OPINIÃO

Sandra, a feminista

Há combates que só uma mulher pode travar.

Anda na luta desde miúda. Contra as propinas, pela educação, pela paz, pela solidariedade e, nos últimos três anos, pelos direitos das mulheres. Porque estes, diz, estão longe de ser respeitados. E isso não se admite.

Sandra Benfica, 42 anos, estava ligada ao Movimento Democrático de Mulheres (MDM) desde 2000, mas foi em 2011 que assumiu a missão a tempo inteiro. Prostituição, tráfico de seres humanos e violência no namoro: são estes os seus alvos principais. Duros. Mas para a ativista, que gosta de desa­fios, são os que urge combater. «Há 27 milhões de vítimas de tráfico de seres humanos no mundo e a maioria são mulheres e meninas, para exploração sexual. Neste momento, é um negócio quase tão lucrativo como o tráfico de armas ou de droga. E a este está ligada a prostituição. Não podemos combater um sem combater o outro.» O assunto divide os movimentos de mulheres nacional e internacionalmente, mas para Sandra e para o MDM não há dúvidas: este combate não passa pela legalização. «A prostituição não é a profissão mais antiga do mundo, é a mais antiga violação de direitos humanos do mundo. E uma violação de direitos humanos não pode nem deve ser legalizada.»

Quais são as armas então? «Além da criação de condições para que as pessoas tenham uma vida digna e não entrem numa tal situação de vulnerabilidade social? Passa por medidas políticas, sociais e legislati­vas de combate efetivo a estes crimes.» Claro que a sensibilização e a informação são importantes, e essa é uma das apostas da organização que representa. «Nos últimos três anos, promovemos centenas de iniciativas em todo o país, além das reuniões internacionais, mas grande parte do nosso trabalho centra-se no estudo dos fenómenos, no terreno, e no aprofundamento das suas causas e dimensão. É isso que permitirá pressio­nar as autoridades e os decisores políticos e fazer uma prevenção mais eficaz», conclui.

Catarina Pires
Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens