OPINIÃO

Dançar faz bem à cabeça

O cérebro também dança?

Ar | Respire connosco é um programa da Fundação Champalimaud (FC) que pretende aproximar a ciência do grande público, de tal forma que esta passe a ser como o ar que respiramos. Para isso, propõe-se explorar diferentes temas de vários domínios científicos através de uma linguagem acessível e de uma abordagem criativa, que passará por uma interação intensa, informal e descontraída com o público. Espera-se assim estimular o debate de ideias, desencadear o pensamento crítico e contribuir para a melhoria da cultura científica em Portugal. A iniciativa, cujo primeiro evento aconteceu em Outubro de 2011, segundo Catarina Ramos, uma das organizadoras, surgiu de um grupo de estudantes  investigadores do Programa de Neurociências da Fundação, com o slogan «A ciência está no ar | Respire connosco».

Que melhor forma de quebrar o gelo do que a dança? Sim, leu bem: a dança será o tema a pôr no Ar este mês. Será explorada a ligação entre a dança e a neurociência e tem como título Dancing in the brain [Dançando no cérebro], que traduzido para português perde a graça e o trocadilho alusivo à cena protagonizada por Gene Kelly.

Porque gostamos de dançar? Porque é a dança a forma de expressão máxima para uns e algo intimidante para outros? Que papel desempenha no nosso desenvolvimento, na nossa cultura e na nossa sociedade? E o que é que acontece no cérebro quando dançamos ou vemos os outros dançar? Estas serão algumas das questões lançadas nos três eventos e workshops que decorrerão no mês de Abril e Maio, no auditório da Fundação Champalimaud.

Sara Matias, estudante de doutoramento do Programa de Neurociências uma das organizadoras do programa deste ano, entreabre a porta da «pista de dança» em que este fim de semana se transformará a Fundação: «quando dançamos exercitamos o nosso corpo, aprendemos a fazer sequências de movimentos que não fazíamos antes, desenvolvemos a nossa coordenação, mas também nos sentimos felizes e livres. Porque será que esta forma de explorar o nosso corpo, e ativar as áreas do cérebro responsáveis pela geração de ações, pelo movimento rítmico e coordenado, é tão recompensadora para nós? Talvez seja evolutivamente relevante experimentar e criar novos movimentos. Afinal de contas, somos dos animais com um repertório de ações mais rico e é isso que nos permite modificar de maneira tão significativa o ambiente à nossa volta. Por outro lado a dança é muitas vezes usada como forma de contar histórias, uma função também essencial para desenvolver a nossa memória e simular estados emocionais, dando-nos ferramentas que podem ser usadas nas nossas decisões e ações futuras, bem como nas nossas relações com os outros.»

O primeiro evento Ar acontecerá já este sábado, a 5 de abril: Diving into dance será dedicado ao que se passa no nosso cérebro enquanto dançamos e à forma como avaliamos esteticamente a dança. Megan Carey, investigadora principal do programa de Neurociências da Fundação Champalimaud, falará sobre as funções das várias áreas do cérebro ativas enquanto dançamos, e Guido Orgs, investigador na Brunel University London, introduzirá a questão da perceção estética da dança. Aos dois oradores juntar-se-á um grupo de Capoeira que fará uma demonstração desta dança que combina artes marciais, ginástica, improvisação, música e cultura popular.

A 26 de Abril, em Dancing your words away – será a vez de explorar a dança como forma de comunicação.

Por fim, em Dismantling the predictable – a 7 de maio –, serão apresentadas as áreas do cérebro responsáveis pela improvisação, bem como as que estão na base dos hábitos, muitos dos quais que nem sequer reconhecemos.

Todos os eventos e workshops serão gratuitos, mas é obrigatório o registo online para os bilhetes, que deve ser feito no website do Ar, para cada um dos eventos e workshops separadamente.

Hoje, às 21h00, abre a corrida aos worshops do próximo sábado:  Lindy Hop, com David e Cátia (11h00); «Listening to Movement, inspirado na Danza Sensibile, com Francesca Bertozzi (15h00); Danças Africanas, com Mafalda Albuquerque (17h00). Para o evento  Diving into dance, às 21h00, com Megan Carey, Guido Orgs e Grupo de Capoeira, já estão abertas as inscrições.

Diving into Dance terá também transmissão online através da FCCN, da Fundação para a Ciência e Tecnologia, aqui