OPINIÃO

Adeus Terra Média

A Batalha dos Cinco Exércitos chega em breve às salas de cinema e marca o fim da viagem de Bilbo por terras de Erebor.

O filme de Natal por excelência será sem dúvida o último capítulo da saga Hobbit. A Batalha dos Cinco Exércitos marca o fim da viagem do hobbit Bilbo pelas terras de Erebor e é o mais épico da nova trilogia. Uma experiência cinematográfica com inovações de som e imagem.

Agora sim, dia 18 de Dezembro, termina a saga O Senhor dos Anéis no cinema. O Hobbit-A Batalha dos Cinco Exércitos é o último filme de Peter Jackson baseado nos livros de Tolkien. Foi em 1999 que começaram as filmagens da série cinematográfica mais cara da história. Fãs de todo o mundo anseiam pela grande despedida, num misto de tristeza e celebração. A saga termina com a grandiosa batalha que mete todos ao barulho. Um final que se quer em grande e que representa uma maneira de estabelecer as percepções do chamado blockbuster. Afinal, foi desde o primeiro O Senhor dos Anéis, estreado em 2001, que Hollywood começou a pensar em termos de franchise. Percebeu-se que o espetador moderno estava disponível para o conceito (lucrativo) de filmes interrompidos com meses (muitas vezes um ano) de intervalo. O impasse para a divisão em duas longas-metragens começou a ser léxico comum e copiado por outras aventuras, menos ou mais épicas. Nesta despedida, assistimos à forma como Bilbo e o grupo de anões comandado por Thorin Escudo-de-Carvalho enfrentam o dragão Smaug, que agora foi libertado e ameaça destruir toda a Cidade do Lago. Enquanto isso, o maléfico Sauron está de volta à Terra-Média, ameaçando reunir exércitos de orcs para um ataque à Montanha Solitária. Um tempo de trevas pode estar eminente e o desfecho precipita-se para uma grandiosa batalha com elfos, orcs, anões, humanos e hobbits.

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Despachos de Erebor
O palco de todas as batalhas

» Quem não viu os últimos dois Hobbit vai ter dificuldade em seguir a intriga. Por exemplo, é capaz de ficar meio perdido sobre a origem do dragão Smaug. Nós ajudamos, Smaug é mau e está à solta, aterrorizando os habitantes da Cidade do Lago.

» Inicialmente, a saga Hobbit seria composta apenas por dois filmes, mas Peter Jackson achou que poderia esticar para mais um, seguindo lógica, muito na moda agora, de blockbusters com franchise, tal como acontece com o desfecho de The Hunger Games e Twilight. A Sociedade Tolkien apoiou a decisão.

» A batalha final que batiza o filme desenrola-se durante 45 minutos. 45 minutos com aquela dureza típica de Peter Jackson, bruta mas não gratuita, demente mas não doentia. E sem cortes.

» Depois deste último filme, toda a saga da Terra-Média cifra-se em 19 horas e 38 minutos. Aceitam-se em seguida maratonas com as sessões todas juntas. Sim, há muitos fãs leais que sonham com isto.

» O orçamento só para esta terceira parte foi de cerca de 200 milhões de euros. É o mais caro de todos. Para haver financiamento, os estúdios MGN e a New Line, que pertence à Warner, fizeram uma joint venture.

» Tal como no segundo Hobbit, a personagem da elfa Tauriel continua a ser uma invenção dos argumentistas. Nos livros, ela não aparece. Aliás, o mago do cinema de fantasia, Guillermo Del Toro, o realizador previsto para estes filmes, ainda tem o seu nome no genérico.

» Originalmente, o título deste filme era para ser O Hobbit-Lá e de Volta Outra Vez (The Hobbit- There and Back Again). A decisão da mudança foi de Peter Jackson.

» A canção final do filme, Last Goodbye, é interpretada por Billy Boyd, por acaso (ou não) ator na primeira trilogia da série. Ele era o hobbit Peregrin Took.

» Em Portugal, no geral, os filmes desta saga costumam ser recebidos com frieza pela crítica. E nos EUA, ao contrário do que aconteceu com o derradeiro O Senhor dos Anéis, até ao momento, não se fala em Óscar buzz.

» Foi apenas durante a rodagem deste filme que Peter Jackson confessou que terá recusado fazer Clube de Combate e O Estranho Caso de Benjamin Button, ambos dirigidos depois por David Fincher.

»A seguir a esta odisseia, Jackson acompanhará a reedição de uma versão remasterizada de Braindead-Morte Cerebral, o seu mítico filmes de terror de 1992.

» No lançamento mundial do filme em Londres, nenhum jornalista português foi convidado pela MGN. Sinal da gradual perda de importância do mercado nacional.

Rui Pedro Tendinha