OPINIÃO

O que a vida me ensinou: Fernando Melo

«Aquilo que realmente pode estragar uma refeição é a companhia errada.»

Texto Ricardo J. Rodrigues

Não há nada que o faça viajar mais à infância do que um bom prato de bacalhau à Brás. «Pelas muitas vezes que comi em miúdo, e por sempre me ter parecido que não era bem aquilo. A minha tia favorita fazia os ovos muito macios e usava a batata chocha que hoje sei ser adequada, em casa tinha os sabores com que me identificava, e nos restaurantes era cada um de sua nação», diz Fernando Melo, um dos principais críticos gastronómicos do país.

«A graça que é poder todos os dias voltar ao mesmo prato como se fosse algo inteiramente novo.»

Se há uma lição que tenha aprendido com mais de três décadas a escrever sobre comida é que nada estraga mais uma refeição do que uma má companhia à mesa. «É preciso haver uma grande sintonia para uma refeição funcionar.»

Mas há outros fatores que podem ter influência negativa no repasto: «Um mau vinho. E a mistura de crus com cozinhados, como é o caso da alface e outros legumes com que decidem povoar-nos os pratos.»

É para guardar na memória: livre-se de juntar legumes quentes com uma salada fria no mesmo prato. Há, afinal, que saber tratar uma refeição com respeito. Para Fernando melo, é uma lição de humildade. «A graça que é poder todos os dias voltar ao mesmo prato como se fosse algo inteiramente novo.»

Uma vida em números

1 – ESPAÇO
Doutorado em Física, coordenou as operações em terra da equipa que lançou para o espaço o Po Sat, o primeiro satélite português.

2 – SABORES
Dois pratos fizeram-no ir às lágrimas. Um delas foi executado pelo chef catalão Jordi Roca, outra pelo jugoslavo radicado em Portugal Ljubomir Stanisic.

4 – REVISTAS
As publicações com que colabora. Escreve crítica gastronómica e vinícola para as revistas Evasões (publicada à sexta-feira com o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias) e Vinho – Grandes Escolhas, colaborando regularmente com a Notícias Magazine e a Epicur.

1986 – O INÍCIO
Num pequeno restaurante do Bairro Alto, quando jantava com namorada, «tive o impulso de entrar na cozinha em casa e tentar reproduzir para melhorar.» Nunca mais largou a cozinha.

1995 – CIÊNCIA
Começa a escrever sobre gastronomia, entrando pela porta através do mundo das aguardentes. Há alguns anos que já escrevia sobre ciência.