OPINIÃO

Se eu soubesse o que sei hoje

Desafiámos alguns capitães de Abril a comentar o momento histórico que protagonizaram há quarenta anos, à luz da atual situação do país.

 

Vasco Lourenço, Mário Tomé, Sousa e Castro, Franco Charais e Carlos de Matos Gomes – Otelo Saraiva de Carvalho não respondeu aos nossos contatos – conspiraram contra a ditadura e estiveram unidos no golpe militar que, a 25 de Abril de 1974, abriu caminho à democracia. Depois seguiram caminhos opostos durante os meses de brasa que deixaram Portugal à beira da guerra civil. Hoje estão revoltados com «o estado a que isto chegou», como um dia desabafou Salgueiro Maia (1944-1992).

 

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VASCO LOURENÇO
TINHA PREPARADO MELHOR O DIA SEGUINTE

«A questão é interessante, mas a verdade é que ninguém pode voltar ao mesmo sítio, sabendo o que sabe hoje… Se soubesse o que sei hoje, faria um esforço muito maior pa­ra convencer os meus camaradas da necessidade de prepararmos melhor, de maneira mais firme, o dia seguinte.

Quando regressei a Lisboa, no dia 29 de abril, e cheguei ao Pos­to de Comando [do MFA], na Cova da Moura, tive a sensação de estar a entrar numa guerra que não era a minha. Eu conhecia pes­soalmente todos os militares envolvidos no 25 de Abril, quase to­dos do Exército, mas encontrei ali mais azuis [cor das fardas da Marinha e da Força Aérea] do que verdes [Exército], já em posi­ções relevantes – e havia alguns que eu não conhecia.

Lembro-me também de que em 1975, já em plena convulsão, pouco antes da saída do Documento dos Nove, durante o inter­valo de uma sessão do Conselho da Revolução, estávamos o Ote­lo, o Carlos Fabião [chefe do Estado-Maior do Exército] e eu. O Otelo disse: «Andas a servir-te do apoio dos reacionários que quiseste sanear no 25 de Abril e nós não deixámos…» Eu respon­di: «Quando eu tinha condições para os sanear, foram idiotas co­mo tu e o Fabião que não me deixaram saneá-los. Agora, se eu os quiser sanear, são eles que me saneiam a mim!» Tinha-se altera­do a correlação de forças…

O que fizemos a seguir à revolução foi entregar o poder rapida­mente aos representantes eleitos do povo – mas devíamos ter tido mais cuidado e garantido um maior controlo das Forças Armadas.

Era difícil ter feito melhor, dada a correlação de forças existente, até entre nós. É preciso ver que nós, no MFA, não tínhamos um lí­der… A certa altura, durante o PREC, veio a Portugal uma delega­ção de Cuba. Começaram a dizer-nos o que devíamos fazer e eu disse-lhes: «Ó meus amigos, as revoluções não se exportam. Ca­da povo faz a sua, de acordo com as suas condições e a sua cultura. Vocês têm de compreender que nós não tivemos uma Sierra Ma­estra nem um Fidel Castro…»

O [major] Vítor Alves dizia que tivemos a sorte de, não tendo um líder, termos um conjunto de elementos no núcleo duro com determinadas caraterísticas que se completavam. Ele também dizia que até o grau de loucura do Otelo foi positivo para o 25 de Abril. E foi. A nossa grande virtude foi a atuação como equipa, não nos digladiávamos pela liderança – se bem que, na sequên­cia dos acontecimentos, começámos, vários de nós, a tentar im­por-nos como líderes. Mas não foi a luta de galos que provocou as divisões…

O núcleo duro do MFA era composto por 200 a 250 oficiais e ha­via um núcleo ainda mais restrito, uns 50, se tanto: não chegavam para ocupar todos os lugares de comando. Por isso, muitos dos que estavam ficaram, apesar de sabermos que eram contra nós. Só afastámos os que atuaram abertamente. Deixámos, em certa medida, a estrutura militar incólume. Eu queria sanear o Kaúl­za [de Arriaga, 1915-2004], mas diziam-me: «Ele é um bom gene­ral, é muito capaz…»»

VASCO LOURENÇO
MUDAR O RUMO

Foi o escolhido para preparar e dirigir a operação militar destinada a derrubar o governo. Transferido compulsivamente para os Açores a 9 de março de 1974, o então capitão foi substitu­ído nas tarefas conspirativas por Otelo Saraiva de Carvalho. Mem­bro da Comissão Política do MFA, integrou o Conselho de Estado e depois o Conselho da Revolu­ção. Durante o PREC fez parte do Grupo dos Nove (com Melo Antu­nes, Vítor Alves, Franco Charais, Pezarat Correia, Sousa e Castro, Vítor Crespo, Costa Neves e Can­to e Castro) – oficiais moderados que se opuseram aos pró-comu­nistas apoiantes do primeiro-ministro Vasco Gonçalves e aos radicais alinhados com Otelo no Documento do COPCON. Extin­to o Conselho da Revolução pela revisão constitucional de 1982, recusou a promoção a general. Coronel na reforma, é presidente da direção da Associação 25 de Abril

 

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FRANCO CHARAIS
EM VEZ DE TER APOIADO O PS…

«Se eu soubesse o que sei hoje, em vez de ter apoiado a su­bida ao poder do Partido Socialista teria exercido toda a minha influência junto do MFA para que fosse apoiado o Partido Social Democrata. O resultado desta atitude teria obriga­do o Partido Socialista a coligar-se com os partidos à sua esquer­da e talvez o seu socialismo não fosse metido na gaveta, talvez as desnacionalizações, a venda dos «anéis» da nação, se tivessem tornado muito mais difíceis, talvez a descarada promiscuidade entre poder económico e político tivesse sido muito mais difícil, talvez a corrupção não manchasse a classificação do nosso país no seio das nações europeias, talvez as maiorias de esquerda de sucessivas eleições se tivessem traduzido em políticas de esquer­da, talvez os portugueses não tivessem abandonado as assem­bleias de voto, talvez os trabalhadores não se tivessem cindido em duas centrais sindicais, talvez o prestígio dos políticos portugue­ses não tivesse descido tão baixo, talvez não tivesse havido três intervenções do FMI no nosso país, talvez a UE tratasse a nossa nação com muito mais respeito, talvez… talvez…

De facto, o binómio Povo/MFA há quarenta anos, data que co­memoraremos em 25 de abril, fez maravilhas. Fruto de um in­tenso diálogo, expurgado de qualquer tipo de censura, foi es­crita por deputados livremente eleitos pelo povo uma Cons­tituição politicamente avançada que protege as classes mais desfavorecidas e a liberdade e igualdade entre os cidadãos. A quase totalidade do poder económico foi subordinada ao po­der político. Proporcionada a autodeterminação e independên­cia, foram criados nas ex-colónias novos países que adotaram o português como língua oficial, salvaguardando-se a amizade e a cooperação entre os seus povos.

Mas o poder político, metendo nas gavetas ideais socialistas, sociais-democratas e democratas-cristãos, vendendo por vezes ao desbarato o poder económico herdado, subordinando as su­as políticas àquele poder, autoglorificando-se como partido do arco do poder desprezando as oposições, vai comemorar quren­ta anos de democracia subordinado a uma intervenção estran­geira, com um largo fosso entre uma minoria cada vez mais ri­ca e uma grande maioria cada vez mais pobre, com um desemprego que afeta cerca de milhão e meio de famílias portuguesas, com uma dívida igual a 130 por cento do PIB, com défices orça­mentais que procuram reduzir recorrendo a cortes de salários da função pública, ao esbulho das pensões devidas por descon­tos feitos pelos reformados ao longo das suas quase quatro dé­cadas de trabalho e aos cortes nos sistemas de saúde, educação e apoio e, como bom aluno, nos mantém integrados numa comu­nidade de países que, em vez de solidariedade, nos insulta deno­minando-nos os PIG da Europa.»

FRANCO CHARAIS
PINTAR A HISTÓRIA
Tenente-coronel em 1974, era um dos capitães de Abril mais graduados. Fez a guerra colonial em Moçambique e Angola. Foi re­dator do programa do MFA, per­tenceu à Comissão Coordenado­ra do Movimento dos Capitães, ao Conselho de Estado e ao Conse­lho da Revolução. Comandante da Região Militar do Centro durante o PREC, assinou o Documento dos Nove e, embora sempre discreto, foi uma voz decisiva para fazer pen­der a balança do poder militar pa­ra o lado dos moderados. Tenente-
ge­neral na reforma, também se dedica à pintura: tem por estes dias patente ao público uma exposição alusiva aos 40 anos do 25 de Abril no Café Arade, em Portimão.

 

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MÁRIO TOMÉ
NUNCA É TARDE PARA APRENDER

«O 25 de Abril, enquanto operação político-militar, deve ser considerada a mais bem preparada, planeada, dirigida e exe­cutada por militares portugueses.

A caminhada do Movimento dos Capitães que sentiam a derro­ta iminente e irreversível subverteu as Forças Armadas colonia­listas, quando os verdadeiros generais, os capitães, substituíram a brigada do reumático [como ficou conhecida a delegação de ge­nerais e almirantes que no dia 14 de março de 1974 foi a São Ben­to manifestar o apoio das Forças Armadas ao chefe do Governo] vergada ao colonialismo de Marcello Caetano.

Instalou-se uma hierarquia eminentemente política que tra­çou a ordem de operações: negociar uma digna transmissão do poder com os movimentos de libertação, a quem legitimamente devia pertencer, na época histórica da descolonização que se se­guiu à Segunda Guerra Mundial.

A democratização e a criação de condições para o desenvol­vimento do país, assim como a Constituição «mais avançada do mundo», previstas no Programa do MFA, foram vitalizadas pela luta popular, tendo o movimento dos soldados assegurado a au­sência de repressão significativa que a burguesia sempre desen­cadeia contra aqueles de que se serve: os trabalhadores.

Poder na sociedade civil, com a atenção próxima e institucio­nal do MFA legitimado por um apoio popular nunca visto. Assim o exigia um país em mutação onde os «donos de Portugal» não de­sistiam de perpetuar o seu poder rapace, servindo-se do peso da ideologia instalada, do obscurantismo persistente e da contem­porização jurídica e política. Portanto, o meu lugar só podia ser o que ocupei, por mais que soubesse.

As transformações com sentido único que se seguiram até à cala­mitosa razia que hoje sofremos eram para mim previsíveis.

À dinâmica popular impôs-se a farsa política da direita e do centro, submissos aos EUA e à Europa da NATO. O centro tentando conven­cer os eleitores que os direitos sociais e políticos só são aceitáveis se os «donos de Portugal», com a máscara apropriada a cada época, não se importarem. E uma certa esquerda tentando atrelar o movimen­to popular à estratégia da URSS na Guerra Fria.

O 25 de Abril teve e tem alma de esquerda; portanto o seu signifi­cado deve-o à luta dos povos das colónias e do nosso povo esmaga­do e enfim liberto quando as cadeias foram quebradas, e o sonho de igualdade e justiça parecia e devia ser realizável.

As forças mais consequentes da esquerda estavam enredadas em disputas determinadas pelas vulgatas dogmáticas do marxismo, co­mo se o mundo e a Europa não tivessem passado pela Segunda Guer­ra Mundial e o Maio de 68 e o imperialismo não tivesse decretado a «Doutrina do Caos», o neoliberalismo.

Aqui sim, se soubesse o que sei hoje, participaria num projeto de es­querda, sem muros nem ameias, que felizmente veio a realizar-se 25 anos mais tarde: algo equivalente ao Bloco de Esquerda.»

MÁRIO TOMÉ
CONTRA A GUERRA COLONIAL

Fez duas comissões em Mo­çambique e duas na Guiné, que lhe valeram uma Cruz de Guerra. Em 1970, apresentou ao general Spínola o pedido de demissão das Forças Armadas por «desacordo com a guerra colonial e a política geral do governo». Foi indeferido. Participou no 25 de Abril como coordenador do Movimento dos Capitães em Moçambique. Foi nomeado segundo-comandante do Regimento de Polícia Militar (PM) e eleito delegado à Assem­bleia do MFA. Na sequência do 25 de Novembro de 1975 esteve preso cinco meses. Passou com­pulsivamente à reserva em 1984. Coronel reformado, foi dirigente da União Democrática e Popular, um dos partidos que integraram o Bloco de Esquerda.

 

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RODRIGO SOUSA E CASTRO
NÃO HESITARIA UM SEGUNDO

«A primeira questão a colocar perante este desafio é: afinal o que é que eu sei hoje, sobre o nosso país e o nosso povo?

Sei que se vive em liberdade sem qualquer constrangi­mento, que é indiscutível e presente a liberdade de expressão do pen­samento, a liberdade de associação, de imprensa e informação em geral, de manifestação e de exercício de direitos sindicais;

Sei que direitos sociais, como o direito à saúde e à educação, es­tão garantidos constitucionalmente e se na prática não são mais efetivos é porque os dirigentes políticos não cumprem nem com os seus deveres nem com as suas promessas;

Sei que caminhamos para uma efetiva igualdade de género, não sendo legal qualquer discriminação baseada no sexo, na raça ou nas crenças religiosas ou ideológicas;

Sei que as instituições democráticas e os dirigentes políticos que temos são ciclicamente submetidos a sufrágio, direto, livre e secreto, que pode ser exercido por todo e qualquer cidadão adul­to, e que temos uma Constituição plítica garante de todos estes direitos e liberdades;

Sei que nos tempos difíceis que vivemos, muito por culpa dos nossos dirigentes políticos de há décadas a esta parte, as desigualdades estão a reafirmar-se. Mas também sei que esses dirigentes são livremente escolhidos pelo povo (quer pelos eleitores quer pelos abstencionistas);

Sei que o nosso país é hoje considerado no concerto das nações e está integrado num espaço económico, financeiro e cultural que é a UE, em pé de igualdade com as outras nações;

Sei também que, ao arrepio do que constava da proclamação do Movimento das Forças Armadas em 25 de abril de 1974, que pre­conizava uma política antimonopolista e ao serviço das classes menos favorecidas e ainda a não ingerência do poder económico no poder político, estamos a regredir com o aparecimento de téc­nicos burocratas, exclusivamente ao serviço do capital financei­ro e de meia dúzia de grupos económicos oligopolistas;

Ora tudo isto eu sei, por isso a segunda questão a colocar é: afi­nal o que é que se passava em 24 de abril com o nosso país e o nos­so povo para que fosse necessária uma revolução?

O país vivia numa ditadura que coartava todas as liberdades que hoje usufruímos;

A ditadura possuía uma tenebrosa polícia política para perse­guir e encarcerar quem ousasse desafiar o regime;

Os órgãos de comunicação social, todos eles, jornais, rádios e TV, eram controlados pelo Estado ou pela Igreja e sobre eles era exercida uma feroz censura;

Os direitos sociais, a saúde e o ensino eram fortemente restrin­gidos e eram apanágio de uma elite;

As eleições eram uma farsa, visto que os partidos políticos estavam proibidos e os eleitores eram menos de 20 por cento dos cidadãos adul­tos;

O país estava mergulhado numa guerra em África, que ia no 12.º ano sem fim à vista, e destinada a manter um estatuto colonial sobre povos irmãos que são hoje independentes;

Por todas estas razões, Portugal estava isolado no conjunto das nações e tinha índices de desenvolvimento humano próprios dos países mais atrasados do mundo.

Perante esta realidade, se eu soubesse o que sei hoje, em 24 de abril de 1974, não hesitaria um segundo a agir como agi, ajudan­do a libertar o nosso país de uma ditadura aberrante, ajudando a acabar com a guerra e contribuindo para que vivamos hoje numa democracia política.

Outra coisa, porém, é, hoje, sabendo o que sei que existe, e ponde­rando o que podia existir, face às condições abertas pela revolução, ter de lamentar que os nossos dirigentes políticos, desde os presiden­tes aos deputados, aos membros dos vários governos e aos responsá­veis partidários, não tenham sido capazes de fazer escolhas mais in­teligentes e não tenham tido mais sageza na ação política.»

RODRIGO SOUSA E CASTRO
CAPITÃO DE ABRIL E DE NOVEMBRO
Combateu em Angola e em Moçambique. Membro da Comissão Coordenadora do Movimento dos Capitães desde 1973, teve um papel de destaque no levantamento das unidades que aderiram ao 25 de Abril no Norte do país. Membro do Conselho da Revo­lução, fez parte do Grupo dos Nove e foi um dos responsá­veis do contragolpe vitorioso em 25 de novembro de 1975. Esteve à frente da Comissão de Extinção da PIDE/DGS. É coronel na reforma.

 

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CARLOS DE MATOS GOMES
TERIA FURADO OS PNEUS DO CARRO DE CAVACO

«Se eu soubesse o que sei hoje… Teria feito o que fiz para acabar com a guerra colonial e derrubar a ditadura.

Teria tentado impor a mediação internacional, através da ONU, para conduzir o processo de transição para as independên­cias das colónias.

Teria lutado com maior veemência pela instauração de um sis­tema político mais diretamente ligado às pessoas e menos, muito menos, capturado pelos partidos. Com a criação, por exemplo, de uma segunda câmara.

No PREC, ter-me-ia empenhado mais numa aliança entre o grupo de militares ditos na altura e na classificação do tempo «do COPCON», com o Grupo dos Nove, de modo a evitar o 25 de No­vembro, que esteve prestes a ser putchista e acabou por ser a im­posição de um modelo padronizado de sistema democrático, de que a triste situação que hoje vivemos é fruto.

Ter-me-ia batido, mais do que fiz, para manter no domínio pú­blico empresas estratégicas fundamentais na área da energia, dos transportes, nas comunicações e no setor financeiro, nomeada­mente com o reforço da Caixa Geral de Depósitos e de um Banco de Fomento de capitais públicos.

Teria dedicado maiores esforços na área da justiça, impondo uma rigorosa seleção e avaliação dos magistrados e promovendo uma justiça orientada para as vítimas e não para os criminosos.

Teria estado mais atento aos fenómenos de corrupção e de nepo­tismo, com atenção especial às autarquias e ao que diz respeito ao ordenamento do território, para evitar fenómenos de «algarvisa­ção», de «litoralização» e de desertificação do interior.

Teria tido uma especial atenção às leis de imprensa, obrigando a clarificar a posse dos meios de comunicação social e favorecendo empresas constituídas por jornalistas.

Teria furado os pneus do carro que Cavaco Silva levou ao con­gresso do PSD da Figueira da Foz para fazer a rodagem.

Teria, por fim, promovido, a leitura de A Arte de Furtar, incluindo–o nos curricula escolares, como de estudo obrigatório.»

CARLOS DE MATOS GOMES
COMANDO E ESCRITOR

Foi capitão dos Comandos em 1974, na Guiné, onde foi mem­bro da Comissão Coordenadora do MFA. Combateu também em Moçambique e Angola. Conde­corado duas vezes com a Cruz de Guerra, foi o último comandante do Batalhão de Comandos Afri­canos. No Verão Quente de 1975 foi apoiante do Documento do COPCON e, poucos dias antes do 25 de Novembro, subscreveu o Manifesto dos Oficiais Revolu­cionários. Coronel na reforma, é também escritor, com perto de uma dezena de romances publi­cados com o pseudónimo Carlos Vale Ferraz, com destaque para Nó Cego, Os Lobos Não Usam Coleira (adaptado ao cinema no filme Os Imortais), Fala-me de África (adaptado à televisão na série Regresso a Sizalinda) e A Mulher do Legionário. É ainda autor ou coautor de várias obras de referência sobre história mi­litar, como Guerra Colonial ou Portugal e a Grande Guerra.

 

 

Rosa Ferreira
Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens