Roupa de homem: as peças mais poderosas para NÃO impressionar uma mulher

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Corsários. O verdadeiro flagelo de verão. Mais compridos do que calções, mais curtos do que calças, a meio caminho entre a vergonha alheia e o «já não tens idade para usar isso». Na verdade não é uma questão de idade, mas de gosto – falta de gosto. Ou de noção do ridículo. No século xvi, para desempenhar tarefas a bordo de um galeão – nomeadamente abordar outros navios, saquear-lhes o ouro e matar piratas – esta indumentária seria prática. No século xxi é apenas um acessório de verão que, no modelo masculino, provoca mais aversão do que o escorbuto.

Crocs. São muito confortáveis. Mas são também, possivelmente, a peça de calçado mais feia alguma vez inventada (as horripilantes botas Ugg, de esquimó sem graça, vêm logo em segundo lugar). Única desculpa possível para usar: se forem cozinheiros, enfermeiros ou médicos e tiverem de passar nove horas em pé. Mas essas pessoas usam toucas quando fazem banco ou estão atrás de um fogão. Não esperam ficar atraentes quando estão a trabalhar.

Sandálias. Quaisquer sandálias. Passe a publicidade, há apenas uma coisa que permite aos homens exibir os dedos dos pés sem parecer horrível: os chinelos Havaianas. Mesmo aquela malta com pés sapudos consegue disfarçar com uns destes. Tudo o resto devia ser proibido. Se tiverem de usar uma jelaba ou uma dishdasha e estiverem em Fez, em Riade ou em Doha, aí sim, as sandálias são permitidas – e práticas. Mas só porque o dress code nesses locais cobre até o tornozelo. Caso contrário, os pés dos homens que usam sandálias serão sempre um poderoso turn-off para o sexo oposto.

Fio ao pescoço. Seja prata ou ouro, com uma cruz discreta, uma medalha da Virgem de Fátima ou os nomes dos filhos estilizados. Isto é tão válido para o mitra de palito no canto da boca a quem os amigos chamam Quim Zé, como para os agrobetos de Vila Franca de Xira, Moita ou Alcochete, estudantes de Agronomia, que usam patilhas, gostam de pegar uns touros com os amigos forcados, calçam sapatos de vela e vestem camisas aos quadrados.

Camisola do Benfica. Sporting, Porto, Sport União Sintrense e demais agremiações desportivas e modalidades de qualquer parte do mundo estão incluídas – apesar de os polos de râguebi da África do Sul serem giros. Se falarmos de uma ida ao estádio para apoiar a equipa, tudo bem. Ou celebrar no Marquês de Pombal a conquista do 36º título. Ou para a futebolada com os amigos na quinta-feira à noite. De resto, andar na rua com uma camisola com o nome do Luisão, «só para ir ali abaixo beber café» ou «passear o cão». E mesmo assim, só às vezes.

Bolsa de telemóvel à cintura. Quando os telemóveis deixaram de vir acompanhados de um tijolo de cinco quilos e passaram a caber no bolso das calças, alguém se lembrou do impensável: fabricar pequenas bolsas para usar o aparelho à cintura. Não é cool. Não impressiona mulheres. A menos que sejam bombeiros ou agentes de forças de segurança e precisem de um coldre tecnológico, isto é foleiro. Piroso, mesmo.

Bonés com a pala virada para trás. E T-shirts com decote em bico. E casacos ou camisolas de tecido polar. E roupa interior com o Super-Homem, bicicletas ou porcos a andar de bicicleta. E T-shirts com piadas. E roupa tão justa que se notam os mamilos quando estão com frio. Acreditem: um mamilo masculino a insinuar-se através do algodão não é uma coisa atraente. É apenas patético.

NOTA. E não, não depende dos homens. O George Clooney de corsários e T-shirt justa colada ao corpo não fica bem. E o Bradley Cooper com Crocs também não. Nem ele nem ninguém.

[Publicado originalmente na edição de 7 de agosto de 2016]