OPINIÃO

Prevenir, para não ter de remediar

«É importante acabar com o mito de que o colesterol elevado é problema dos mais velhos», avisa Helena Cid.

O colesterol continua a ser um inimigo silencioso. Não dói, não se sente. Mas ataca pela calada e é um dos principais responsáveis pelas doenças cardiovasculares. A nutricionista Helena Cid, do Instituto Becel, responde a todas as suas dúvidas.

O colesterol elevado é um dos responsáveis pelo desenvolvimento das doenças cardiovasculares. Será que lhe damos a devida importância? É verdade que dois em cada três portugueses adultos têm o colesterol elevado?
De facto, não damos muita importância porque, como não se sente nem dói, a maioria das vezes não ligamos ou não somos eficazes na sua redução. Mas, com o passar do tempo e de uma forma silenciosa, o colesterol elevado vai promovendo o desenvolvimento das doenças cardiovasculares. É importante acabar com o mito de que o colesterol elevado é um problema das pessoas mais velhas. Os dados em Portugal mostram o contrário: 50% da população, entre os 18 e os 35 anos, já tem o colesterol elevado.

E a maioria das pessoas, quando tem o colesterol elevado, acha que deve fazer grandes restrições alimentares…
É necessário fazer algumas alterações e adotar hábitos alimentares mais saudáveis, mas há alimentos que são grandes aliados na luta contra o colesterol. Os alimentos enriquecidos com esteróis vegetais, por exemplo, que passaram por inúmeros estudos científicos e foram submetidos a um rigoroso processo de aprovação pelo Comité Científico para Alimentação Humana, da União Europeia, no que respeita à sua segurança e eficácia na redução do colesterol. Estes alimentos enriquecidos com esteróis vegetais são indicados para quem tem o colesterol elevado e a própria União Europeia criou uma legislação específica. E é importante não esquecer que estes alimentos devem estar sempre associados a uma alimentação mais saudável.

O que são os esteróis vegetais e em que alimentos os podemos encontrar?
Os esteróis vegetais são extratos de plantas. De origem natural, portanto. Encontramo-los em pequeníssimas quantidades em alimentos que ingerimos diariamente, como os frutos, as hortaliças e legumes, os óleos vegetais e os cereais. Mas para se obter uma redução significativa no colesterol é necessário enriquecer alguns alimentos. Os alimentos enriquecidos com esteróis vegetais que temos disponíveis em Portugal são os cremes vegetais para barrar e o leite fermentado (iogurte).

Como atuam esses esteróis vegetais?
Por terem uma estrutura muito semelhante ao colesterol, os esteróis vegetais competem com o colesterol dificultando e impedindo a sua absorção.

Ao fim de quanto tempo obtemos resultados?
Estes produtos têm uma dose diária recomendada, de modo a assegurar a sua eficácia. É
conveniente consultar sempre a embalagem, para cumprirem com essas doses, e, se assim for, ao fim de três semanas o colesterol deverá reduzir de 7% a 10%. Se estiver associado a uma alimentação equilibrada, um estilo de vida saudável associado e a exercício físico, esta redução poderá ser muito superior.

Podemos associar os esteróis vegetais com a medicação para a redução do colesterol?
Como objetivo terapêutico mais severo, para quem tem o nível de colesterol muito  elevado, pode ser necessário por vezes recorrer também a medicação prescrita pelo médico. Não existe qualquer contraindicação. Várias instituições são unânimes em reconhecer o papel positivo que os alimentos enriquecidos com esteróis vegetais têm tido, ajudando milhares de pessoas em todo o mundo a reduzir o colesterol.

Tem dúvidas sobre nutrição? No Facebook/becelportugal, a nutricionista Helena Cid responde às suas questões.