5 lições que os chimpanzés nos ensinam sobre política

Eles sabem que devem retribuir um favor, cuidar de amigos doentes, pedir desculpa se forem inoportunos. Também sabem fazer maquinações políticas, jogar estrategicamente para chegarem ao poder e aí ficarem o máximo tempo possível. O que podem os nossos políticos aprender com os chimpanzés (sim, é deles que falamos)? Muito.

Texto NM | Fotografias da Shutterstock

MANTENHA OS AMIGOS PERTO

Mas os inimigos ainda mais perto. Isso mesmo constatou o primatólogo holandês Frans de Waal, diretor do Centro Nacional de Investigação de Primatas em Atlanta, EUA, e autor do livro Política dos Chimpanzés, em que descreve as disputas políticas de um grupo de chimpanzés num jardim zoológico da Holanda (o Arnhem). Em traços gerais, tudo corria bem na comunidade liderada por Yeroen, o chimpanzé dominante, até a falta de comida e fêmeas levar um jovem rival e respetivos simpatizantes a derrubarem o alfa. Em traços ainda mais gerais, Yeroen fez uma aliança secreta com um jovem chimpanzé, Niki, para derrubarem o novo líder. E Niki assumiu o poder, de facto, mas foi Yeroen quem verdadeiramente continuou a mandar. Moral da história: o macho alfa não tem de ser o mais forte, desde que seja o melhor a fazer amigos úteis e a chegar aos amigos dos amigos para compensar o facto de não poder controlar a comunidade inteira sozinho.

A ESTIMA É MAIS EFICAZ QUE O MEDO

Quanto maior o número de simpatizantes tiver do seu lado, melhor, embora mais importante do que angariar aliados seja mantê-los satisfeitos – uma habilidade política que requer diplomacia, segundo Frans de Waal, cuja experiência com os primatas lhe ensinou que os verdadeiros chimpanzés apoiam as vítimas após uma discussão, abraçam-nas e acalmam-nas. «Essa é também a tarefa dos dirigentes nas sociedades humanas», compara o cientista. «Verdadeiros líderes são aqueles que vão aos locais onde ocorreram desastres, como terramotos, para oferecerem apoio ao seu povo.»

FAÇA ALIANÇAS COM ALGUÉM MAIS FRACO

Uma vez estabelecida a necessidade de formar coligações de conveniência, nunca, mas mesmo nunca, as faça com alguém mais forte – exatamente o tipo de cuidado que o chimpanzé Yeroen teve ao aliar-se a Niki, muito mais verde e inexperiente do que ele próprio nestas jogadas políticas de alto nível. «Vivendo em grupos sociais de cerca de 50 indivíduos, os machos dominam as fêmeas e lutam entre si para ocuparem uma posição mais alta que lhes permita obter benefícios e manter a esfera de poder, ainda que não estejam oficialmente na liderança», adianta o especialista em primatas Frans de Waal. E aí fazem o mesmo que os políticos humanos ao formarem coligações entre dois partidos pequenos, ou entre um partido grande e um pequeno. «Se num grupo com três machos um deles é muito forte, os outros dois tenderão a aliar-se contra ele. Sabem que se se unirem ao macho mais forte acabam convertidos em acessório de poder», diz o primatólogo.

DISTRIBUA RECOMPENSAS

Se os chefes de governo humanos procuram o apoio das massas a qualquer preço – afinal, todos os votos contam –, porque haveriam os chimpanzés dominantes de ser diferentes? Resposta: não são, razão por que procuram assegurar o apoio dos simpatizantes oferecendo-lhes comida, beijos às crias (se os apoiantes forem fêmeas) e outras demonstrações de afeto, mesmo que não sejam genuínas. Ao acompanhar um chimpanzé que se manteve como alfa durante 12 anos, o cientista japonês Toshisada Nishida descobriu que o primata juntava carne para depois partilhá-la, em momentos estratégicos, com simpatizantes que selecionava a dedo na comunidade. Resumindo: estabeleceu um sistema de subornos altamente qualificado em benefício próprio.

AMEAÇAS EXTERNAS FAZEM A FORÇA

Aconteceu com os EUA em 2001, quando os atentados de 11 de setembro – infames e vindos do exterior – resultaram num apoio internacional generalizado ao governo norte-americano (em ciência política, chama-se a isto o efeito da união ante a bandeira). O mesmo sucede com os chimpanzés: «São extremamente territoriais e então organizam grupos de patrulha, com machos atentos a possíveis ameaças externas ou a indivíduos que tentem invadir o seu território», explicou à BBC Alison Cronin, investigadora e diretora do Monkey World em Somerset, Inglaterra – o maior santuário de primatas fora de África. Ainda assim, e apesar de se envolverem em lutas violentas com grupos rivais, a ameaça de um agente externo leva esses mesmos grupos a esquecerem as desavenças internas e a unirem-se.

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