OPINIÃO

Sexo pelo futuro de Portugal?

Férias low cost para aumentar a natalidade. Será que os portugueses podem aderir?

A Dinamarca está a braços com a maior quebra da natalidade dos últimos 27 anos e os estudos confirmam que os dinamarqueses têm relações sexuais mais frequentemente  nos dias feriados e quando estão de férias fora do país – pelo menos dez por cento das crianças dinamarquesas serão concebidas durante as férias dos pais. Diante destes dados, uma agência de viagens decidiu promover a natalidade oferecendo descontos a casais que façam férias no período de ovulação das mulheres. Se das férias resultarem gravidezes, os bebés nascidos receberão diversos produtos de puericultura durante três anos e os casais terão direito a mais umas férias. Desta vez, gratuitas e com os filhos, claro!
A quebra da natalidade não é um exclusivo daquele país nórdico. Na semana passada, o INE publicou um estudo  em que confirma que se os portugueses não começarem a ter mais bebés, a nossa população passará dos atuais 10,5 milhões para 8,6 milhões, no ano 2060.Uma situação preocupante – redução do número de crianças, de jovens e da população em idade ativa e aumento da população idosa –, que terá reflexos na sustentabilidade do país. Por exemplo, nos custos de saúde. Mas também nas reformas e pensões. Em 2012, havia 340 pessoas ativas por cada cem idosos, em 2060 estima-se que existam 149 ativos por cada cem idosos. Mas o futuro ainda pode vir ser pior. Segundo o INE, se o índice de fecundidade se mantiver tão baixo (1,28 crianças por mulher em 2012) e os portugueses jovens continuarem a emigrar, em 2060, a população residente no país pode não chegar aos 6,3 milhões de pessoas.
Evitar que este cenário se torne real é um desafio que diz respeito a todos. Será que os portugueses alinhava numa campanha assim? Ou é de outras medidas de promoção da natalidade que Portugal precisa? As respostas a estas questões são dadas pelo INE e pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. Segundo o Inquérito à Fecundidade 2013, os custos financeiros associados aos filhos e a dificuldade para conseguir ou manter o emprego são as principais razões porque os portugueses não querem ter mais filhos ou não os querem ter de todo. Aumentar o rendimento das famílias que têm crianças, aumentar as deduções fiscais, os subsídios relacionados com a educação, saúde, habitação e alimentação e facilitar as condições de trabalho dos pais e das mães são as medidas apontadas pelos portugueses para fazerem mais bebés.

Célia Rosa
Fotografia: Direitos reservados