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Opinião

Lisboa, hoje

Para já, um balanço: que bom Lisboa discutida! Que bem melhor do que antes...

Obrigado por acompanharem a minha morte

Descansai: não cortarei os pulsos no decurso desta crónica, nem nela tomarei a minha dose da proverbial cicuta. A frase do título pertence ao livro Photomaton & Vox, mais concretamente ao trecho em que Herberto Helder discorre sobre a aventura poética, na qual, diz, irrevogavelmente se morre. Escreveu-a se calhar com ironia, dirigindo-se ao leitor que, passando os olhos por aquela parte do texto, se ache contemplando a vida do poeta e, desse modo, também a irrefreável morte dele. Não há, afinal, condições mais contíguas e afins do que ser e desaparecer. To be or not to be.

Angola, Portugal e um coração partido

Isabel Batata Doce foi a Angola para completar a sua história. Ficou com o coração entre dois países e duas famílias.

O que fiz eu para merecer isto?

Estávamos há um bom par de horas dentro do jipe e sabíamos que o caminho ia apenas a meio. O carro avançava aos solavancos por uma picada de terra vermelha, caminho apertado e cheio de pedregulhos, ladeado por capim mais alto do que nós.

Estar de bem

Temos mesmo de odiar aqueles com quem não concordamos? Os seus gestos e palavras incomodam-nos. Às vezes, é a sua própria presença que nos incomoda. Aparecem na televisão e mudamos de canal. Se insistirem nos comentários, bloqueamo-los no Facebook. Pergunto: se tivéssemos todo o poder, se não fôssemos julgados por ninguém, se bastasse estalar os dedos para que se cumprisse a nossa vontade, o que lhes faríamos?

Do luto. E da compaixão. E da procura das palavras certas para a dor...

Toda a gente precisa de uma palavra de apoio, algum dia. Seja a mãe que perdeu uma filha, seja a mãe que viu os filhos ficarem órfãos de pai e tem de tentar ajudá-los a preencher o vazio que vai ficar. Toda a gente precisa de alguém e é terrível tentarmos ser esse alguém do outro lado e não conseguirmos dizer o que é certeiro e eficaz

O amor não é uma sms

A vida não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona. Abrir portas dentro da alma e escavar dentro do outro leva muito tempo. Dá que pensar que candidatos a pais desistam de crianças a quem quiseram dar colo. E que um candidato a filho possa ser tratado como uma encomenda com defeito, devolvida à procedência.

São precisas cidades menos egoístas para combater o terrorismo

Antes da denúncia, vem a atenção ao próximo. Começa no trânsito e acaba a detetar atividades estranhas nos nossos vizinhos. Sem coscuvilhice mas com solidariedade e atenção.

Cá dentro e a porta ao lado

Um dos piedosos barbudos da reportagem do Channel 4 «Os Jihadistas da Porta ao Lado», Khuram Butt, de 27 anos, tendo a polícia e a sociedade deixado andar, na semana passada acelerou numa ponte de Londres contra peões. Parou a furgoneta e, mais dois colegas, atirou-se a estripar pessoas com longas facas. Sete mortos, 48 feridos.

«Se te chegar um vídeo que expõe a intimidade de alguém, não o partilhes....

O que passará na cabeça das pessoas para perderem a capacidade de se pôr no lugar do outro, de criarem empatia, de se afligirem, de tentarem ajudar, de temerem o pior, qualquer coisa, mas não de desligarem a humanidade para ligarem o smartphone?

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