OPINIÃO

Os objetos de Bruno Vieira do Amaral

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Leonardo Negrão/Global Imagens

No início do ano, apostámos que seria a revelação literária de 2013. Olhando para o romance de estreia, As Primeiras Coisas (ed. Quetzal), não nos enganámos. Quais são as coisas essenciais para um escritor que faz uma ode à margem sul do Tejo?

CANETAS
Prefere as uniball às esferográficas normais. «Parece que deslizam no papel, acompanham melhor a velocidade do pensamento, a fúria criativa.» E é com elas que escreve quase tudo, incluindo esta sua primeira obra. «Oitenta por cento do livro foi escrito à mão.»

AÇUCAREIRO
Está amolgado e tem muitos anos de uso, mas há um açucareiro que Bruno Vieira Amaral guarda com especial afeto. «Era da minha avó, fui criado com ela e anda sempre comigo, de casa em casa.» O recipiente já teve cinco moradias diferentes. Continua a adoçar-lhe o café e as memórias.

RELÓGIO
«Os telemóveis vieram retirar importância ao relógio, mas para mim será sempre um dos objetos mais importantes.» Lembra-se do primeiro que recebeu, um tesouro autêntico, quando passou para o sétimo ano. «Há um ano a minha mulher ofereceu-me a encarnação desse relógio.»

Ricardo J. Rodrigues
Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens