OPINIÃO

Como não desesperar em voos longos

Sugestões para tornar as viagens de longo curso mais suportáveis.

Passar horas dentro de um avião pode ser penoso. A onze mil metros de altitude, todos os pormenores podem contar – até a escolha do lugar.

MANTENHA-SE SAUDÁVEL
Períodos de longa imobilidade num lugar apertado podem provocar dores nas costas, tromboses venosas ou até uma embolia pulmonar, sobretudo em alguns grupos de risco. Para não desesperar no seu banco de cinquenta centímetros de largura, leve roupas largas e confortáveis, preferencialmente algodão, e um par de sapatos que possa descalçar com facilidade durante o voo. Se tem tendência para pernas inchadas, não dispense as meias ou collants elásticos. Levante-se um pouco, idealmente de duas em duas horas, ou faça exercício sentado, mexendo e rodando as pernas e braços. Algumas companhias aéreas têm um guia de exercícios que é possível fazer sem sair do lugar. Para evitar a compressão da coluna, que pode valer uma dor de costas no desembarque, coloque uma almofada ou cobertor entre a parte inferior das costas e o assento. Se puder, evite álcool e comprimidos para dormir ou tranquilizantes, pois tendem a aumentar a probabilidade de complicações associadas à imobilidade.

ADAPTE-SE AO AMBIENTE A BORDO
A pressurização da cabina tem valores equivalentes à pressão atmosférica entre os 1500 e os 2400 metros de altitude. Isso significa que há uma ligeira diminuição do oxigénio disponível e que pode haver desconforto relacionado com mudanças de pressão. Para evitar dores de ouvidos, típicas da descolagem e aterragem, mastigue uma pastilha. Se sentir o ouvido bloqueado, pode fazer a manobra de Valsalva: expirar de boca fechada e nariz apertado, forçando o ar em direção ao ouvido. Como o ar da cabina é seco, com um teor de humidade entre os 10% e os 20%, o que pode causar pele, olhos e vias respiratórias secos, beba água ou bebidas não alcoólicas e sem gás. Se usar lentes de contacto, substitua-as pelos óculos. E leve soro fisiológico (para olhos e nariz).

DISTRAIA-SE
Passar longas horas sentado no mesmo lugar apertado, com um desconhecido de cada lado, pode ser um desafio à paciência. Leve tudo o que o pode entreter: livros, revistas, uma boa playlist no smartphone, alguns filmes ou séries no tablet ou computador, palavras cruzadas ou outros quebra-cabeças. E se é na internet que consegue perder a noção das horas, a ligação wi-fi a bordo também já é uma possibilidade nos voos de muitas companhias. Não ceda à tentação de estar sempre a olhar para o relógio ou para o visor que indica a posição do avião no mapa. Para combater o jet lag, além de ajustar o relógio à hora do local de destino assim que entra no avião, tente permanecer acordado durante os voos para ocidente e tentar dormir nos voos em direção ao oriente.

ESCOLHA A CLASSE CERTA
Dada a escassez de largura dos tradicionais bancos da classe económica, qualquer centímetro adicional é bem-vindo. Nos voos de longo curso, algumas companhias oferecem uma nova classe além das tradicionais económica, executiva e primeira: um híbrido chamado «económica premium». Uma das diferenças significativas é a dimensão do assento, com mais uns centímetros de largura e mais separação entre filas. O valor é um pouco acima da económica tradicional, mas também fica longe dos preços da executiva.

RESERVE UM BOM LUGAR
«Apanhar» os lugares junto às saídas de emergência vai render-lhe um espaço de pernas que não encontra em mais nenhum sítio da classe económica do avião. Mas cuidado: se fica na última fila pode ter uma surpresa desagradável, já que os bancos não reclinam tanto porque têm por trás a parede divisória para as casas de banho e área de trabalho da tripulação. Uma vez que as configurações dos aviões mudam dependendo da companhia e do modelo de aeronave, pode consultar www.seatguru.com. Através do nome da companhia aérea, número do voo e data, tem acesso à planta do avião onde vai viajar: número de lugares por fila, localização das saídas de emergências, casas de banho e uma escala de cor e comentários em relação às características de todos os lugares a bordo do aparelho.

Sofia Teixeira
Ilustração de Filipa Viana/WHO