OPINIÃO

Carlos Gil

«Na moda, é preciso ter-se jogo de cintura»

Carlos Gil evita festas e as luzes da ribalta – e quase não dá entrevistas. Mora no Fundão, mantém uma imagem sóbria e nem a Ordem do Infante D. Henrique mudou isso. Agora, Itália – depois da Semana da Moda de Milão – é o seu próximo passo.

Carlos Gil anda atarefadíssimo – foi convidado para apresentar a sua primeira coleção na Semana da Moda de Milão, neste verão, através do Portugal Fashion. Itália, que sempre foi o sonho deste estilista rigoroso e para mulheres com estilo clássico e elegante, ficou, assim, mais perto. «Tudo a seu tempo», diz ele, percebendo- se que está em pulgas. É por tudo isto, pelo trabalho e a evolução que conseguiu o jovem estilista do Fundão até chegar à ribalta, que Carlos Gil fica irritado com os rótulos e preconceitos, como aqueles que o cunham como sendo «o estilista» de Maria Cavaco Silva. É hoje muito mais do que isso, diz. Esta entrevista ficou marcada depois de ter sido agraciado pelo Presidente da República com a Ordem do Infante D. Henrique, teve de ser adiada várias vezes por causa das suas idas ao estrangeiro e tarefas várias, próprias de quem, a partir de um pequeno atelier no Fundão, conseguiu atingir o topo de uma indústria tão difícil quanto desafiante. Uma história de vida que começa em Nampula, passa pelas fábricas de confeção da Cova da Beira e pelas primeiras escolas de moda em Portugal, e se escreve com trabalho, alguma sorte e muito realismo.

Quando o Presidente da República o condecorou, em junho, ouviram-se algumas críticas, visto ser o estilista de Maria Cavaco Silva. Isso perturbou a sua felicidade?
_Não, pelo contrário. Não posso agradar a todos. Mas esse pensamento era errado e descabido. Não fui o único estilista a receber a comenda. Quem disse isso não me conhece nem ao meu trabalho. As dificuldades por que passei para poder estar aqui, no interior [no Fundão] e conseguir chegar a Milão. Sou uma pessoa simples e tenho muito orgulho nisso. Hoje é tudo muito feito à pressa, acelerado. E não é nada disso que eu quero na minha carreira. Ando a trabalhar há 17 anos, quase no anonimato, de uma forma séria.

Sem largar a mesa de corte, por exemplo…
_Sem largar a mesa de corte… Sem largar as clientes de sempre.

São elas a base do seu negócio?
_Claro, devo-lhes tudo. Assim como devo o curso à minha família. Para crescer temos sempre o dever de não nos esquecer de quem nos deu a mão. Por isso quando recebi o convite do Presidente da República, foi para mim… Eu nunca imaginei… Já tinha sido distinguido como Jovem de Mérito, pelo presidente da Câmara do Fundão como Jovem Empreendedor. Já tinha sido nomeado nos Globos de Ouro… Eu venho caminhando. Houve trabalho, dedicação, que permitiram tudo.

Porque nunca saiu do Fundão? Ou… como conseguiu nunca sair da sua terra?
_Eu estou em todo o lado. E cada vez passo menos tempo no Fundão. Agora, se me perguntar onde é que me sinto bem, é aqui. É o meu porto de abrigo. Tenho muita paz. Conheço as pessoas, gostam de mim. Provavelmente as outras pessoas, como vivem tudo tão à pressa, nem sabem do que estou a falar. Reivindiquei de tal forma isso que até hoje consegui. O meu atelier aqui trabalha para as lojas, e é bom porque está perto de Espanha e muito perto de Lisboa e do Porto.

Não há a tentação de abrir uma loja na Avenida da Liberdade?
_Não, mas pode ser um projeto. Ter um objetivo de carreira, para mim, era ser fiel aos meus princípios. É muito fácil deixarmo-nos levar pela fama, deixarmo-nos deslumbrar. E eu nunca quis isso.

Foi por isso que nunca saiu do Fundão?
_Provavelmente. Eu não sou uma pessoa muito de festas…E encontrei a pessoa aliada, que é exatamente como eu, que é a minha mulher, a Carla.

Considera que a moda é muito competitiva num meio pequeno como Portugal?
_Não considero a moda um meio pequeno, pelo contrário. É um mundo mesmo muito grande. Está patente em todas as pessoas. Agora, é preciso ter-se um enorme jogo de cintura para conseguir ser-se bem visto, ter-se uma imagem linear e discreta, sem ter de andar sempre na ribalta. Às vezes, é cansativo [risos].

Vista do estrangeiro, a moda portuguesa ainda está muito fechada?
_Eu não diria fechada. Nós tínhamos, tradicionalmente, uma ideia de moda, que era de lanifícios, de confeção, mas não de design comercial. E alguns designers vieram a impulsionar a moda e dar-lhe um estatuto diferente. Mas isso já foi há tanto tempo, e foi necessário, mas é uma ideologia que hoje não tem cabimento. Hoje o estilista é preparado de uma forma mais técnica, com uma estrutura…

Nesses grandes desfiles como o de Milão, em que participou, o que se vê hoje é que as marcas – todas – têm uma grande preocupação com o mercado…
_Sim, sem dúvida. Aquela ideia de se criar para dar nas vistas, de não se ter uma coleção com imagem credível para depois se poder explorar e comercializar… isso não existe. Hoje pede-se a um designer uma coleção com bom-gosto, com disciplina, de forma a que se possa pôr na loja. Nunca se exigiu tanto como hoje – e eu nisso sou extremamente exigente, que as coleções tenham uma fabricação exímia. Para que a pessoa olhe e mesmo sem estar vestida se apaixone pela roupa.

Foi o que aconteceu em Milão no seu desfile?
_Sim, o presidente da Câmara da Moda disse-me que a minha coleção não era de um estilista normal, mas sim de uma marca feita. E que Portugal poderia apostar na minha coleção e da minha marca porque esta tinha uma imagem credível,

Troque lá isso por miúdos.
_Quer dizer que quando penso numa coleção penso num tema que é explorado de uma forma muito clara. Na de Milão, primavera-verã0 2016, foi a New Sartorial – um alfaiate que se aperfeiçoa, que vai buscar as peças de alfaiataria e as torna mais modernas, elaboradas. Tecidos inovadores, matérias-primas diferentes.

Por exemplo?
_Há machos e pregas que eram feitos com naturalidade e que saíam somente do cinto, agora saem de cima do cinto. E assim a coleção é coesa. O tema tem de ser limpo, para as pessoas olharem e entrarem dentro da coleção. Depois temos de pensar no nosso público-alvo.

Quem é o seu?
_ Trabalho há 17 anos, e comecei com clientes com 30 anos que hoje já têm filhas. Que já são minhas clientes também.

Quando está a fazer um draft, em quem pensa?
_Depende. A coleção é para um todo, não para uma pessoa. É feita de quarenta e tal coordenados, e ali há um jogo de conforto – posso tirar esta ou aquela peça e coordenar de forma diferente segundo as clientes.

Tinha este sonho de entrar em Itália?
_Fazia parte. A internacionalização era quase como um dever para o sucesso da marca. Mas eu sou um sonhador com os pés assentes na terra. Já houve muitas oportunidades e só não fui porque achei que não havia alicerces suficientes para que o atelier pudesse ir em frente. Tivemos de fazer obras para alargar a produção, mais empregados. Trabalhamos com uma agência de comunicação, a Showpress. Porque eu não posso deixar a parte do corte, modelagem e confeção, eu é que sei como quero as coisas. E estando aliado ao Portugal Fashion, com que fomos à Milan Fashion Week, é uma mais-valia porque tudo é muito bem pensado. A internacionalização quando não é feita de uma forma consistente não bate certo.

E o que se segue, vai vender em Itália?
_Agora o agente trabalha a coleção em termos de comunicação, para que tenha visibilidade. E vai arranjar pontos de venda. Tudo vem a seu tempo.

Já está a trabalhar em algum país?
_Fazemos, a título particular, todos os anos, vários desfiles, principalmente no Dubai. No Brasil também somos muito acarinhados.

Quando a Michelle Obama revela que foi vestida por um estilista isso ajuda logo o estilista. Aconteceu o mesmo consigo, cá, com Maria Cavaco Silva como cliente?
_Para qualquer estilista vestir a primeira-dama do país é um orgulho muito grande.

Como é que se cruzaram?
_Foi através de uma amiga em comum, a fadista Kátia Guerreiro, que nos apresentou. A doutora Maria gostou muito de uma nova imagem que a Kátia tinha na época, e disse que gostaria de me conhecer.

Foi um desafio para si?
_Para qualquer estilista teria sido. É uma senhora que sabe muito bem o que quer e o que não quer. E não nos podemos esquecer da sua idade e dos seus valores.

Há alguma interferência do gabinete?
_Há um estudo de protocolo… A nível de cores, de imagem… É tudo feito em conjunto, até com a assessora do cônjuge. Mas não há estratégias, faço as coisas com a maior naturalidade, e principalmente com alma.

Ela era o seu estilo de mulher?
_Procuro ser versátil, tirando partido do melhor que a cliente tem.

O momento do provador é muito íntimo…
_É uma entrega muito grande. Tenho de ter um feeling apurado para perceber o que a cliente quer, o que lhe fica bem e o seu sucesso será sempre o meu. As minhas clientes são exigentes, e eu gosto de trabalhar com clientes exigentes. Com mundo. É por isso que viajo tanto. Sou capaz de estar horas no lobby de um hotel a perceber como veste a mulher russa, a mulher alemã, da Índia… Esse é o meu estudo.

E quem são as suas outras clientes?
_Nunca falo das minhas clientes. Tenho médicas, juízas, embaixadoras, embaixatrizes, comerciantes, empregadas de balcão… Nunca falo no nome, porque considero isso de mau tom. Também faz parte do nosso sigilo.

As embaixadoras foram também muito importantes na sua carreira.
_Sim, todos os anos o Hotel Marriott faz um almoço e encontro de embaixadoras e embaixatrizes acreditadas em Portugal e a seguir há um desfile de moda.E eu sou convidado… É muito interessante. Tantas ideias, ideologias, crenças, personalidades, porque todas elas são completamente diferentes. E depois muitas dessas embaixadoras e embaixatrizes gostam de mim, gostam do meu trabalho…

Vamos ao princípio de tudo: como é que um jovem que não tinha qualquer ligação à moda nem tradição de família começa a interessar-se por esta área?
_Não posso começar a falar da minha carreira sem falar de quem sou.

Porquê?
_Porque trabalho muito com alma. Esse clique da moda começa logo em Moçambique, nos anos 1960. Havia uma cultura muito diferente de Portugal, liberdade de expressão. As mulheres trabalhavam muito a imagem, muitas festas… Portugal era muito fechado. Nós estávamos muito próximos da África do Sul.

Isso é em Nampula, não é?
_Onde nasci. Via a minha mãe sair, para festas, de vestidos compridos…Tenho mais duas irmãs. Sou o do meio. Elas também me pediam opiniões, Sentiam que eu tinha alguma noção de estética. Sempre gostei também muito de arte e de desenhar. Aí já havia ligações familiares.

O que é que os seus pais faziam?
_O meu pai era comerciante industrial e a minha mãe era professora de Inglês, depois deixou o ensino. A minha avó era professora primária em Portugal. Foi criar-nos para Moçambique, depois de se reformar. Mas quando vim para Portugal, com 7 anos, foi um choque brutal.

Veio para o Fundão?
_Não, fui para a aldeia do Paul, onde fiquei com os meus tios, que também eram professores primários. Isto é um assunto tão delicado que nem sei como o expor. Os portugueses preferem apagar com uma borracha os erros, que foram tão graves. Eu fui para casa do meu tio para ter uma educação diferente. Porque nós éramos muito maltratados, os que vinham de Moçambique. A minha irmã não podia cantar o hino, dado que éramos retornados. Por isso fui viver com o meu tio, que era professor e podia proteger-me. Até aos 10 anos não pude fazer parte da minha família, só vivia com eles ao fim de semana. Eu nunca tive problemas nenhuns… Sempre fui muito bem tratado no Paul.

Escondia que tinha vindo de Moçambique?
_Nem podia! Toda a gente sabia. Mas ainda bem porque tudo isso pôde refletir- -se no que sou. Muita resistência, saber muito bem saber aquilo que queria fazer, deu-me confiança. Mas tive de crescer muito depressa, eu que era o «menino da mamã». Quando me deitava, recuava no tempo e pensava: eu tinha nascido para ser feliz. E a minha felicidade, onde estava? É que era o dia da noite…

A começar pelo calor?
_A começar pela vivência. Éramos crianças superalegres, livres… Brincávamos na rua todos juntos, brancos com pretos, descalços, de calções… Aqui era gorros, botas, luvas… Não podia jogar ao berlinde porque tínhamos as luvas. Queríamos jogar futebol e eram umas botarras enormes…

E nessa altura o que é que queria ser quando fosse grande?
_Acho que já não queria ser nada. Só que acabasse tudo rapidamente para poder ir para ao pé dos meus pais. Depois vim para o Fundão… Isto para lhe dizer que a moda esteve logo associada à infância. E depois houve um bloqueio.

Acabou-se as festas, acabou-se os vestidos da mãe…
_Acabou-se tudo! O glamour… Provavelmente isso veio mostrar àquela criança a diferença entre o belo e o feio. Consegui, na mesma infância, ver as duas facetas.

E como é que veio? Ponte aérea?
_Lembro-me perfeitamente, num Boeing. Já tinha viajado com a minha mãe para a África do Sul, mas nunca assim. Foi uma aventura muito grande. Viemos em setembro. Eu faço anos em agosto, e estava habituado a ter grandes festas, com a casa sempre cheia, principalmente de crianças… O meu mainato, o negro que cuidava de mim, era supercarinhoso, e queria vir mas não podia, não permitiam… Ele sabia que era o último aniversário em que me acompanhava… Fez-me um bolo, um bolo com um buraco no centro, com uma vela muito grossa no meio, para eu cantar os parabéns. Eu nunca mais consegui comer um bolo com um buraco no meio. Às vezes a minha mãe tenta tapar o buraco do meio, para eu não ver…

E depois, em que altura retoma a moda?
_Quando regressei de Lisboa, onde fui estudar na área de artes, dei comigo e penso «não, eu gosto é de moda». E entrei para a Escola de Moda do Porto. O que para os meus pais, como calcula… dizer que o filho queria ser estilista, quando a minha família era uma família tradicional… O filho ser ligado às artes, e ainda por cima à moda, isto foi um rebuliço enorme. Foi quando a minha mãe me deu o apoio completo. O meu pai nunca acreditou muito que eu era capaz, porque era uma coisa que nem sequer estava no imaginário dele. O que ele queria era que eu seguisse Engenharia Quando acabei o curso e fui nomeado como novo jovem criador pela FIL Moda, e a minha professora diz aos meus pais que eu tinha apresentado das melhores coleções… aí o meu pai disse: «Pois, tem a quem sair!»

Mas era daquelas pessoas de fazer modelitos e…
_Ah, andava sempre de tesoura! Desmanchava os casacos.! De uma peçazita qualquer eu chegava e fazia um decote mais fundo ou tirava-lhes as mangas e fazia uma camisola cavada… Ou tirava-lhes as paletas e fazia golas…

E quem eram os seus ídolos?
_Na altura a minha referência era o Giorgio Armani, o Yves Saint Laurent, a Dior… Ao contrário, por exemplo, dos meus colegas que iam sempre muito mais para Jean Paul Gaultier, para Comme des Garçons…

Então porque é que não quis ir logo para o atelier do Armani quando acabou o curso?
_Queria ser independente. Estagiar significava que eu ia continuar a depender dos meus pais. E eu queria mostrar que era capaz, que tinha confiança no meu trabalho. Entrei para uma fábrica, a Craveiro e Mineiro, aqui no Fundão. Deu-me o estofo como empresário. Comecei a desenhar homem, senhora e criança para o mercado externo. Deu-me um conhecimento mais abrangente do que é a moda. Ali desenhava cem coletes para serem escolhidos dois ou três. Desenhava as coleções para o estrangeiro – Alemanha, Dinamarca, a Espanha. E a equipa comercial apresentava os croquis e eles escolhiam. Entretanto, ao mesmo tempo que eu estava na fábrica, dava aulas de moda. Trabalhava como professor de Design porque gostava muito da parte de atelier e isso fazia-me falta.

Do desenho à coisa, é isso?
_Personalizar, fazer uma peça única, à medida. Na fábrica tenta-se eliminar custos, se pudermos fazer um casaco de três casas porque não duas? Em cinco mil casacos a quantidade de botões que não se poupa [risos]… Comecei a dar aulas na Covilhã e em Castelo Branco. Tornou-se incompatível estar a trabalhar na fábrica ao mesmo tempo. E fiquei só no ensino. Depois entrei para professor de Desenho no ensino secundário – ao mesmo tempo que continuava como professor de Moda – durante sete anos. Isto já nos anos 1990.

Gostava?
_Sim, aprendemos muito com os alunos: são muitas mentes ali a fazerem-nos perguntas. E as perguntas deles fazem-nos raciocinar e fazem-nos desenvolver.

É como estar no hall do hotel a ver as pessoas a passar?
_É exatamente isso. Os alunos são muito perspicazes, e as dúvidas deles às vezes são as nossas, mas que nós próprios por comodismo não queremos pôr.

E a moda?
_Ia fazendo os meus trabalhos em casa, de confeção, para clientes, para amigos. Cada vez tinha mais clientes. Tinha a minha máquina de costura, tinha os meus materiais todos. Era sempre eu que fazia tudo. Um estilista tem de ser polivalente. Ainda hoje nada passa para a confeção sem ter passado por mim.

E depois?
_Depois a Carla, que hoje é minha mulher, decidiu montar uma loja e que seria eu a desenhar a roupa. Eu disse: «Mas tu queres que eu abra um atelier no Fundão? Estás a sonhar?» Ela disse: «Não, não estou.» Deu-me até dezembro e garantiu que nessa altura eu largaria o ensino. E assim foi. Em dezembro larguei o ensino e fiquei só com o atelier, que está montado até hoje.

E aí já era um estilista… Não sei como é que se chama a si próprio…
_ Também pouco me interessa. Às vezes vejo nas revistas que me dão o título de costureiro, que dizem que é o máximo… Outras chamam-me estilista, designer… Comecei por ser o Carlitos, de Moçambique, o meu mainato chamava- me assim. Depois vim para Portugal e, como o meu pai se chama Gil, começaram a chamar a mim e às minhas irmãs os Gilinhos… Depois passo a ser o professor Carlos Gil, na escola secundária. Professor Gil na escola de moda. Depois o estilista Carlos Gil. Agora o comendador Carlos Gil. Mas eu sou o Carlos Gil.

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Catarina Carvalho
Fotografia de Rui Ochôa