OPINIÃO

Não seja chato, seja feliz

«Ser feliz não significa deixar de sentir dor ou tristeza. Isso só os psicopatas conseguem. Ou os mortos», diz Tal Ben-Shahar

O professor de Psicologia Positiva e Psicologia da Liderança, em Harvard, onde se formou em Filosofia, Psicologia e Comportamento Organizacional, mas ficou mundialmente conhecido como o homem que dava «cursos de felicidade» – os mais procurados da prestigiada universidade norte-americana, não é fã de livros de auto-ajuda, daqueles que prometem a felicidade eterna em dez passos.

«Não é fácil ter uma vida feliz», diz Tal Ben-Shahar, em entrevista à NM, após a conferência no Museu do Oriente, a convite da Team Leaders. «É fácil de compreender o que é preciso fazer para ter uma vida mais feliz, mas é difícil de aplicar de forma consistente e duradoura na vida pessoal e profissional. E depois há a questão das expetativas: aquilo que é entendido como felicidade. O sofrimento, a tristeza ou a dor também fazem parte da vida. Há apenas dois tipos de pessoas que não os sentem. Os psicopatas e os mortos. Ter uma vida feliz não significa ter uma vida sem dificuldades ou sofrimentos.»

Ainda assim, ao longo de três horas que passaram a correr convenceu uma vasta e entusiasmada audiência, composta sobretudo por gestores, de que a felicidade é possível e, sobretudo, produtiva. Com um humor inteligente e vários estudos científicos como fio condutor, Shahar conduziu a plateia à conclusão de que não há melhor remédio – para a vida, para os negócios e para as relações com os outros – do que ser feliz. E isso depende quase completamente de nós e da forma como olhamos, interpretamos e lidamos com a realidade. Sim, porque diz o professor israelita, numa subtil referência ao best-seller norte-americano, «não há um segredo para a felicidade. Há três. Realidade. Realidade. Realidade.» É da nossa realidade que temos que partir, é com ela que temos que viver, é a ela que temos que transformar, se for caso disso, mas, por mais desfavorável que seja, há que pôr o foco naquilo que corre bem e funciona e não no que falha ou funciona mal. O caminho faz-se pela positiva. Sempre.

Resiliência, um termo das engenharias que designa a capacidade de os materiais voltarem à sua forma original seja qual for o impacto que sofram, é uma palavra que devemos fazer entrar no nosso dicionário, aliás, na nossa vida. E quanto mais cedo entrar, melhor (pais, esta é para vocês): é fundamental treiná-la e para isso há que ser exposto a contrariedades, dificuldades, frustrações. Não é fácil, mas é possível. E é outro dos segredos, afinal havia quatro, para ser feliz.

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Se quiser começar já a treinar para ser feliz descarregue aqui appy, aplicação criada pela Jason Associates, parceira da Team Leaders na organização da conferência de Tal Ben-Shahar, para o efeito.

 

Catarina Pires