OPINIÃO

Atrás do café…

As pequenas cápsulas de café têm um grande segredo.

Os provadores são um dos segredos do sucesso da Nespresso, marca suíça que em 28 anos conseguiu conquistar consumidores de todo o mundo, graças ao inovador conceito de cápsulas. Uma equipa de profissionais testa diariamente diferentes cafés – africanos, asiáticos, sul-americanos – para encontrar a melhor textura, sabor e composição. Já experimentou beber café à refeição (e não depois)?

Quem diria que até o café chegar à nossa mesa existe um complexo processo que envolve a perícia de especialistas treinados para lhe experimentar o cheiro, consistência e paladar e chegar ao melhor produto final? «Nem todos têm o mesmo nível sensorial e olfativo, o que obriga a uma formação intensa que a nossa empresa oferece a quem deseja trabalhar neste setor e especificamente nesta área. Um sommelier de café é alguém que durante horas e dias testa diferentes Grands Crus, para poder obter o melhor resultado possível», explica Edouard Thomas, responsável pelo departamento Sensorial da Nespresso.

O café é um produto «que desperta diferentes reações no seu consumidor» e é por isso que a fábrica de Avenches tem um centro de investigação onde o café é analisado desde o momento em que chega, ainda em grão, dentro de grandes sacos de ráfia. «O sucesso da Nespresso deve-se ao trabalho exaustivo da equipa que acompanha o café desde o seu cultivo até às cápsulas», garante Edouard Thomas. Diariamente, três ou mais pessoas têm como trabalho sentar-se à mesa, em que são postos diferentes cafés dentro de cafeteiras de porcelana branca não identificadas, e beber, observar a consistência e cheirar o aroma, cuspindo a cada prova. «O processo de experimentação e teste é muito semelhante ao que é realizado pelos enólogos e escanções de vinho. A diferença está no produto», diz este profissional.

Todos os departamentos processuais da fábrica Nespresso estão em constante diálogo. Mas para o sucesso da marca suíça também conta a análise da concorrência e por isso testam-na e observam as diferenças. A equipa de Edouard Thomas tem num dos laboratórios vários modelos de máquinas de café caseiras e profissionais (cafés, hotéis e restaurantes), das mais simples às mais sofisticadas, assim como diferentes tipos de moagem de distintos cafés disponíveis no mercado internacional, «experimentados regularmente para uma perfeita perceção sobre os produtos concorrentes».

Conhecer as potencialidades do café passa também por perceber que associações menos comuns podem ser feitas, como é o caso da gastronomia. Acompanhar uma refeição não com vinho mas com café pode parecer estranho ou peculiar mas tem razão de ser. Daí que a Nespresso tenha convidado aquele que é considerado o melhor sommelier de vinho do mundo, o italiano Paolo Basso, para, juntamente com o chef Arno Abärcheli, dono do restaurante Auberge de la Croix-Blance, com uma estrela Michelin, criarem um menu de degustação.

O resultado: vieiras e paté, acompanhados por cafés de intensidade média e forte para realçar os sabores naturais dos pratos escolhidos. «Tal como o vinho, o café pode ser uma escolha interessante para acompanhar uma refeição. A comida é cozinhada com especiarias e ingredientes que explodem na boca quando conjugadas com café e o resultado pode ser surpreendente. Desafio as pessoas a experimentarem. Normalmente, os cozinheiros incluem na confeção da sua cozinha o café, mas neste caso é diferente, porque beber café enquanto comemos é uma alternativa pouco comum», diz Paolo Basso.

Na fábrica da Nespresso, em Avenches, uma das mais completas e tecnologicamente desenvolvidas, trabalham 800 pessoas. «Sem uma equipa capaz era impossível realizar o trabalho que temos feito nestes 28 anos», explica Karsten Ranitzsch, responsável pelo departamento de café da Nespresso. A forte aposta da marca está em aperfeiçoar as máquinas profissionais e particulares oferecendo ao consumidor a hipótese de ter o café que mais aprecia beber a qualquer hora e em qualquer momento da sua vida.

Catarina Vasques Rito
Fotografia: Wollodja Jentsch