OPINIÃO

Vai viajar para fora? Sabe o que tem de fazer?

Se vai voar, previna-se em terra. Convém marcar uma consulta do viajante e perceber se o seu destino implica tomar vacinas antes da partida, se há perigo de picada de insetos ou se precisa levar medicação na bagagem. Sandra Xará, médica infecciologista, da Consulta do Viajante do Centro Hospitalar do Porto, a maior consulta hospitalar da área, fala dos cuidados a ter antes de fazer as malas.

Texto de Sara Dias Oliveira | Fotografia de Shutterstock

Tempo de férias, tempo de viagens. E há países que exigem atenção: vacinas antes de partir, medicação na mala, repelente para afastar bichos, e nada de beber água da torneira. É importante que qualquer viajante, quer viaje por turismo ou por questões de trabalho, vá preparado para alterações significativas que podem remoer o organismo. Isto porque, muitas vezes, o que encontra no destino em termos de clima, alimentação e costumes, é bastante diferente do que está habituado. E tudo junto pode acarretar um aumento de riscos para a saúde. Uma consulta do viajante ajuda sempre. O ideal é marcá-la pelo menos quatro a seis semanas antes da viagem. Deve levar boletim de vacinas e também é aconselhável falar do itinerário da viagem, dos países ou regiões a visitar.

«Atualmente, com o arsenal vacinal de que dispomos e o conhecimento mais aprimorado da patologia tropical, qualquer destino é possível. Qualquer limitação para uma viagem estará essencialmente condicionada pelas características inerentes ao viajante (doenças crónicas e/ou imunossupressivas, gravidez, idade prematura ou avançada)», adianta Sandra Xará, infeciologista da Consulta do Viajante do Centro Hospitalar do Porto – a maior consulta hospitalar do género, que nos últimos dois anos fez uma média de três mil atendimentos anuais.

«Atualmente, com o arsenal vacinal de que dispomos e o conhecimento da patologia tropical, qualquer destino é possível. Qualquer limitação para uma viagem estará relacionada com as características do viajante.»

Países do sudeste asiático, subcontinente indiano, e África, essencialmente a região subsaariana, motivam maiores preocupações. Na Europa, é mais tranquilo viajar, mas ainda assim se decidir ir para a zona da floresta da Alemanha, na fronteira com os países de Leste, então será conveniente tomar uma vacina para se proteger da encefalite da carraça, sobretudo se forem estadias de algumas semanas e na altura da primavera e verão.

África tem as suas cambiantes. Muitos países africanos subsaarianos exigem o Certificado Internacional de Vacinação (CIV) com prova de vacina da febre-amarela». É o caso de Angola e Guiné-Bissau. «Na América Latina, estando neste momento a decorrer um surto desta doença no Brasil, apesar deste país não exigir o CIV, muitos países desta região estão a exigi-lo para viajantes procedentes do Brasil», adianta a médica.

De qualquer forma, seja África, seja Ásia ou América Latina, e dependendo da viagem, do tempo de estadia, atividades locais e tipo de alojamento, e se se tratar de regiões de baixos recursos, é então necessário ter em consideração «cuidados de higiene alimentar e hídrica e eventualmente vacinar contra doenças transmissíveis por esta via». Como, por exemplo, vacinas da hepatite A, febre tifoide e cólera. «Também nestas regiões, é comum o risco de doenças de transmissão vetorial (por picada de inseto).

Em geral, nos climas tropicais, isto é, quentes e húmidos, o mosquito que transmite a dengue é endémico. Este mosquito é também transmissor de outras doenças como a zika e a chikungunia. Assim, existe a necessidade do viajante se prevenir da picada de inseto através de medidas como o uso de repelentes, roupa adequada, ar condicionado nos quartos e redes mosquiteiras.»

«Alguma destas regiões são ainda endémicas de malária, tornando-se muitas vezes essencial, utilizar, para além das medidas descritas, a quimioprofilaxia da malária». Uma decisão que tem de ser tomada por quem parte em conjunto com o especialista da consulta do viajante.

Por norma, as doenças tropicais induzem sintomas, quer menos específicos, como febre, dor de cabeça, dores no corpo, ou sintomas mais concretos como vómitos, diarreia ou mesmo lesões cutâneas. Nestas situações, deve recorrer a uma consulta pós viagem depois de aterrar.

Se tiver febre, dores no corpo, vómitos, diarreia ou lesões cutâneas, depois de regressar de uma viagem, deve consultar o médico.

Se viaja com crianças, mais atenção, porque os mais novos não têm noção dos perigos. Se têm sede, bebem água da torneira. «Cabe aos pais a vigilância permanente para prevenir estas doenças. Também com as crianças tem de haver uma especial preocupação com questões de acidentes. São muito frequentes acidentes no mar por desconhecimento de correntes, de profundidade e ausência de vigilância», avisa Sandra Xará.

A Consulta do Viajante do Centro Hospitalar do Porto funciona diariamente, de manhã e de tarde, nas instalações do ex-CICAP, frente ao Museu Soares dos Reis, com três especialistas e vários internos da especialidade de infecciologia – que fazem a consulta sob tutoria do especialista. Além da vertente pré-viagem, o centro hospitalar dispõe da vertente pós viagem, consulta realizada por especialistas em infecciologia, destinada a pessoas que regressam doentes. Esta é uma consulta aberta e não carece de marcação. A pré-viagem necessita de marcação prévia que pode ser feita pelo telefone 222077500 ou por email. É uma consulta do Serviço Nacional de Saúde e tem, portanto, associada uma taxa moderadora de consulta de especialidade.

Para encontrar a consulta do viajante mais próxima da sua área de residência pode começar por aqui.

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