Mais de oito milhões de pessoas morrem de cancro todos os anos no mundo e surgem 14 milhões de novos casos. A incidência do cancro regista um aumento de cerca de 3%. Inovações e novas formas de tratamento são bem-vindas. Conheça 10 exemplos.
Um tratamento guiado por tecnologia de fusão de imagens de ressonância magnética e ecografia que destrói as células cancerígenas do cancro da próstata, e que não danifica os tecidos envolventes e não mexe nas funções da glândula, já foi testado com sucesso no Hospital Santa Maria, no Porto. Técnica inovadora que minimiza o aparecimento de efeitos secundários associados aos tratamentos radicais, como incontinência e impotência.
A biopsia líquida, criada por dois investigadores portugueses, dá informações sobre alguns tumores malignos a partir de uma análise sanguínea - e dentro de algum tempo poderá ser decisiva no despiste precoce do cancro.
Há um estudo de genes extraídos da célula tumoral da mama que permite determinar o grau de agressividade e a forma como se comportará o tumor. A inovação foi apresentada pelo IPO do Porto e significa tratamentos individualizados do cancro da mama e uma redução que pode atingir os 30% nos doentes que fazem quimioterapia.
Entre 20 a 25% dos cancros do pulmão são tratados com terapêuticas que bloqueiam recetores na superfície da célula e que provocam a morte dessas células más.
É possível criar células anticancro no sistema imunitário que são injetadas nos doentes com leucemia para tentar banir essa doença. Uma descoberta de Bruno Silva Santos, do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa.
Diagnosticar o cancro do ovário a partir de um marcador do plasma já é possível.
Tumores com concentrações elevadas de monóxido de carbono crescem menos. Uma descoberta importante para controlar tumores que dão cabo do corpo foi feita por Gonçalo Bernardes, investigador do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa.
A Novartis, grupo farmacêutico suíço, desenvolveu um processo inovador: as células do doente são manipuladas em laboratório, da forma que se pretende, e reintroduzidas na corrente sanguínea.
Uma equipa do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular e i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto investiga mutações que podem ou não causar cancro gástrico, recorrendo a novas ferramentas de análise baseadas em análise quantitativa de imagem de células. Nos testes realizados já foi possível fazer um aconselhamento genético informado e tomar uma decisão terapêutica adequada.
As vacinas terapêuticas, criadas com base nas próprias células tumorais, são uma das inovações mais aguardadas e que têm ocupado a comunidade científica internacional.
Entre 2010 e 2016, os tumores malignos aumentaram 6,7% e são a causa de 24,5% das mortes. A taxa de mortalidade por tumores malignos em Portugal aumentou de 251,6 casos em 2014 para 256,7 casos em 2015. A mortalidade registada em 2015 nos homens foi bastante superior à das mulheres, de 213 para 105,5.
«O cancro não é só de quem o tem», alerta o médico especialista em oncologia Fernando Leal da Costa, ex-ministro da Saúde e ex-secretário de Estado Adjunto da Saúde.
Não há ninguém que não conheça alguém afetado pelo cancro, mas saber o que é viver com cancro ou depois de um cancro é outra conversa.
«Não chega ter fármacos, radioterapia e cirurgias melhores, quando a sociedade ainda não se adaptou a viver com os seus doentes», diz o ex-ministro da saúde, Fernando Leal da Costa.
«Tende a evitar-se aquilo de que se tem medo e, para muitos, ainda é mais fácil ir fumando e ignorar as imagens, visíveis nas embalagens, que nos lembram as doenças e o risco de morte associado ao cancro», diz Leal da Costa.
«Não, não chega ter fármacos, radioterapia e cirurgias melhores, mais curativas – sendo que há cancros que se curam e não são poucos -, quando a sociedade ainda não se adaptou a viver com os seus doentes», acrescenta.
As doenças oncológicas são a segunda causa de morte em Portugal. É importante que todos ganhemos consciência do que podemos fazer para prevenir.
Os números nacionais mostram um aumento da prevalência de cancros associados aos estilos de vida, hábitos alimentares pouco recomendáveis, aumento do consumo de tabaco e álcool, população mais envelhecida.
As doenças oncológicas são a segunda causa de morte em Portugal e um dos principais problemas de saúde. É importante que todos ganhemos consciência do que podemos fazer para prevenir, adotando estilos de vida mais saudáveis e fazendo rastreios regulares. Mas também é fundamental a investigação e os avanços na área da oncologia.
Na fotogaleria acima conheça 10 exemplos do que está a ser desenvolvido neste campo.
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