OPINIÃO

Animais nos restaurantes: o que pensam os donos… de restaurantes

Os animais vão poder entrar nos restaurantes. Fomos ouvir donos de espaços de restauração em Lisboa e no Porto.

Texto de Marcelo Teixeira

Para os amantes de animais, as boas notícias chegaram. Após a proposta do PAN, a Assembleia da República aprovou hoje a entrada de animais em restaurantes. Porém, a lei oferece aos proprietários dos espaços a última palavra nesta decisão.

Quem aceitar a entrada de animais de estimação (quais, ainda está por definir), deverá assinalar a hospitalidade com um dístico à entrada. E a possibilidade de recusar o acesso ou permanência de animais, ora pelo grande porte ora por não terem um comportamento adequado, é talvez o aspeto mais louvado da nova lei. Contactada pela Notícias Magazine e lembrando que o diploma ainda será apreciado na especialidade, a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares (AHRESP) reservou para mais tarde qualquer comentário à nova legislação.

O PEV, com o apoio do PSD e do PCP, propôs que deverão ser reunidas nestes espaços condições específicas para que os animais não circulem livremente nem se aproximem dos locais onde os alimentos estão expostos. Além disso, os Verdes querem ver definidas as espécies que terão livre-trânsito aos estabelecimentos comerciais. É que cães e gatos não são os únicos animais de estimação dos portugueses.

Joana Lencastre, proprietária do Soundwich, no Porto, sempre aceitou animais na sua esplanada e garante: «são mais os que voltam por poderem estar acompanhados pelos animais do que aqueles que não voltam por se sentirem incomodados».

Joana Lencastre, proprietária do Soundwich, no Parque da Cidade do Porto, aceita animais de companhia na sua generosa esplanada desde que abriu. E este é um dos fatores que considera essencial: «ter condições de logística é muito importante. Imagine no inverno, um cão molhado chegar a um estabelecimento fechado. É complicado». Diz também que nunca precisou de «limpar o que quer que fosse por causa de algum animal» e que tem forte «admiração pelos donos que sabem educar os seus bichos».

Reforçou ainda que os animais «nunca demonstraram qualquer atitude agressiva, e que tem corrido tudo de feição». Sobre a legislação que se avizinha realça o facto «de caber aos proprietários a decisão final», e sobre a clientela que tem conquistado refere que «são mais os que voltam por poderem estar acompanhados pelos animais do que aqueles que não voltam por se sentirem incomodados».

Já Luís Bernardino, patrão do restaurante A Venda Lusitana, em Lisboa, chama a atenção para a adequação dos espaços. Por exemplo, o seu estabelecimento é pequeno, «o que pode dificultar a mobilidade quando lá estiverem cães de grande porte». No entanto, não atira a toalha ao chão nem rejeita passar por «um período experimental». Elogia, aliás, a ideia do Governo.

Alexandra Gameiro, dona do restaurante Volver, no Lumiar, não está contra a lei mas lembra as questões de higiene. «Existem coisas incontroláveis, como a contaminação cruzada. O simples abanar de um cão poderá lançar pelos para a mesa do lado».

Quem também elogia a nova lei é Alexandra Gameiro, dona do restaurante Volver no Lumiar, que sublinhou «a decisão democrática de permitir que os proprietários decidam o que fazer». Adianta que tem um cão «mas que não o levaria para um restaurante fechado», como é o seu. Contudo demonstra-se recetiva àqueles «animais de mala, que fazem uma viagem no avião sem darmos por eles». Sobre a higiene garante «existirem coisas incontroláveis, como a contaminação cruzada». «O simples abanar de um cão poderá lançar pelos para a mesa do lado».

Jacinto Ferreira, um dos 4 gerentes do Marquês de Palma, em Sete Rios, falou apenas em seu nome e por ele os animais ficam à porta. Argumenta que «existe pouco espaço entres as mesas e que alguma clientela habitual poderia não gostar». João, trabalhador no restaurante Gravatas, em Carnide, também não é apologista desta possibilidade e relembra «que em primeiro lugar está a higiene».

Seja como for, André Silva, líder do PAN e que contou com o apoio do Bloco, explica que o objetivo desta iniciativa legislativa passa sobretudo por «acabar com uma imposição e abrir uma possibilidade».