OPINIÃO

Anabela, a pintora

Conheça o trabalho voluntário que a pintora Anabela Mota faz com os miúdos do IPO de Lisboa.

Há oito anos que Anabela Mota, artista plástica, faz trabalho voluntário com as crianças internadas no IPO de Lisboa. As telas e as pinturas que decoram o serviço de pediatria são obra dela e dos pequenos doentes.

Das paredes do serviço de pediatria do Instituto Português de Oncolo­gia (IPO) de Lisboa espreitam fadas e gnomos, voam borboletas e libelinhas, erguem-se árvores e flores que fazem companhia às crianças internadas. A responsável pela alegria e colorido do espaço é Anabela Mota, a artista plástica que todas as quartas-feiras leva um atelier de pintura aos doentes de palmo e meio.

Tudo começou em 2006, quando a pintora sentiu vontade de fazer voluntariado e a direção do serviço de pediatria concor­dou que a expressão através da arte podia ser uma boa aliada do tratamento e da recuperação dos pequenos doentes. Formada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Anabela já teve exposições individuais, participa com regularidade em mostras coletivas e tem obra em várias coleções particulares. Mas chegou ao serviço de pediatria sem ideias feitas. «Não sabia bem o que ia encontrar, nem sabia se me ia aguentar. No princípio foi duro. Mas o sofrimento ensina-nos muita coisa. A maneira abnegada e corajosa como as crianças e os seus pais lidam com os problemas é um hino à vida.»

Para dar mais cor à vida, o IPO arranja as tintas e os materiais de artes plásticas e Anabela junta-se com as crianças e os pais e fazem o resto. «Não é uma pintura qualquer. Por de trás de cada trabalho, há sempre uma história, um conceito, uma reflexão. Pode ser sobre os miúdos ou sobre um tema, mas também pode ser sobre as suas emoções e sentimentos. Eles estão sempre envolvidos.»

Depois das telas, os pincéis ganharam asas e começaram a contar histórias nos móveis e nas paredes do piso sete e do hospital de dia da pediatria, onde o pessoal de saúde também já veste fardas a condizer, igualmente desenhadas pela pintora e pelas crianças. «Neste serviço sente-se o esforço que é feito pelas diferentes equipas. Médicos, enfermeiros, auxiliares, educadoras, assistentes sociais e psicólogas, toda a gente se empenha todos os dias para que a vida daquelas crianças e daquelas famílias possa ser melhor», elogia Anabela. O que também se sente é a alegria e a cor com que artista ajuda a combater a dor e o sofrimento.

Quem quiser ajudar a colorir a vida das crianças com cancro do IPO de Lisboa pode contribuir com materiais de artes plásticas, sobretudo tintas acrílicas. «São sempre necessárias e até agora têm sido compradas pelo próprio IPO.»

Célia Rosa
Fotografia: Steven Governo/Global Imagens