPINIÃO

Beber vinho exercita mais o cérebro que fazer sudoku

Mais benéfico para a mente do que a matemática, o sudoku ou a música, o vinho volta a ser apontado como um dos maiores aliados da saúde mental pela Escola de Medicina de Yale.
vinho

Texto de Ana Pago | Fotografia Shutterstock

De dia, são os ecrãs dos computadores e smartphones que nos embrulham o cérebro. À noite, os ecrãs da televisão e dos iPads até adormecer. Construímos as nossas habilidades mediante aquilo em que vamos investindo ao longo da vida – o cérebro adapta-se a tudo – e isso inclui a forma como escolhemos exercitá-lo. Algo que podemos fazer resolvendo umas palavras cruzadas, um puzzle, uns sudokus ou… abrindo uma boa garrafa de vinho.

Beber vinho estimula mais áreas da massa cinzenta do cérebro do que qualquer outro comportamento humano.

Segundo o reputado neurocientista Gordon M. Shepherd, professor de neurobiologia na Faculdade de Medicina da Universidade Yale, EUA, beber vinho estimula mais áreas da massa cinzenta do cérebro (um componente importante do sistema nervoso central) do que qualquer outro comportamento humano – e não, não está a alucinar sob os efeitos do álcool. O catedrático disse realmente isto.

Mais do que dizê-lo, provou-o no seu livro Neurogastronomy: How the Brain Creates Flavor and Why It Matters (algo como neurogastronomia: como o cérebro cria sabor e porque é que isso importa, sem tradução portuguesa), no qual demonstrou cientificamente como um gole de vinho desencadeia uma atividade neuronal fora de série.

As papilas gustativas misturam o olfato com a memória para gerar um exercício mental de perceção de sabor.

«O sabor não está no vinho. É criado pelo cérebro do provador de vinho, cujo esforço mental se compara ao de tentar resolver uma equação matemática complicada», adianta Shepherd, especialista em respostas físicas e sensoriais a comida e bebida. E isto porque as moléculas do vinho não têm sabor, forçando o cérebro a basear-se em aromas conhecidos e experiências do passado para «inventá-lo».

«Este é um trabalho em que as papilas gustativas misturam o olfato com a memória para gerar um verdadeiro exercício mental, que no final culmina com a sensação que percebemos como sendo o sabor da bebida», diz o neurocientista.

Atenção, porém, à forma como bebe, já que o treino mental funciona melhor se degustar o vinho em pequenos sorvos, com moderação.