Vai de férias? Seja um viajante consciente

A UNESCO declarou: 2017 é o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento. O objetivo? Chamar a atenção para um comportamento que se tornou essencial após a massificação do turismo: viajar sem prejudicar o meio ambiente e a cultura local, por oposição a um turismo «predatório» com impactos negativos nos locais. Não é só fazer as malas e partir.

Texto Sofia Teixeira | Fotografia Getty Images

8. TURISMO PREDATÓRIO

A indústria do turismo corresponde a cerca de dez por cento da atividade económica mundial e pode ter um papel muitíssimo importante na luta contra a pobreza e na promoção da compreensão intercultural, ao enriquecer a experiência dos povos visitados e dos cidadãos que visitam. Mas também pode ter um impacto muito negativo nos sítios que recebem mais turistas, se o turismo for selvagem e predatório, destruindo a natureza, a cultura e as tradições locais. As hordas de turistas em excursões organizadas e com pouco respeito pelo ambiente, cultura e pessoas locais já arruinaram alguns dos destinos mais fabulosos do planeta.

7. VOAR DE FORMA SUSTENTÁVEL

As viagens de avião são uma fonte de emissão de dióxido de carbono (CO2) que deve ser compensada. A International Civil Aviation Organization e várias companhias aéreas têm calculadoras de emissões de carbono que permitem aferir o impacto de cada passageiro, com base na origem e destino. A ideia é sensibilizá-lo para contribuir para programas de compensação. Muitas companhias aéreas dão ao passageiro a hipótese de pagar um valor adicional correspondente à sua parte das emissões CO2 do voo, indo o valor para fundos que o aplicam em projetos de proteção climática.

6. DEGRADAÇÃO DO PATRIMÓNIO

Destruição ambiental e da biodiversidade, degradação de sítios de interesse histórico, como começa a acontecer em Machu Picchu (Peru) e Angkor Wat (Camboja) ou gentrificação e excessiva valorização imobiliária, com a consequente deslocação dos moradores para zonas periféricas, o que retira qualidade de vida aos locais e descaracteriza os bairros ou cidades (caso de Barcelona e, na opinião de muitos, começa a acontecer no centro de Lisboa).

5. AJUDAR EM VEZ DE CRIAR DEPENDÊNCIAS

Quando viajam para países menos desenvolvidos, muitos turistas enfiam na mala doces, roupa usada ou outros bens para dar às crianças que os abordam. Outras vezes dão dinheiro. A intenção é boa, mas as consequências nem sempre. Em muitos lugares este tipo de gesto acabou por gerar uma cultura de mendicância pouco positiva, além de criar problemas entre as comunidades e estabelecer uma interação pouco saudável com os visitantes estrangeiros. Faz sentido ajudar aqueles que mais precisam no país visitado, mas é preferível e mais eficaz contribuir com o dinheiro ou bens para organizações locais ou internacionais que tenham programas credíveis de ajuda às populações.

4. ESCOLHER ONDE FICAR

Alojamentos de turismo sustentável, ecoturismo ou agroturismo são sempre boas opções. Se isso não for possível e se for para um hotel convencional, espreite a página online para perceber se têm políticas amigas do ambiente. Além disso, é conveniente ter os mesmos cuidados no alojamento que se tem em casa: evitar luzes acesas desnecessariamente e água a correr sem necessidade. Apesar de não pagar essas contas, estamos a consumir recursos.

3. ALIVIAR AS EXCURSÕES

Quando compra previamente visitas a reservas de vida selvagem ou natural, informe-se sobre o operador local. A empresa emprega habitantes locais? É uma companhia privada que visa apenas o lucro ou parte do valor que paga reverte para a conservação do parque a visitar? Tem práticas amigas do ambiente e do património cultural? São perguntas a fazer.

2. COMÉRCIO E SERVIÇOS LOCAIS

Na escolha do hotel, na alimentação, nas compras, nos guias e na própria agência de viagens, sempre que possível é preferível escolher negócios locais às grandes cadeias e redes internacionais. Além de as pequenas empresas locais costumarem ter um menor impacto de CO2 no funcionamento, o dinheiro fica na economia local em vez de engrossar o lucro de grandes grupos multinacionais.

1. NÃO ALIMENTE O TRÁFICO

Brincos de marfim, cintos de pele de lobo, animais exóticos, pedaços de coral – eis alguns dos produtos que não devem comprar. A vida selvagem de muitos países é saqueada ilegalmente para o turista levar para casa uma lembrança do destino. Diga não, sempre. Compre produtos e artesanato local, mas não alinhe em produtos que são consequência de um crime ambiental.

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