OPINIÃO

Já se alcalinizou hoje?

Serão poucos os que, por estes dias, não ouviram falar dela...

Há quem diga que ajuda a emagrecer, há quem defenda que os seus benefícios são mais vastos, já que pode melhorar a saúde. O que é, afinal, a alimentação alcalina? Seguem as respostas às seis perguntas mais comuns.

1 O QUE É A ALIMENTAÇÃO ALCALINA?
Também conhecida como a dieta do pH desde que estrelas como Gywneth Paltrow, Kirsten Dunst ou Jennifer Aniston confessaram ser adeptas, esta é uma proposta alimentar próxima da defendida pela medicina tradicional chinesa, mas adaptada ao moderno estilo de vida ocidental. Para começar, mais do que uma dieta tal como as conhecemos, repletas de regras e restrições, este regime visa o equilíbrio ácido-base do organismo. Sabe-se, desde o início do século xx, que um meio interior muito ácido favorece o crescimento de células nefastas e prejudica os mecanismos e autocura. Daí que o lema desta dieta seja simples: quanto maior for a alcalinidade de um alimento, menor a quantidade de resíduos tóxicos que deixa no corpo. Assim, este regime defende o consumo de produtos com potencial alcalino em detrimento daqueles que nos acidificam. Resultado? Mais eficiência metabólica, logo mais saúde.

2 É BOA PARA EMAGRECER?
Há quem diga que pode ajudar a perder massa gorda; outros garantem que nada disso, não sendo esse, aliás, o seu objetivo. Daí esta opção alimentar não indicar porções nem fazer contagem de calorias. Neste campo, o consenso parece residir somente numa visível redução da retenção de líquidos e na perda consequente de inchaço corporal.

3 ENTÃO, FAZ BEM AO QUÊ?
Muitos defendem que uma alimentação alcalina é valiosa para o equilíbrio interno, já que o regime típico da atualidade, repleto de produtos industrializados, farinhas refinadas e açúcares, vai enfraquecendo os órgãos vitais, os músculos e os ossos, abrindo caminho à proliferação de células cancerígenas, mais resistentes, do que as normais, aos ambientes ácidos e pouco oxigenados. Assim, a dieta do pH ajuda à manutenção do tal equilíbrio ácido-base, defendendo a saúde global. Os seus críticos numa coisa concordam: pode contribuir para reaprender a comer de uma forma mais simples e saudável, mais próxima do tradicional.

4 O QUE SE PODE COMER?
De quase tudo, na verdade. Não há um grupo alimentar proibido, há é uma ênfase nas escolhas mais alcalinas. À cabeça vêm os hortícolas, a fruta madura, os cereais integrais, as gorduras naturais de primeira pressão a frio, alguns condimentos e ervas aromáticas, bem como chás, tisanas e água.

5 O QUE SE DEVE EVITAR?
A lista dos principais inimigos do equilíbrio ácido-base é bem familiar: gorduras saturadas, carnes vermelhas ou gordas, doces e açúcares, farinhas refinadas, produtos processados, comida pré-cozinhada, snacks, refrigerantes, bebidas alcoólicas e excesso de sal. Também não se pode abusar de leite e derivados, devendo-se evitar a fruta fora de época ou ainda verde. Porquê? Porque contribuem para a desvitalização progressiva do organismo e para a sua acidificação.

6 É PRECISO TER CUIDADO?
Sim, os especialistas dizem que não se deve restringir a alimentação unicamente às opções alcalinas. Precisamos também de alguns alimentos ácidos. Até porque o nosso corpo é simultaneamente ambos. Se a carência de alcalinidade é visível no cansaço mental, ansiedade, depressão, fadiga física, tensão muscular e irritabilidade, a falta de ácido gera igualmente sintomas: espasmos musculares e cãibras, nervosismo extremo ou incapacidade de concentração. Daí que, nesta dieta, seja defendida a ingestão de 80 por cento de alimentos alcalinos e de 20 por cento de alimentos ácidos ou, numa versão mais moderada, uma proporção de 70-30. A tónica deve é ser posta na escolha de bons acidificantes, como o vinagre de maçã, os fermentados naturais ou as leguminosas. Outro dado fundamental: se sofre de doença crónica ou toma medicamentos diariamente, fale com o seu médico antes de mudar radicalmente os hábitos alimentares

TRÊS MANDAMENTOS PARA UMA VIDA MENOS ÁCIDA

+ COMER MAIS ALIMENTOS ALCALINOS
Folhas verdes, couves variadas, abóboras e pepinos, legumes da terra, como cenouras, beterrabas, nabos, rabanetes, rábanos, cebolas e alho-francês são boas escolhas. Algumas frutas da época, bem maduras, também. Exemplos? Cerejas, frutos vermelhos, figos, damascos, pêssegos, uvas, melão, melancia, maçãs. Não esquecer as laranjas e companhia, e o limão, convertido em limonada. Outra aposta acertada para a dieta alcalina são os germinados, como os de erva trigo ou alfafa. E a pasta de miso, à base de soja fermentada, que se usa, em pequena quantidade, em sopas e outros pratos. Não esquecendo as algas, ricas em cálcio e ferro e muito depurativas.

+ BEBER COM CRITÉRIO
Água, sempre. A quantidade, para este regime, é variável, dependendo do restante volume de líquidos ingeridos e da atividade diária. A preferência deve ir para águas minerais naturais, sobretudo as que possuem um pH mais elevado. O chá verde ou o branco também são válidos, bem como as tisanas mais comuns. Os sumos naturais e detox idem, desde que feitos com ingredientes biológicos e tomados acabados de fazer. E há a limonada, sem açúcar, claro.

+ MELHORA O ESTILO DE VIDA
Para a dieta alcalina, não é só a alimentação que nos põe ácidos, o stress e os hábitos sedentários também. Daí que aconselhe o exercício físico moderado e uma ou outra prática de relaxamento. Recuperar a respiração profunda, típica dos primeiros anos de vida, é ainda fundamental, já que remove muitas toxinas e aumenta a oxigenação do organismo. Passar mais tempo na natureza, longe de ambientes poluídos, é outra boa estratégia para alcalinizar.

Cristina Azedo